PARA QUE TUDO ACONTECESSE
Para que tudo acontecesse, foi preciso que eu te encontrasse, foi preciso que tu existisses. Para que existisses, foi preciso que teus ancestrais tivessem vindo de há muito do coração da Mãe-África para outras terras, outros povos, outros costumes, outras línguas, e misturassem seu sangue ao sangue desses povos estranhos, de pele diferente dos da tua raça.
Mas, muito antes, foi preciso que os primeiros hominídeos descessem das árvores e produzissem um novo animal. Esse animal, muito tempo depois, receberia o nome de homem. Fico imaginando, a solidão do primeiro ser que teve a consciência do próprio existir, e sentiu-se tão pequeno, tão diminuto, tão ínfimo, diante da imensidão do Universo. Aterrorizado, quem sabe, imaginou um ser Todo-Poderoso que lhe ouvisse as angústias.
Eu, tal qual aquele primeiro homem, sofro da solidão mais absoluta dos que sabem que não existem palavras que possam exprimir quanto dói estar sozinho, quando não se tem deuses para adorar.
Mas, para que tudo acontecesse, foi preciso que, antes dos primeiros homens e dos primeiros deuses, que o espírito de Deus deslizasse por sobre a superfície das águas. Mas, antes que as primeiras águas existissem, foi preciso que toda a matéria existente antes de tudo, se unisse num só bloco e explodisse, há 15 bilhões de anos-luz.
Dessa explosão cósmica, mais poderosa do que tudo o que poderia ocorrer depois, pois nada ocorreu antes, foi que nasceu o meu amor por ti. Há 15 bilhões de anos, quando nada existia, exceto a massa informe de tudo o que há, eu já dançava contigo nas estrelas que ainda estavam por ser criadas, o Bolero de Ravel. E ainda que não creias, depois de todo esse tempo, continuas linda, como se o tempo não existisse. Foi assim que tudo aconteceu, ainda que ninguém creia, o que é irrelevante.
Certas coisas não ocorrem para que se creia. Ocorrem apenas, porque assim está escrito nas estrelas.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
UMA GAVETA VELHA
Sem muito o que fazer, decidi abrir uma gaveta velha. Não devia. Gavetas velhas não deveriam ser abertas jamais. São depósitos dos nossos sentimentos mais recônditos. Alguns tão velhos que a gente nem lembra mais.
Dentro da gaveta velha, encontrei uma porta que não deveria ser transposta jamais. É uma porta que conduz ao passado, a um tempo em que a gente não sabia que o futuro existia. E hoje, quando o futuro é presente, o passado fica tão doído, tão triste como só conseguem ser as teias de aranha tecidas pela poeira do tempo. Um tempo que sabemos, não voltará jamais. Não podem ser mexidas. Correm o risco de se desmanchar, se autodestruir.
E na gaveta do tempo voltei a te encontrar e chorei. Chorei como só os velhos que ficaram velhos demais conseguem chorar. Com saudade de um tempo tão pleno, tão denso, tão rico, tão promissor, e que hoje vemos, era apenas uma promessa que não se cumpriu, uma semente que não brotou, uma imagem que não se fixou. Ficou envolta nas brumas de Avalon, quem sabe? Que sei eu das lendas do rei Arthur?
Mas sei das tuas lendas e das minhas lendas, que pensávamos fossem histórias. Eras tão bonita, que não sei como me esqueci disso. Talvez porque o tempo nos torna feios. Por dentro e por fora. As agressões desnecessárias deixam feridas que o tempo não cura. São feridas que doem demais, doem tanto, que os muito novos não têm como acreditar que tanta dor seja possível. Só saberão do que se trata, quando for tarde demais, e estiverem eles também, velhos demais.
Quando isso ocorrer, não poderei chorar com eles, porque serei pó, varrido pela planície da eternidade. Se tiver sorte, uma tempestade solar pode conduzir-me para as estrelas. Serei então o pó que rodeia as estrelas, onde tudo está escrito. Até mesmo que um novo amor é possível.
Mas isso não impedirá que eu sinta uma terrível, uma enorme saudade de mim, uma imensa saudade de ti...
Sem muito o que fazer, decidi abrir uma gaveta velha. Não devia. Gavetas velhas não deveriam ser abertas jamais. São depósitos dos nossos sentimentos mais recônditos. Alguns tão velhos que a gente nem lembra mais.
Dentro da gaveta velha, encontrei uma porta que não deveria ser transposta jamais. É uma porta que conduz ao passado, a um tempo em que a gente não sabia que o futuro existia. E hoje, quando o futuro é presente, o passado fica tão doído, tão triste como só conseguem ser as teias de aranha tecidas pela poeira do tempo. Um tempo que sabemos, não voltará jamais. Não podem ser mexidas. Correm o risco de se desmanchar, se autodestruir.
E na gaveta do tempo voltei a te encontrar e chorei. Chorei como só os velhos que ficaram velhos demais conseguem chorar. Com saudade de um tempo tão pleno, tão denso, tão rico, tão promissor, e que hoje vemos, era apenas uma promessa que não se cumpriu, uma semente que não brotou, uma imagem que não se fixou. Ficou envolta nas brumas de Avalon, quem sabe? Que sei eu das lendas do rei Arthur?
Mas sei das tuas lendas e das minhas lendas, que pensávamos fossem histórias. Eras tão bonita, que não sei como me esqueci disso. Talvez porque o tempo nos torna feios. Por dentro e por fora. As agressões desnecessárias deixam feridas que o tempo não cura. São feridas que doem demais, doem tanto, que os muito novos não têm como acreditar que tanta dor seja possível. Só saberão do que se trata, quando for tarde demais, e estiverem eles também, velhos demais.
Quando isso ocorrer, não poderei chorar com eles, porque serei pó, varrido pela planície da eternidade. Se tiver sorte, uma tempestade solar pode conduzir-me para as estrelas. Serei então o pó que rodeia as estrelas, onde tudo está escrito. Até mesmo que um novo amor é possível.
Mas isso não impedirá que eu sinta uma terrível, uma enorme saudade de mim, uma imensa saudade de ti...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O GOSTOSO
Chamava-se Gostoso. Mais precisamente, João Gostoso. E pelas histórias que contam dele, tudo indica que, realmente, era um homem gostoso. Nasceu bonito, pele amorenada, cabelos levemente encaracolados, lábios carnudos, discretamente sensuais e aquele olhar de peixe morto, a la Clark Gable. Forte, alto, cerca de 85 quilos distribuídos em exatos 1,90 m, era o prazer do olhar das mulheres, fossem elas feias ou belas, casadas, solteiras, amigadas, amasiadas ou amancebadas, como si dizia antigamente, jovens, maduras ou avelhantadas. Todas, sem exceção, suspiravam languidamente quando ele, o Gostoso, passava por elas, com seu andar firme e rosto sério, quase severo.
João Gostoso não era o falso gostoso, aquele que se acha, no mínimo o máximo. Aquele que diz que “comeu” todas, quando na verdade “comeu” bem poucas ou nenhuma. Ele, o Gostoso não era assim, não. Como era homem honesto, mas não santo, levou – ou foi levado – pra cama por todas quantas quis ou pode. Mas, jamais propalou qualquer nome das muitas mulheres que lhe atravessaram a vida. E não foram poucas. Dezenas, centenas delas, mas nenhuma, a mulher-sonho que idealizou. Profissional competente, fez sucesso na carreira que escolheu. Em suma, era o tipo de homem que toda mãe sonhou para a própria filha.
Mas, e tudo tem um mas, João Gostoso era amazônida, e por isso, por causa de suas raízes caboclas, mesmo podendo viajar nos melhores aviões existentes – e de primeira classe – preferia viajar de barco, navio, canoa, batelão, piroga, qualquer tipo de embarcação. Se flutuasse e lhe proporcionasse um mínimo de conforto, era com ele mesmo. Tinha até mesmo uma lancha. Lancha, vírgula, aquilo era um belíssimo iate, quase uma pequeno transatlântico.
Um dia, decidiu viajar para uma cidade vizinha. Coisa pouca, em termos amazônicos. Não mais de 24 horas. E isso em comum barco a motor. Daqueles dos quais existem aos milhares na região dos mais belos rios e florestas do mundo. E de repente lhe deu saudades dos tempos de rapaz, quando singrava aqueles mares de água doce em pequena canoa a vela. E foi por isso que, ao decidir matar aquela saudade que lhe oprimia o peito e que o chamava de volta ao passado, que decidiu fazer aquela viagem em barco a motor.
Quem conhece, sabe que a baía do Marajó - aquela que banha a maior ilha fluvial do mundo, e que tem o mesmo nome, Marajó – não é lugar para brincadeira. Ninguém sabe, ao certo, quantas centenas de embarcações tiveram lá seu fim. Mas, o piloto daquele barco, não era homem de temer alguma coisa. Menos ainda, aquela baía assassina, que já navegara milhares de vezes. Mas, como todos sabemos, tudo na vida tem uma primeira vez. E daquela vez não foi diferente. Irritada porque Netuno dera-lhe ordem de se manter plácida, quando seu desejo era receber ventos fortes, encrespar-se e mostrar aos homens o quanto era poderosa, foi que se deu a tragédia. Desobedecendo as ordens recebidas, enfunou velas que por ali passavam, e fez pequenos barcos escalar montanhas d’água furiosas que bramiam como que açoitadas por Cérbero, o cão do Hades. A diferença, é que depois de fechadas as escotilhas, baixada a vela mestre e às vezes, até mesmo a bujarrona, é difícil uma canoa daquelas afundar. Só mesmo a sorte ou o destino podem fazê-lo. Mas, um barco a motor, este, naquele mar-oceano não tem a menor chance. E foi o que aconteceu. Se pelo menos o piloto tivesse conseguido vislumbrar a boca de entrada de um pequeno rio, de um igarapé, de um furo, de um paraná, ou até mesmo de um paraná-mirim onde pudesse aportar, tudo poderia ter sido evitado. Mas não foi o que aconteceu. Aquela frágil embarcação já estava com seu destino selado desde que recolhera âncoras e se pusera ao largo. Se pelo menos o piloto tivesse conseguido virar o timão, um pouco que fosse, para se posicionar adequadamente e pegar maré de popa, ainda haveria possibilidade de salvação. Mas não foi o que aconteceu. Ao tentar a manobra, uma onda de vante pegou o barco de lado e não deu outra. O barco virou e rapidamente afundou. A tripulação, acostumada àqueles acontecimentos, agarrou rapidamente as bóias de miriti e conseguiu se salvar. Até mesmo o piloto, em sua minúscula cabine de comando, conseguiu se evitar a morte. Só João Gostoso, o amante de barcos e das águas amazônicas não o conseguiu. O barco tornou-se seu túmulo, seu mausoléu de madeira.
Nesse dia houve banquete no fundo do rio. Afinal de contas, não é todo dia que peixes, camarões, caranguejos e todos os animais do fundo dos rios, baías e igarapés, têm a oportunidade de devorar um homem tão saboroso.
Chamava-se Gostoso. Mais precisamente, João Gostoso. E pelas histórias que contam dele, tudo indica que, realmente, era um homem gostoso. Nasceu bonito, pele amorenada, cabelos levemente encaracolados, lábios carnudos, discretamente sensuais e aquele olhar de peixe morto, a la Clark Gable. Forte, alto, cerca de 85 quilos distribuídos em exatos 1,90 m, era o prazer do olhar das mulheres, fossem elas feias ou belas, casadas, solteiras, amigadas, amasiadas ou amancebadas, como si dizia antigamente, jovens, maduras ou avelhantadas. Todas, sem exceção, suspiravam languidamente quando ele, o Gostoso, passava por elas, com seu andar firme e rosto sério, quase severo.
João Gostoso não era o falso gostoso, aquele que se acha, no mínimo o máximo. Aquele que diz que “comeu” todas, quando na verdade “comeu” bem poucas ou nenhuma. Ele, o Gostoso não era assim, não. Como era homem honesto, mas não santo, levou – ou foi levado – pra cama por todas quantas quis ou pode. Mas, jamais propalou qualquer nome das muitas mulheres que lhe atravessaram a vida. E não foram poucas. Dezenas, centenas delas, mas nenhuma, a mulher-sonho que idealizou. Profissional competente, fez sucesso na carreira que escolheu. Em suma, era o tipo de homem que toda mãe sonhou para a própria filha.
Mas, e tudo tem um mas, João Gostoso era amazônida, e por isso, por causa de suas raízes caboclas, mesmo podendo viajar nos melhores aviões existentes – e de primeira classe – preferia viajar de barco, navio, canoa, batelão, piroga, qualquer tipo de embarcação. Se flutuasse e lhe proporcionasse um mínimo de conforto, era com ele mesmo. Tinha até mesmo uma lancha. Lancha, vírgula, aquilo era um belíssimo iate, quase uma pequeno transatlântico.
Um dia, decidiu viajar para uma cidade vizinha. Coisa pouca, em termos amazônicos. Não mais de 24 horas. E isso em comum barco a motor. Daqueles dos quais existem aos milhares na região dos mais belos rios e florestas do mundo. E de repente lhe deu saudades dos tempos de rapaz, quando singrava aqueles mares de água doce em pequena canoa a vela. E foi por isso que, ao decidir matar aquela saudade que lhe oprimia o peito e que o chamava de volta ao passado, que decidiu fazer aquela viagem em barco a motor.
Quem conhece, sabe que a baía do Marajó - aquela que banha a maior ilha fluvial do mundo, e que tem o mesmo nome, Marajó – não é lugar para brincadeira. Ninguém sabe, ao certo, quantas centenas de embarcações tiveram lá seu fim. Mas, o piloto daquele barco, não era homem de temer alguma coisa. Menos ainda, aquela baía assassina, que já navegara milhares de vezes. Mas, como todos sabemos, tudo na vida tem uma primeira vez. E daquela vez não foi diferente. Irritada porque Netuno dera-lhe ordem de se manter plácida, quando seu desejo era receber ventos fortes, encrespar-se e mostrar aos homens o quanto era poderosa, foi que se deu a tragédia. Desobedecendo as ordens recebidas, enfunou velas que por ali passavam, e fez pequenos barcos escalar montanhas d’água furiosas que bramiam como que açoitadas por Cérbero, o cão do Hades. A diferença, é que depois de fechadas as escotilhas, baixada a vela mestre e às vezes, até mesmo a bujarrona, é difícil uma canoa daquelas afundar. Só mesmo a sorte ou o destino podem fazê-lo. Mas, um barco a motor, este, naquele mar-oceano não tem a menor chance. E foi o que aconteceu. Se pelo menos o piloto tivesse conseguido vislumbrar a boca de entrada de um pequeno rio, de um igarapé, de um furo, de um paraná, ou até mesmo de um paraná-mirim onde pudesse aportar, tudo poderia ter sido evitado. Mas não foi o que aconteceu. Aquela frágil embarcação já estava com seu destino selado desde que recolhera âncoras e se pusera ao largo. Se pelo menos o piloto tivesse conseguido virar o timão, um pouco que fosse, para se posicionar adequadamente e pegar maré de popa, ainda haveria possibilidade de salvação. Mas não foi o que aconteceu. Ao tentar a manobra, uma onda de vante pegou o barco de lado e não deu outra. O barco virou e rapidamente afundou. A tripulação, acostumada àqueles acontecimentos, agarrou rapidamente as bóias de miriti e conseguiu se salvar. Até mesmo o piloto, em sua minúscula cabine de comando, conseguiu se evitar a morte. Só João Gostoso, o amante de barcos e das águas amazônicas não o conseguiu. O barco tornou-se seu túmulo, seu mausoléu de madeira.
Nesse dia houve banquete no fundo do rio. Afinal de contas, não é todo dia que peixes, camarões, caranguejos e todos os animais do fundo dos rios, baías e igarapés, têm a oportunidade de devorar um homem tão saboroso.
NÓS E O POVO HEBREU
Sei que é muita pretensão minha querer – e o que é pior – tentar escrever sobre a saga do povo que o próprio Deus chamou de seu e com o qual, nós, ocidentais no geral e brasileiros no particular, além dos médio-orientais, temos tudo a ver. No entanto, como ousadia é palavra que não está ausente do meu dicionário, vou pelo menos tentar falar sobre um povo, uma nação e uma religião que estão enraizados no mais profundo do nosso ser, senão, vejamos: Nossos nomes próprios são, em grande parte, nomes hebraicos. Exemplos: Gabriel, Rafael, Miguel, José, Maria (Miriã), Simão, Madalena (Maria Madalena ou Maria de Magdala, Magadã ou Magedan (cidade próxima da margem ocidental do Lago de Tiberíades. Atualmente a cidade de Migdal fica nas proximidades da antiga Magdala); Jair (natural de Gileade; Benjamin (filho caçula de Raquel e Jacó. Sua mãe, Raquel, chamou-o de Benoni (que significa “filho da minha dor”). Jacó, por sua vez o chamou de Benjamin (filho de minha mão direita. O nome também designa uma das 12 tribos de Israel. A propósito, o nome Israel, tão comum entre nós, significa “O que lutou com Deus” ou “Forte como Deus”. Anteriormente seu nome era Jacó (Jacob), aquele que trabalhou para Labão durante longos 14 anos por causa da bela Raquel, foi patriarca, filho de Isaque (Isaac) e Rebecca, neto de Abraão (Pai de multidões), o que antes foi Abrão (Pai do alto).
Fiquemos por aqui, apenas para citar alguns nomes. Nossas religiões têm tudo a ver com o povo hebreu. O nome foi aportuguesado do hebraico Ivrim ou Ibrim, para denominar os descendentes de Sem, filho de Noé. Muitos, porém, acreditam que hebreu, seria uma denominação advinda da expressão ever ha-nahar que significa “aquele que vem do outro lado do rio”, uma referência ao Rio Eufrates.
Foram eles, os hebreus, que primeiro tiveram a noção de um Deus único, ao contrário de todos os outros povos conhecidos à época, que tinham diversos deuses, incluindo gregos e romanos. Jesus (Yeshua, em aramaico), um judeu e também arameu, é o nosso referencial sobre tudo o que existe de bom em todo o Universo conhecido. O mesmo Deus de Abraão é o nosso Deus, que também atende pelos nomes de Javeh, Jeovah, Elohim, Adonai ou ainda pelo tetragrama YHWH (ou seja, o Impronunciável) e o príncipe maior da Igreja Católica é Petrus (Pedro, em grego, aquele que antes era Simão, o pescador). Aliás, é bom lembrar que, assim como as igrejas protestantes, as ortodoxas e outras variações do catolicismo, a maronita, são filhas diretas da Igreja Católica, esta também, é filha direta do judaísmo. Se bem observarmos, veremos que nossa cultura, além da influência helênica, claro, tem muito – ou quase tudo a ver com o grande povo judeu. Aliás, segundo Gräetz, os povos criadores da civilização humana foram exatamente gregos e hebreus. Os helenos foram protagonistas únicos na história dos povos conquistados. Depois de sucumbirem sob as falanges macedônicas e as legiões romanas, impuseram aos vencedores sua enorme cultura que ainda hoje é fonte de conhecimento entre nós. Quanto ao povo hebreu, ao contrário dos gregos, permaneceu vivo em meio a impérios. Só para que se tenha uma pálida ideia de sua determinação em sobreviver num mundo hostil desde sempre, somente Jerusalém (que já teve nomes como (Jebus (dos jebuseus), Salém, Urusalim, Siom, Cidade de Davi, Aelia Capitolina, El Kuds (Santa), Beit el-Makdes (Casa da Santidade), Bet há-Mikdash (Templo), tem conseguido ressurgir das cinzas como se fora uma Phoenix hebréia ao longo dos últimos quatro mil anos a 121 conflitos por seu controle. Ela foi destruída duas vezes, 23 vezes sitiada, 52 vezes atacada e 44 vezes capturada por tribos e exércitos de impérios.
E ainda hoje, rodeado por milhões de inimigos árabes (eles também semitas e ditos descendentes de Ismael), Israel continua a guerrear por uma simples razão: o direito de existir. Ainda que banhada em sangue, milhões de litros de sangue ao longo de sua história, Jerusalém continua sendo a cidade sagrada de três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Além disso, ao que tudo indica, o passado, o presente e o futuro da humanidade passam por ali. E por toda Israel, evidentemente. Não à toa que judeus de todo o mundo continuam a dizer todo santo ano na época da Páscoa (Pessach, em hebraico, passagem, em português): “Ano que vem, em Jerusalém). Israel, é portanto, por tudo o que já nos ofereceu, por tudo o que nos oferece e por tudo o que ainda há de nos oferecer, a ponte entre as trevas e a luz.
Sei que é muita pretensão minha querer – e o que é pior – tentar escrever sobre a saga do povo que o próprio Deus chamou de seu e com o qual, nós, ocidentais no geral e brasileiros no particular, além dos médio-orientais, temos tudo a ver. No entanto, como ousadia é palavra que não está ausente do meu dicionário, vou pelo menos tentar falar sobre um povo, uma nação e uma religião que estão enraizados no mais profundo do nosso ser, senão, vejamos: Nossos nomes próprios são, em grande parte, nomes hebraicos. Exemplos: Gabriel, Rafael, Miguel, José, Maria (Miriã), Simão, Madalena (Maria Madalena ou Maria de Magdala, Magadã ou Magedan (cidade próxima da margem ocidental do Lago de Tiberíades. Atualmente a cidade de Migdal fica nas proximidades da antiga Magdala); Jair (natural de Gileade; Benjamin (filho caçula de Raquel e Jacó. Sua mãe, Raquel, chamou-o de Benoni (que significa “filho da minha dor”). Jacó, por sua vez o chamou de Benjamin (filho de minha mão direita. O nome também designa uma das 12 tribos de Israel. A propósito, o nome Israel, tão comum entre nós, significa “O que lutou com Deus” ou “Forte como Deus”. Anteriormente seu nome era Jacó (Jacob), aquele que trabalhou para Labão durante longos 14 anos por causa da bela Raquel, foi patriarca, filho de Isaque (Isaac) e Rebecca, neto de Abraão (Pai de multidões), o que antes foi Abrão (Pai do alto).
Fiquemos por aqui, apenas para citar alguns nomes. Nossas religiões têm tudo a ver com o povo hebreu. O nome foi aportuguesado do hebraico Ivrim ou Ibrim, para denominar os descendentes de Sem, filho de Noé. Muitos, porém, acreditam que hebreu, seria uma denominação advinda da expressão ever ha-nahar que significa “aquele que vem do outro lado do rio”, uma referência ao Rio Eufrates.
Foram eles, os hebreus, que primeiro tiveram a noção de um Deus único, ao contrário de todos os outros povos conhecidos à época, que tinham diversos deuses, incluindo gregos e romanos. Jesus (Yeshua, em aramaico), um judeu e também arameu, é o nosso referencial sobre tudo o que existe de bom em todo o Universo conhecido. O mesmo Deus de Abraão é o nosso Deus, que também atende pelos nomes de Javeh, Jeovah, Elohim, Adonai ou ainda pelo tetragrama YHWH (ou seja, o Impronunciável) e o príncipe maior da Igreja Católica é Petrus (Pedro, em grego, aquele que antes era Simão, o pescador). Aliás, é bom lembrar que, assim como as igrejas protestantes, as ortodoxas e outras variações do catolicismo, a maronita, são filhas diretas da Igreja Católica, esta também, é filha direta do judaísmo. Se bem observarmos, veremos que nossa cultura, além da influência helênica, claro, tem muito – ou quase tudo a ver com o grande povo judeu. Aliás, segundo Gräetz, os povos criadores da civilização humana foram exatamente gregos e hebreus. Os helenos foram protagonistas únicos na história dos povos conquistados. Depois de sucumbirem sob as falanges macedônicas e as legiões romanas, impuseram aos vencedores sua enorme cultura que ainda hoje é fonte de conhecimento entre nós. Quanto ao povo hebreu, ao contrário dos gregos, permaneceu vivo em meio a impérios. Só para que se tenha uma pálida ideia de sua determinação em sobreviver num mundo hostil desde sempre, somente Jerusalém (que já teve nomes como (Jebus (dos jebuseus), Salém, Urusalim, Siom, Cidade de Davi, Aelia Capitolina, El Kuds (Santa), Beit el-Makdes (Casa da Santidade), Bet há-Mikdash (Templo), tem conseguido ressurgir das cinzas como se fora uma Phoenix hebréia ao longo dos últimos quatro mil anos a 121 conflitos por seu controle. Ela foi destruída duas vezes, 23 vezes sitiada, 52 vezes atacada e 44 vezes capturada por tribos e exércitos de impérios.
E ainda hoje, rodeado por milhões de inimigos árabes (eles também semitas e ditos descendentes de Ismael), Israel continua a guerrear por uma simples razão: o direito de existir. Ainda que banhada em sangue, milhões de litros de sangue ao longo de sua história, Jerusalém continua sendo a cidade sagrada de três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Além disso, ao que tudo indica, o passado, o presente e o futuro da humanidade passam por ali. E por toda Israel, evidentemente. Não à toa que judeus de todo o mundo continuam a dizer todo santo ano na época da Páscoa (Pessach, em hebraico, passagem, em português): “Ano que vem, em Jerusalém). Israel, é portanto, por tudo o que já nos ofereceu, por tudo o que nos oferece e por tudo o que ainda há de nos oferecer, a ponte entre as trevas e a luz.
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