DEZOITO ANOS
No último dia 16, o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP-AP), comemorou os dezoitos anos de jurisdição plena e posse da primeira turma de magistrados do Amapá. O dia foi marcado por cerimônias e comemorações diversas, além da realização de um baile na Sede Social da Associação de Magistrados do Amapá (AMAAP). Ao baile, compareceu a quase totalidade dos magistrados amapaenses, acompanhados de suas esposas e filhos, a começar pelo presidente do tribunal, desembargador Dôglas Evangelista Ramos. Entretanto, mais que uma festa, a data representa um fato dos mais importantes na história do jovem Estado do Amapá, particularmente na história jurídica tucuju.
A Justiça amapaense foi instalada em 1991, com o advento da transformação do antigo Território Federal do Amapá em Estado e a consequente constituição dos Poderes.
O Tribunal de Justiça do Amapá é composto por nove desembargadores, 33 Juízes de Direito Titulares, 22 Juízes de Direito Substitutos e quatro Juízes de Direito Auxiliares de entrância final.
Além disso, a Justiça do Amapá é constituída por 12 Comarcas (Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Laranjal do Jari, Macapá, Mazagão, Oiapoque, Porto Grande, Santana, Serra do Navio, Tartarugalzinho, Vitória do Jari) e quatro Postos Avançados (Pracuúba, Itaubal do Piririm, Cutias e Pedra Branca do Amapari).
Note-se que a Justiça Estadual julga matérias de natureza cível, de família, do consumidor, de sucessões, de falências e concordatas, da infância e juventude, criminais, dentre outras. A maior parte dos processos dão entrada no chamado primeiro grau de jurisdição, que é exercido por Juiz de Direito, ou um Juiz de Direito Substituto (recém ingressado na Magistratura por concurso e ainda sem as garantias constitucionais da carreira). Em caso de recurso, as ações são decididas pelo órgão de segundo grau da Justiça do Amapá, que é o Tribunal de Justiça. No segundo grau de jurisdição as decisões são colegiadas, ou seja, proferidas através de votos de, no mínimo, três magistrados que integram o Tribunal, chamados de Desembargadores.
O Tribunal de Justiça do Amapá sempre buscou o aperfeiçoamento do atendimento à população com implementações de ações efetivas, com constantes investimentos em tecnologia e com a participação em ações de responsabilidade social. Na área de tecnologia, o Tribunal investe na capacitação profissional dos servidores e na informatização de sistemas. A Justiça Amapaense pode ser considerada uma das mais informatizadas do Brasil, contando com cerca de 800 computadores, operados por aproximadamente 930 servidores, o que resulta na eficácia e agilização no atendimento aos cidadãos. O Tribunal ainda disponibiliza consultas de processos no portal, na internet e dispõe de conexões via satélite, com uso de fibra ótica, proporcionando interligação digital com as Comarcas do Estado.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou uma pesquisa para medir a eficiência de cada sistema judiciário dos Tribunais de cada Estado, para isso criou uma “taxa de congestionamento” que aponta os mais congestionados, que não dão conta da função precípua de julgar e os menos congestionados, que cumprem à risca a função. Os resultados da pesquisa, publicados na revista VEJA (Edição 1904, de 11 de maio de 2005), apontaram o Judiciário do Amapá como o mais eficiente do Brasil, sob o comentário "O exemplo dos melhores", como segue "Às vezes, é a criatividade que faz a diferença. No Amapá inverteu-se a lógica dominante no país: em vez de o cidadão ir à Justiça, a Justiça vai ao cidadão. Um ônibus, equipado com computadores e duas salas de audiência, percorre as ruas das principais cidades do Amapá. Um barco tripulado por um juiz, um promotor e um defensor público também viaja pelo Rio Amazonas, prestando assistência jurídica. Com isso, os processos andam mais rapidamente e os gargalos são reduzidos.".
Como se vê, se o TJAP não nasceu grande no seu aparelhamento tecnológico, nasceu gigante no desempenho intelectual de seus magistrados e demais servidores. Mas, é bom que se complemente que, no Amapá, além de nossos juízes emitirem suas decisões com base nas leis vigentes no estado e no país, é bom que se ressalte que essas decisões comportam, também, uma grande dose de humanismo, pois todos sabemos que ser humano não é uma desculpa para nossos defeitos e sim um privilégio concedido por Aquele que tudo pode.
A maioridade legal que normalmente se adquire ao se completar dezoito anos não vale para o Tribunal de Justiça do Amapá, pela simples razão de que ele já nasceu grande e a tendência natural é só crescer, ampliar suas possibilidades para que atinjamos aquele que é o objetivo de todos nós: Pax et Justitia.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A TEATRALIDADE DO PODER
É curioso notar que alguns políticos, particularmente os políticos brasileiros, têm uma vocação quase patológica para o que podemos chamar de teatralidade do poder. É como se o grande teatro da vida tivesse diversos palcos, cada um encenando suas próprias peças. Algumas, bem poucas, da melhor qualidade, como se fossem shakeaspereanas. Outras, de tão profundo mau gosto, seria preferível não vê-las, o que às vezes fazemos, sem nos dar conta de que temos a obrigação de ver, e mais que isso, lutar para que deixem de ser representadas e exibidas. São as farsas representadas pelos políticos incompetentes, pelos mentirosos, por aqueles cuja idiotice e estupidez é patogênica, pelo imorais e amorais, pelos dilapidadores da nação, pelos assaltantes do Erário e outros de menor calibre, mas da mesma laia.
Muitas vezes, William Shakespeare, o grande dramaturgo inglês, evidencia essa teatralidade. Para ele, o governante não precisa crer nos valores que defende, mas fazer com que acreditem na sua sinceridade. É o caso, por exemplo, do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Geralmente começa seus discursos dizendo: “Nunca antes, na história deste país......”. Às vezes fico pensando que chegará o dia em dirá: “Nunca antes, na história deste planeta......”.
Como se sabe, a única coisa que não tem limite em todo o Universo é a estupidez humana, por isso, é possível que chegue o dia em que dirá: “Nunca antes, na história do Universo......”. Que sei eu do que acontece na cabeça da classe política? Principalmente de alguns políticos.
Um exemplo claro da teatralidade do poder, é que esse mesmo senhor Lula da Silva, diz viver eternamente preocupado com o bem estar dos brasileiros. É claro que isso não é verdade. Prova-o, o fato de que nossa educação é mais que pobre, é paupérrima, jazendo, há longos anos na UTI da mais absurda indigência, onde nossos estudantes fingem que estudam, os professores fingem que ensinam e o governo finge que paga os professores. No discurso, porém, a conversa é outra. No teatro em que representam essa farsa diária, dizem que estamos no melhor dos mundos. Afinal de contas, vamos realizar a Copa do Mundo em 2014, também vamos - o Rio de Janeiro - ser a sede das olimpíadas de 2016, somos penta campeões do futebol mundial, somos campeões da “bolsa-esmola”, somos mais que campeões nos índices de violência (roubos à mão armada e à mão desarmada também, acidentes de trânsito e assassinatos, sem contar as centenas de milhares de mortes por causa do câncer - qualquer que seja o seu tipo -, dos problemas cardiológicos, hepatológicos, renais, estomacais, pulmonares, dermatológicos, e etc.). Se a postura desses políticos não é apenas teatro puro, não tenho mais a menor noção do que seja teatro, pelo menos, esse tipo de teatro, ou melhor, esse tipo de peça que nos pregam todos os dias.
Na verdade, o destino dos poderosos é sempre incerto, particularmente quando se vive tempos conturbados. Tanto é verdade que podemos, apenas a título de exemplo, citar alguns casos como:
1 - O imperador do Brasil, D. Pedro II, foi apeado do poder pelo Marechal Deodoro da Fonseca, com a proclamação da República;
2 - O doublé de ditador e presidente da República, Getúlio Dornelles Vargas, preferiu o suicídio a ser apeado do poder;
3 - João Goulart, tirado do poder pelo Movimento Militar de 64;
4 - Finalmente, no caso amapaense, o ex-governador e, posteriormente senador João Alberto Capiberibe, teve o mandato cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob a acusação de compra de votos.
Mas talvez, o mais cruel destino seja o que teve o Duque de York, personagem de Shakespeare, que feito herdeiro de Ricardo III, sofre duro revés quando seu filho mais novo, Rutland, é assassinado pelos partidários da rainha Margarida, que não se conformava com o fato de seu filho Eduardo ter perdido o trono para o duque.
Após esse fato, o Duque de York cai prisioneiro de seus inimigos, e numa das cenas mais terríveis do teatro mundial, que mostra a que ponto pode chegar a crueldade política, após o “coroamento” de York, Margarida, depois de limpar as lágrimas do duque com o lenço empapado de sangue do filho dele, coloca sobre a cabeça do duque uma coroa de papel, antes que ela e um de seus asseclas o apunhalem. Em um único ato, York cai do mais alto posto de poder, para uma morte abjeta.
Assim é a vida. Um palco onde se representa o mal e o bem, este, infelizmente, encenado por poucos atores, enquanto o mal é representado por milhões de atores da pior qualidade. E a prova de que assim é, é o fato de que o Hages está repleto desses abomináveis seres, enquanto nos Campos Elíseos, são poucos os que nele têm morada. Fazer o quê, se o ser humano é, simultaneamente Deus e o Diabo? Um por cento do primeiro, e noventa e nove por cento do segundo.
É curioso notar que alguns políticos, particularmente os políticos brasileiros, têm uma vocação quase patológica para o que podemos chamar de teatralidade do poder. É como se o grande teatro da vida tivesse diversos palcos, cada um encenando suas próprias peças. Algumas, bem poucas, da melhor qualidade, como se fossem shakeaspereanas. Outras, de tão profundo mau gosto, seria preferível não vê-las, o que às vezes fazemos, sem nos dar conta de que temos a obrigação de ver, e mais que isso, lutar para que deixem de ser representadas e exibidas. São as farsas representadas pelos políticos incompetentes, pelos mentirosos, por aqueles cuja idiotice e estupidez é patogênica, pelo imorais e amorais, pelos dilapidadores da nação, pelos assaltantes do Erário e outros de menor calibre, mas da mesma laia.
Muitas vezes, William Shakespeare, o grande dramaturgo inglês, evidencia essa teatralidade. Para ele, o governante não precisa crer nos valores que defende, mas fazer com que acreditem na sua sinceridade. É o caso, por exemplo, do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Geralmente começa seus discursos dizendo: “Nunca antes, na história deste país......”. Às vezes fico pensando que chegará o dia em dirá: “Nunca antes, na história deste planeta......”.
Como se sabe, a única coisa que não tem limite em todo o Universo é a estupidez humana, por isso, é possível que chegue o dia em que dirá: “Nunca antes, na história do Universo......”. Que sei eu do que acontece na cabeça da classe política? Principalmente de alguns políticos.
Um exemplo claro da teatralidade do poder, é que esse mesmo senhor Lula da Silva, diz viver eternamente preocupado com o bem estar dos brasileiros. É claro que isso não é verdade. Prova-o, o fato de que nossa educação é mais que pobre, é paupérrima, jazendo, há longos anos na UTI da mais absurda indigência, onde nossos estudantes fingem que estudam, os professores fingem que ensinam e o governo finge que paga os professores. No discurso, porém, a conversa é outra. No teatro em que representam essa farsa diária, dizem que estamos no melhor dos mundos. Afinal de contas, vamos realizar a Copa do Mundo em 2014, também vamos - o Rio de Janeiro - ser a sede das olimpíadas de 2016, somos penta campeões do futebol mundial, somos campeões da “bolsa-esmola”, somos mais que campeões nos índices de violência (roubos à mão armada e à mão desarmada também, acidentes de trânsito e assassinatos, sem contar as centenas de milhares de mortes por causa do câncer - qualquer que seja o seu tipo -, dos problemas cardiológicos, hepatológicos, renais, estomacais, pulmonares, dermatológicos, e etc.). Se a postura desses políticos não é apenas teatro puro, não tenho mais a menor noção do que seja teatro, pelo menos, esse tipo de teatro, ou melhor, esse tipo de peça que nos pregam todos os dias.
Na verdade, o destino dos poderosos é sempre incerto, particularmente quando se vive tempos conturbados. Tanto é verdade que podemos, apenas a título de exemplo, citar alguns casos como:
1 - O imperador do Brasil, D. Pedro II, foi apeado do poder pelo Marechal Deodoro da Fonseca, com a proclamação da República;
2 - O doublé de ditador e presidente da República, Getúlio Dornelles Vargas, preferiu o suicídio a ser apeado do poder;
3 - João Goulart, tirado do poder pelo Movimento Militar de 64;
4 - Finalmente, no caso amapaense, o ex-governador e, posteriormente senador João Alberto Capiberibe, teve o mandato cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob a acusação de compra de votos.
Mas talvez, o mais cruel destino seja o que teve o Duque de York, personagem de Shakespeare, que feito herdeiro de Ricardo III, sofre duro revés quando seu filho mais novo, Rutland, é assassinado pelos partidários da rainha Margarida, que não se conformava com o fato de seu filho Eduardo ter perdido o trono para o duque.
Após esse fato, o Duque de York cai prisioneiro de seus inimigos, e numa das cenas mais terríveis do teatro mundial, que mostra a que ponto pode chegar a crueldade política, após o “coroamento” de York, Margarida, depois de limpar as lágrimas do duque com o lenço empapado de sangue do filho dele, coloca sobre a cabeça do duque uma coroa de papel, antes que ela e um de seus asseclas o apunhalem. Em um único ato, York cai do mais alto posto de poder, para uma morte abjeta.
Assim é a vida. Um palco onde se representa o mal e o bem, este, infelizmente, encenado por poucos atores, enquanto o mal é representado por milhões de atores da pior qualidade. E a prova de que assim é, é o fato de que o Hages está repleto desses abomináveis seres, enquanto nos Campos Elíseos, são poucos os que nele têm morada. Fazer o quê, se o ser humano é, simultaneamente Deus e o Diabo? Um por cento do primeiro, e noventa e nove por cento do segundo.
Do justo e do injusto
Quem nos deu o sentimento do justo e do injusto? Os crentes afirmam que foi Deus, que nos deu um cérebro e, digamos assim, um coração. Mas, - e essas são as perguntas que mais afligem o pensador - quando a sua razão lhe ensina que há vício e virtude? O conhecimento inato não existe, pela mesma razão que não há árvore que produza folha e frutos ao sair da terra. Dizia Voltaire que, "o que se chama inato não é nada, isto é, não nasceu desenvolvido e que Deus nos faz nascer com órgãos que, à medida que crescem, nos fazem sentir tudo o que nossa espécie deve sentir para a conservação dessa mesma espécie."
A outra pergunta que se faz absolutamente necessária é: De que modo se opera esse estra-nho mistério? Quem de responder há? Os africanos, os americanos do norte, os asiáticos, Cícero, Platão, Epicteto, o homem simples e rude, a cortesã, a mulher índia, o bravo guerreiro, o covarde assumido, quem, quem, quem? Responda quem souber a tão intrigante questão. A verdade é que todos sentimos que é melhor ajudar os necessitados que cegá-los ou tomar o pouco que têm, principalmente quando se tem muito. Acreditamos todos que isso é justo. É essa a noção que temos do justo. Sabemos, também, que um benefício é mais honesto e honroso que um ultraje, que a brandura é preferível à exaltação. Disso sabemos como que instintivamente.
O mesmo Voltaire dizia que, "basta nos servirmos da razão para discernir os matizes do ho-nesto e do desonesto." O mal e o bem, muitas vezes são vizinhos; nossas paixões os confundem. Quem nos há de esclarecer? A resposta é simples: nós mesmos. Isso, evidentemente se nossa estrutura interna, mental, espiritual e emocional for do bem. Quem, em qualquer momento e em qualquer parte do mundo escreveu sobre nossos deveres, escreveu com sua razão, com bom senso. Sócrates, Epicuro, Confúcio, Lao-Tsé, Marco Antonino ou Amurat II tiveram a mesma moral. Na verdade, precisamos nos convencer, e a Igreja que me perdoe, a moral é uma coisa que vem de Deus; os dogmas, diferentemente, vêm de nós.
Apenas como exemplo, e esse não poderia ser melhor, "Jesus não ensinou nenhum dogma metafísico; não escreveu cadernos teológicos; não disse: "Sou consubstancial; tenho duas vontades e duas naturezas numa só pessoa." Séculos depois, coube aos franciscanos e aos dominicanos que chegariam 1.200 anos depois dele, a tarefa de argumentar para saber se sua mãe foi concebida sem o pecado original. Jesus nunca disse que o casamento é o sinal visível de uma coisa invisível; não instituiu monges nem inquisidores, nada ordenou do que vemos hoje", ensina François-Marie Arouet, também conhecido como Voltaire.
Deus nos deu noção e mais que isso, perfeita compreensão do que é justo e injusto. Deus não mudou e não pode mudar. De nada adianta usar distinções de qualquer natureza, mesmo as teoló-gicas, para perseguições fundamentadas em dogmas. A natureza se revolta contra essas coisas e clama, tal qual a sabedoria, "Sejam justos e não sofistas perseguidores."
No compêndio das Leis de Zoroastro, também chamado Zaratustra, pode-se ler esta sábia máxima: "Quando estás em dúvida se uma ação que te é proposta é justa ou injusta, abstém-te."
Quem, algum dia nos deu uma regra mais admirável? Que legislador falou melhor? Nenhum, evidentemente. E por que não agimos do mesmo modo? É tão simples. E existe alguém mais simples que o homem chamado Jesus?
Quem nos deu o sentimento do justo e do injusto? Os crentes afirmam que foi Deus, que nos deu um cérebro e, digamos assim, um coração. Mas, - e essas são as perguntas que mais afligem o pensador - quando a sua razão lhe ensina que há vício e virtude? O conhecimento inato não existe, pela mesma razão que não há árvore que produza folha e frutos ao sair da terra. Dizia Voltaire que, "o que se chama inato não é nada, isto é, não nasceu desenvolvido e que Deus nos faz nascer com órgãos que, à medida que crescem, nos fazem sentir tudo o que nossa espécie deve sentir para a conservação dessa mesma espécie."
A outra pergunta que se faz absolutamente necessária é: De que modo se opera esse estra-nho mistério? Quem de responder há? Os africanos, os americanos do norte, os asiáticos, Cícero, Platão, Epicteto, o homem simples e rude, a cortesã, a mulher índia, o bravo guerreiro, o covarde assumido, quem, quem, quem? Responda quem souber a tão intrigante questão. A verdade é que todos sentimos que é melhor ajudar os necessitados que cegá-los ou tomar o pouco que têm, principalmente quando se tem muito. Acreditamos todos que isso é justo. É essa a noção que temos do justo. Sabemos, também, que um benefício é mais honesto e honroso que um ultraje, que a brandura é preferível à exaltação. Disso sabemos como que instintivamente.
O mesmo Voltaire dizia que, "basta nos servirmos da razão para discernir os matizes do ho-nesto e do desonesto." O mal e o bem, muitas vezes são vizinhos; nossas paixões os confundem. Quem nos há de esclarecer? A resposta é simples: nós mesmos. Isso, evidentemente se nossa estrutura interna, mental, espiritual e emocional for do bem. Quem, em qualquer momento e em qualquer parte do mundo escreveu sobre nossos deveres, escreveu com sua razão, com bom senso. Sócrates, Epicuro, Confúcio, Lao-Tsé, Marco Antonino ou Amurat II tiveram a mesma moral. Na verdade, precisamos nos convencer, e a Igreja que me perdoe, a moral é uma coisa que vem de Deus; os dogmas, diferentemente, vêm de nós.
Apenas como exemplo, e esse não poderia ser melhor, "Jesus não ensinou nenhum dogma metafísico; não escreveu cadernos teológicos; não disse: "Sou consubstancial; tenho duas vontades e duas naturezas numa só pessoa." Séculos depois, coube aos franciscanos e aos dominicanos que chegariam 1.200 anos depois dele, a tarefa de argumentar para saber se sua mãe foi concebida sem o pecado original. Jesus nunca disse que o casamento é o sinal visível de uma coisa invisível; não instituiu monges nem inquisidores, nada ordenou do que vemos hoje", ensina François-Marie Arouet, também conhecido como Voltaire.
Deus nos deu noção e mais que isso, perfeita compreensão do que é justo e injusto. Deus não mudou e não pode mudar. De nada adianta usar distinções de qualquer natureza, mesmo as teoló-gicas, para perseguições fundamentadas em dogmas. A natureza se revolta contra essas coisas e clama, tal qual a sabedoria, "Sejam justos e não sofistas perseguidores."
No compêndio das Leis de Zoroastro, também chamado Zaratustra, pode-se ler esta sábia máxima: "Quando estás em dúvida se uma ação que te é proposta é justa ou injusta, abstém-te."
Quem, algum dia nos deu uma regra mais admirável? Que legislador falou melhor? Nenhum, evidentemente. E por que não agimos do mesmo modo? É tão simples. E existe alguém mais simples que o homem chamado Jesus?
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
OS TREZE APÓSTOLOS
É muito provável que um certo ar de espanto se estampe no rosto do eventual leitor deste texto. E esse espanto muito certamente virá por causa de seu título “OS TREZE APÓSTOLOS”. Ora, apóstolo lembra Jesus e sabe-se que Ele tinha 12 e não 13 apóstolos, então qual a razão do título? Só para manter o suspense entre aqueles que porventura não conhecem a razão de tal título, vamos deixar para explicar mais adiante, certo?
Como se sabe, André foi o primeiro escolhido. A história conta que antes de seguir a Jesus, André seguia a João Batista, que o apresentou a Jesus e que O reconheceu como o Messias, tornando-se o primeiro discípulo. Segundo um documento considerado apócrifo, André pregou em Epiro, Trácia, Galácia, Birnia, Cítia, Danúbui e Acaía, países situados, à época, no Oriente Médio ou Europa Oriental. Ainda segundo esse documento apócrifo, o apóstolo foi martirizado em Patras, sobre uma cruz disposta em X - a cruz de Santo André.
O segundo apóstolo a seguir o Messias foi Bartolomeu (ou Natanael), o Viajante. Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, ele é citado como Bartolomeu. João, entretanto, o cita como Natanael. Também martirizado, Bartolomeu morreu na Armênia, onde os sacerdotes locais mandaram que lhe fosse retirada a pele, e depois, decapitado. Ocorre que há uma outra lenda que conta que esse apóstolo foi martirizado na Índia, onde teria sido crucificado de cabeça para baixo.
Quanto a Felipe, o Místico, consta que Jesus o encontrou pela primeira vez em Betânia, no rio Jordão. Felipe pregou na França, evangelizou o sul da Rússia, e teria, ainda, convertido habitantes do Egito e Etiópia. É quase certo que tenha sido martirizado na Grécia, na cidade de Hierápolis, onde morou com suas quatro filhas, todas profetizas, tendo sido executado na cruz e de cabeça para baixo, aos 87 anos.
João, o mais amado dos discípulos de Jesus, é o que mais informações se tem entre todos. Por causa de seus temperamentos impulsivos, tanto ele quanto Tiago foram apelidados pelo Mestre de “filhos do trovão”. Entre todos, foi o único que permaneceu aos pés da cruz. Foi a ele que Jesus pediu que cuidasse de Sua mãe, Maria. Segundo a tradição, ele tomou conta de Maria enquanto evangelizava em Éfeso, onde ela morreu. É quase certo que tenha sido o único entre os apóstolos a morrer de morte natural.
Judas Iscariotes, o traidor, foi o único a nascer fora da Galiléia, numa aldeia da Judéia chamada Queriote. Por ser o mais instruído, tornou-se o tesoureiro dos apóstolos, administrando o dinheiro comum. Apesar da infâmia milenar que se abateu sobre seu nome, teria sido o próprio Jesus que o teria escolhido para traí-lo, segundo o recém descoberto Apócrifo de Judas.
Sabe-se que Judas Tadeu, primo de Jesus, era agricultor e filho de Alfeu ou Cleofas, que era irmão de São José, pai de Jesus. Era portanto, primo-irmão de Jesus por parte de seu pai. Na famosa passagem referente às Bodas de Canaã, Judas Tadeu seria o esposo. Segundo a tradição cristã, foi ele que evangelizou a Mesopotâmia, a Palestina Síria e a Arábia. Foi martirizado de forma cruel na Pérsia. Sacerdotes pagãos o mataram a golpes de machado por se recusar a prestar culto a uma deusa local.
Mateus era cobrador de impostos. Por causa de seu trabalho, é quase certo que soubesse ler. É o autor do Evangelho de Mateus e também deve ter sido um homem rico. Mateus presenciou milagres, escutou os ensinamentos de Jesus e mais tarde fez relatos do que viu em seu evangelho, escrito, originariamente em aramaico, língua primeira de Ieoshua (Jesus). Estudos feitos por historiadores de muita seriedade apontam na direção de que Mateus passou seus últimos anos pregando na Pártia e na Etiópia, onde foi martirizado na cidade de Nadabá, em 60 d.C.
Pedro, o que era Simão, também chamado de “Príncipe dos Apóstolos”, era um homem simples, rude e de pouca instrução. Pescador, morava em Cafarnaum, na Galiléia, cidade banhada pelo rio Genesaré, também conhecido pelo nome de Mar da Galiléia. Era sócio e irmão de André. Ao lado de Tiago, Pedro foi o líder mais influente da igreja primitiva. Sua prisão foi decorrência da ordem emanada pelo rei Agripa I e encaminhado a Roma, sob o reinado de Nero. Considerou-se honrado ao tomar conhecimento de sua sentença de morte. No entanto, não se considerando digno de morrer como o Mestre, pediu - e foi atendido - para ser crucificado de ponta cabeça, provavelmente em 64 ou 65 d. C. Algumas fontes sustentam que sua mulher foi atirada às feras no mesmo dia de sua morte.
Simão, o Zelote, provavelmente assim foi chamado por pertencer à seita judaica do mesmo nome. Considerados radicais, os zelotes eram nacionalistas extremados. Simão pregou no Oriente e na África, junto com Judas Tadeu e Felipe. Foi martirizado na Pérsia.
Depois da ascensão de Jesus, Tiago evangelizou a Espanha, a Espanha, sendo considerado o patrono daquele país. Seu sepulcro foi descoberto em Campus Stellae, nome que inspirou Compostela, na Espanha, um dos maiores centros de peregrinação cristã na Europa.
Tiago, filho do carpinteiro José, era irmão de Jesus. Depois do martírio do Mestre, foi mais influente que Pedro na Igreja primitiva, por causa de seu parentesco com Jesus. Segundo alguns historiadores, inclusive Josefo, o apóstolo teria sido pisoteado e apedrejado por se recusar a denunciar os cristãos. A ordem para essa selvageria partiu do Conselho do Templo, o sinédrio, em 62 d. C.
Tomé, também conhecido como Tomás e Judas Tomé, ou ainda Didimo Judas Tomé, ausente na primeira aparição de Jesus, após sua crucificação, duvidou dos demais apóstolos que afirmavam que Jesus tinha voltado. Na segunda visita de Jesus aos apóstolos, o Mestre convidou Tomé a colocar os dedos sobre suas feridas para comprovar que era ele mesmo. Tomé levou o cristianismo à Índia em 52 d. C. Foi martirizado e morto um ano depois pelo rei Milapura, na cidade indiana de Madras. Segundo consta, foi executado a flechadas enquanto rezava.
Finalmente, chegamos a Matias, o 13º apóstolo. Entre todos os discípulos de Jesus, era o menos conhecido. Na verdade, não foi ele designado por Jesus. Depois da morte de Judas Iscariotes, Matias foi sorteado por Pedro para ocupar o lugar daquele que traíra Jesus. Sua importância advém do fato de que foi ele que estabeleceu os fundamentos do cristianismo egípcio, ajudando a moldar aquilo que veio a ser o gnosticismo - vertente mística cristã. Morreu decapitado por ordem do sinédrio judaico na Pérsia.
Além de Matias, também são considerados apóstolos, Maria Madalena ou Maria de Magdala, a única mulher entre todos eles, além de Paulo, o que antes era Saulo, totalizando, portanto, não apenas 12 apóstolos como geralmente são conhecidos os primeiros seguidores de Jesus, mas sim, 15 como na realidade o são, muito embora seja provável que alguns cristãos não aceitem muito essa idéia de um número de seguidores maior que aqueles com que todos nos acostumamos, ou seja, apenas doze. Mas, fazer o que, se assim é?
É muito provável que um certo ar de espanto se estampe no rosto do eventual leitor deste texto. E esse espanto muito certamente virá por causa de seu título “OS TREZE APÓSTOLOS”. Ora, apóstolo lembra Jesus e sabe-se que Ele tinha 12 e não 13 apóstolos, então qual a razão do título? Só para manter o suspense entre aqueles que porventura não conhecem a razão de tal título, vamos deixar para explicar mais adiante, certo?
Como se sabe, André foi o primeiro escolhido. A história conta que antes de seguir a Jesus, André seguia a João Batista, que o apresentou a Jesus e que O reconheceu como o Messias, tornando-se o primeiro discípulo. Segundo um documento considerado apócrifo, André pregou em Epiro, Trácia, Galácia, Birnia, Cítia, Danúbui e Acaía, países situados, à época, no Oriente Médio ou Europa Oriental. Ainda segundo esse documento apócrifo, o apóstolo foi martirizado em Patras, sobre uma cruz disposta em X - a cruz de Santo André.
O segundo apóstolo a seguir o Messias foi Bartolomeu (ou Natanael), o Viajante. Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, ele é citado como Bartolomeu. João, entretanto, o cita como Natanael. Também martirizado, Bartolomeu morreu na Armênia, onde os sacerdotes locais mandaram que lhe fosse retirada a pele, e depois, decapitado. Ocorre que há uma outra lenda que conta que esse apóstolo foi martirizado na Índia, onde teria sido crucificado de cabeça para baixo.
Quanto a Felipe, o Místico, consta que Jesus o encontrou pela primeira vez em Betânia, no rio Jordão. Felipe pregou na França, evangelizou o sul da Rússia, e teria, ainda, convertido habitantes do Egito e Etiópia. É quase certo que tenha sido martirizado na Grécia, na cidade de Hierápolis, onde morou com suas quatro filhas, todas profetizas, tendo sido executado na cruz e de cabeça para baixo, aos 87 anos.
João, o mais amado dos discípulos de Jesus, é o que mais informações se tem entre todos. Por causa de seus temperamentos impulsivos, tanto ele quanto Tiago foram apelidados pelo Mestre de “filhos do trovão”. Entre todos, foi o único que permaneceu aos pés da cruz. Foi a ele que Jesus pediu que cuidasse de Sua mãe, Maria. Segundo a tradição, ele tomou conta de Maria enquanto evangelizava em Éfeso, onde ela morreu. É quase certo que tenha sido o único entre os apóstolos a morrer de morte natural.
Judas Iscariotes, o traidor, foi o único a nascer fora da Galiléia, numa aldeia da Judéia chamada Queriote. Por ser o mais instruído, tornou-se o tesoureiro dos apóstolos, administrando o dinheiro comum. Apesar da infâmia milenar que se abateu sobre seu nome, teria sido o próprio Jesus que o teria escolhido para traí-lo, segundo o recém descoberto Apócrifo de Judas.
Sabe-se que Judas Tadeu, primo de Jesus, era agricultor e filho de Alfeu ou Cleofas, que era irmão de São José, pai de Jesus. Era portanto, primo-irmão de Jesus por parte de seu pai. Na famosa passagem referente às Bodas de Canaã, Judas Tadeu seria o esposo. Segundo a tradição cristã, foi ele que evangelizou a Mesopotâmia, a Palestina Síria e a Arábia. Foi martirizado de forma cruel na Pérsia. Sacerdotes pagãos o mataram a golpes de machado por se recusar a prestar culto a uma deusa local.
Mateus era cobrador de impostos. Por causa de seu trabalho, é quase certo que soubesse ler. É o autor do Evangelho de Mateus e também deve ter sido um homem rico. Mateus presenciou milagres, escutou os ensinamentos de Jesus e mais tarde fez relatos do que viu em seu evangelho, escrito, originariamente em aramaico, língua primeira de Ieoshua (Jesus). Estudos feitos por historiadores de muita seriedade apontam na direção de que Mateus passou seus últimos anos pregando na Pártia e na Etiópia, onde foi martirizado na cidade de Nadabá, em 60 d.C.
Pedro, o que era Simão, também chamado de “Príncipe dos Apóstolos”, era um homem simples, rude e de pouca instrução. Pescador, morava em Cafarnaum, na Galiléia, cidade banhada pelo rio Genesaré, também conhecido pelo nome de Mar da Galiléia. Era sócio e irmão de André. Ao lado de Tiago, Pedro foi o líder mais influente da igreja primitiva. Sua prisão foi decorrência da ordem emanada pelo rei Agripa I e encaminhado a Roma, sob o reinado de Nero. Considerou-se honrado ao tomar conhecimento de sua sentença de morte. No entanto, não se considerando digno de morrer como o Mestre, pediu - e foi atendido - para ser crucificado de ponta cabeça, provavelmente em 64 ou 65 d. C. Algumas fontes sustentam que sua mulher foi atirada às feras no mesmo dia de sua morte.
Simão, o Zelote, provavelmente assim foi chamado por pertencer à seita judaica do mesmo nome. Considerados radicais, os zelotes eram nacionalistas extremados. Simão pregou no Oriente e na África, junto com Judas Tadeu e Felipe. Foi martirizado na Pérsia.
Depois da ascensão de Jesus, Tiago evangelizou a Espanha, a Espanha, sendo considerado o patrono daquele país. Seu sepulcro foi descoberto em Campus Stellae, nome que inspirou Compostela, na Espanha, um dos maiores centros de peregrinação cristã na Europa.
Tiago, filho do carpinteiro José, era irmão de Jesus. Depois do martírio do Mestre, foi mais influente que Pedro na Igreja primitiva, por causa de seu parentesco com Jesus. Segundo alguns historiadores, inclusive Josefo, o apóstolo teria sido pisoteado e apedrejado por se recusar a denunciar os cristãos. A ordem para essa selvageria partiu do Conselho do Templo, o sinédrio, em 62 d. C.
Tomé, também conhecido como Tomás e Judas Tomé, ou ainda Didimo Judas Tomé, ausente na primeira aparição de Jesus, após sua crucificação, duvidou dos demais apóstolos que afirmavam que Jesus tinha voltado. Na segunda visita de Jesus aos apóstolos, o Mestre convidou Tomé a colocar os dedos sobre suas feridas para comprovar que era ele mesmo. Tomé levou o cristianismo à Índia em 52 d. C. Foi martirizado e morto um ano depois pelo rei Milapura, na cidade indiana de Madras. Segundo consta, foi executado a flechadas enquanto rezava.
Finalmente, chegamos a Matias, o 13º apóstolo. Entre todos os discípulos de Jesus, era o menos conhecido. Na verdade, não foi ele designado por Jesus. Depois da morte de Judas Iscariotes, Matias foi sorteado por Pedro para ocupar o lugar daquele que traíra Jesus. Sua importância advém do fato de que foi ele que estabeleceu os fundamentos do cristianismo egípcio, ajudando a moldar aquilo que veio a ser o gnosticismo - vertente mística cristã. Morreu decapitado por ordem do sinédrio judaico na Pérsia.
Além de Matias, também são considerados apóstolos, Maria Madalena ou Maria de Magdala, a única mulher entre todos eles, além de Paulo, o que antes era Saulo, totalizando, portanto, não apenas 12 apóstolos como geralmente são conhecidos os primeiros seguidores de Jesus, mas sim, 15 como na realidade o são, muito embora seja provável que alguns cristãos não aceitem muito essa idéia de um número de seguidores maior que aqueles com que todos nos acostumamos, ou seja, apenas doze. Mas, fazer o que, se assim é?
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