Era um homem de muitas convicções, mas na verdade não tinha nenhuma, pela simples razão de que quem tem muitas convicções, termina por não ter nenhuma.
Nascido em família católica apostólica romana, tinha, naturalmente, cultura católica, muito embora de há muito não mais praticasse os ritos recomendados pela Santa Madre Igreja Universal. Isso, porém, não o impedia de se sentir católico e tinha a convicção de que jamais migraria para outra religião. Tanto que aquele Deus poderoso e cruel de que nos fala o Antigo Testamento o atraía fortemente. É destino dos homens, sentirem-se atraídos para a órbita dos poderosos. Por outro lado, o homem mais doce que o mais puro mel de abelha sequer podia comparar-se-lhe, a quem chamavam Jesus (Ieshua, na sua língua natal, o aramaico), também o atraía muito fortemente. Afinal de contas, raros são os que fazem a opção preferencial pelos órfãos, pelos fracos, pelos desvalidos, pelos doentes, pelos deserdados da sorte de toda ordem. E fora exatamente o que fizera aquele homem divino que nos ensinou tudo, e do qual não aprendemos nada.
E assim foi por longos anos, até que a dor máxima que a vida quando quer, sabe inflingir aos pobres humanos que vagueiam suas tristes vidas pelo mundo dos homens o atingiu – a morte da mulher amada, a sua outra metade, a sua razão de viver, o seu elo perdido. E chorou lágrimas de sangue. Desiludido de tudo e de todos, não perdou nada e nem ninguém. Numa espécie de loucura, não perdoou sequer o Todo Poderoso. Foi por isso que se tornou ateu. Não um ateu à toa, não um ateu de araque, não um ateu daqueles que dizem quando conseguem o que desejam muito: “Graças a Deus. Não, ele não. Tornou-se ateu total, ateu convicto. Afinal de contas era um homem de muitas convicções.
Mas, como também é próprio desses estranhos animais que são os homens feitos à base” de carbono, continuou procurando respostas para as grandes interrogações que os caminhos da vida se lhes apresentava, e não as encontrando procurou refúgio no agnosticismo¹. E então tornou-se convictamente agnóstico, naturalmente.
E como a roda do tempo não cessa nunca o seu girar, descobriu que não era extamente o que pensava ser: agnóstico, E foi por isso que procurou, mais uma vez, um novo caminho. E decidiu que seria espírita. Afinal de contas, partindo-se do pressuposto de que os espíritos existam, realmente, Alan Kardec, ou Denizard Leon Rivail Hippolité, seu nome de batismo, responderia a todas as dúvidas que o atormentavam. E mergulhou de cabeça no espiritismo, tornando-se espírita convicto, evidentemente.
E isso durou até o dia em que um diabinho qualquer - para quem acredita em diabinhos – soprou-lhe a maldita dúvida sobrea existência dos espíritos. E seu mundo espiritual ruiu mais uma vez.
E assim os anos passaram. Um dia, olhando-se ao espelho, não se reconheceu. Não mais estava à sua frente, o jovem viril, belo e musculoso que fora um dia. Estava velho, totalmente velho. E ao tomar consciência da sua senectude, pensou em recomeçar sua procura do verdadeiro Deus, antes que fosse tarde demais. Foi quando, por acaso – e a vida é tão cheia de acasos que até parece que não o são – que percebeu, ao ler pela milésima vez a Vulgata, de Jerônimo, que pouco ou nada sabia dos nomes hebreus tão citados em qualquer Bíblia, desde a Septuaginta até a Êxapla, passando pela Ciríaca, a Latina Antiga, a do rei James (de James I, da Inglaterra) e outras, inclusive, naturalmente, a Vulgata (de versio vulgata). E então entendeu que precisava aprender a língua dos judeus ou hebreus. E estudando hebraico, descobriu que Jesus era Ieshua, na sua língua natal, o aramaico; Maria, sua mãe, Miriã; Moisés era (Moshe, Mochê), Rafael, Deus cura e Israel (forte como Deus), nome posterior de Jacob. E foi também que tomou conhecimento que o nome do Deus de Abraão (pai de multidões) era Elohim, mas que também atendia pelos nomes de Javeh, Jeovah, Adonai e muitos outros. Também aprendeu que o verdadeiro nome de Deus era tão sagrado que não podia ser pronunciado. Daí a a representação do nome do que tudo vê ser YHWH, o Impronunciável.
Após essas descobertas, como que enloqueceu e se dedicou apenas ao estudo dessa língua fascinante. E mergulhado em profundas e bíblicas elocubrações mentais sentiu, surgida do mais profundo do seu ser uma enorme dor. Percebeu num átimo, que chegara o momento de dizer adeus à vida neste planeta de tantas amarguras e, surpreendemente, não teve medo. Antes, um enorme alívio. E por que se tornara um judeu convicto gritou: “Adonai, recebe em teus braços o meu espírito”, e tombou. Ao chegar ao chão a vida já o abandonara para sempre. Mas Adonai, o Misericordioso, ao ouvir aquele pedido, percebeu que aquele homem tão atormentado merecia seu perdão. E esboçando um leve sorriso de satisfação, abriu os braços para receber aquele homem tão necessitado de paz. E o espírito do homem convicto adormeceu ao lado do Senhor, absolutamente convicto que nunca mais derramaria uma lágrima sequer, per omnia secula seculorum, pois estava escrito nas estrelas que aquele que nascer de novo, jamais morrerá. Shalom!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
ONDE ESTÁ A VERDADE?
“Quid est veritas?” (Onde está a verdade?). Esta pergunta foi formulada há 2000 anos por Pilatos a Cristo. A resposta mais convincente foi dada por Aristóteles, desde que Pilatos, ao formulá-la, parece ter-se desinteressado do assunto. Até hoje, o governador da Judéia só é lembrado por ter, simbolicamente, lavado as mãos, no que se tornaria o segundo maior acontecimento da humanidade no seu lado ocidental: a morte desse mesmo Cristo.
Aristóteles definiu a verdade como sendo “uma adequação ou coerência entre o que se diz e a coisa ou entre o que se diz e o ocorrido”. A verdade ou falsidade se prende apenas à verificabilidade, que não exige experimentação direta. Basta que se indique uma maneira fisicamente possível de testar.
Esse é o grande dilema com que a classe política depara. O eleitor, ao acreditar que há coerência no discurso político, é induzido a dispensar a verificabilidade, que nessa área, só é possível após a experimentação direta. Traduzindo: só é possível avaliar a veracidade ou a falsidade do enunciado político quando já é tarde demais.
É por isso, que o discurso político não pode e não deve ser analisado a partir da ótica maniqueísta falso-verdadeiro. Esse tipo de discurso deve ser tratado como hipótese, que é a afirmação de uma relação entre dois ou mais fatos, que deve ser verificada posteriormente.
Mas, voltando à pergunta inicial, onde está a verdade? A resposta não é simples. No governo ou na oposição, perguntaria o otimista? Em cima ou em baixo?, perguntaria o filósofo? Na lágrima sofrida de um rosto triste ou no riso debochado de um qualquer? Aqui na terra ou nos confins do Universo? Com o homem adúltero ou com o homem adulterado na sua essência? Com Deus ou com o Diabo? Dentro ou fora de nós? Nos bares ou nos lares? Estará por acaso a verdade, tal qual um deus onipresente, simultaneamente em todos os lugares?
Pensar é preciso. Ou não é preciso pensar? Dolorosa interrogação. Pensar, pensar profundamente, é antes de mais nada, um ato de dor. Ai dos que pensam, diria, lembrando César. Feliz de quem não tem sempre presente a angústia do ser e como tal, do pensar, e coloca todos os seus méritos e deméritos nas costas largas de Deus.
Fiz estas reflexões, pensando no imbróglio que coloca a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira e a ministra-chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto Dilma Roussef em lados opostos. Lina Vieira afirma e confirma que teve um encontro com Dilma Roussef, no Planalto, onde a ministra teria pedido à chefe da Receita Federal que apressasse as investigações sobre um dos filhos do senador José Sarney. Ela diz ainda que teria entendido a conversa como um pedido para que encerrasse - arquivasse talvez - a investigação. E a pergunta que se faz e que ninguém quer responder, a começar pelo presidente Lula é: Onde - ou com quem - está a verdade?
Solicitado para que cedesse as fitas das câmeras que registrariam a entrada e saída de pessoas, sejam comuns ou autoridades de qualquer naipe, o Palácio respondeu simplesmente que as fitas eram apagadas a cada 30 dias. Ora, foi divulgado que o contrato entre a empresa responsável por essas gravações reza que as fitas deveriam ser apagadas após seis meses depois das gravações e a pergunta que fica no ar é: Por que o governo apagou essas fitas depois de apenas 30 dias? Teria sido tão fácil encerrar esse caso, como afirmou querer o presidente Lula. Bastaria mostrar as fitas e provar que Lina Vieira estava mentindo. Ao não fazê-lo, expôs a ministra-chefe da Casa Civil à dúvida no que se refere à sua credibilidade, ao desgaste político e até mesmo ao ridículo.
Sabe-se que Dilma Roussef tem por hábito negar tudo o que a envolva de modo negativo. Será que os donos do poder têm que mentir sempre para governar e, principalmente se manterem no poder?
A respeito da mentira, o pensador francês Michel de Montaigne dizia que os mentirosos deveriam ser condenados à fogueira, porque se a mentira fosse apenas o contrário da verdade, seria possível tolerá-la. O problema é que a mentira tem mil faces e seu poder de destruição não conhece limites.
Para complicar ainda mais a situação de Dilma Roussef, há registros no sistema de segurança do Palácio do Planalto, da presença de Lina Vieira em 2008, conforme o que disse o líder do governo no Senado Romero Jucá. Ora, se há provas de que Lina Vieira estivera no Palácio do Planalto em outubro de 2008, por que não poderia ter estado em novembro e dezembro desse mesmo ano?
Uma das maiores características do presidente Lula, além de dizer bobagens, é não lembrar de nada, absolutamente nada ou dizer que não disse aquilo que disse. Nesses casos, a desculpa oficial é que a imprensa, como sempre, na opinião dos políticos, deturpou ou inventou o que disse. Pelo jeito, Dilma Roussef vai pelo mesmo caminho, o que significa, em tese, que tudo isso a torna forte candidata à sucessão de Lula. Um povo que elege e reelege um homem que sofre da amnésia mais profunda quando se trata de seus erros (ver escândalo do Mensalão) e que se orgulha de ser analfabeto, pode, perfeitamente eleger uma candidata sobre cuja cabeça está pendurada a espada de Dâmocles da mentira.
Aristóteles definiu a verdade como sendo “uma adequação ou coerência entre o que se diz e a coisa ou entre o que se diz e o ocorrido”. A verdade ou falsidade se prende apenas à verificabilidade, que não exige experimentação direta. Basta que se indique uma maneira fisicamente possível de testar.
Esse é o grande dilema com que a classe política depara. O eleitor, ao acreditar que há coerência no discurso político, é induzido a dispensar a verificabilidade, que nessa área, só é possível após a experimentação direta. Traduzindo: só é possível avaliar a veracidade ou a falsidade do enunciado político quando já é tarde demais.
É por isso, que o discurso político não pode e não deve ser analisado a partir da ótica maniqueísta falso-verdadeiro. Esse tipo de discurso deve ser tratado como hipótese, que é a afirmação de uma relação entre dois ou mais fatos, que deve ser verificada posteriormente.
Mas, voltando à pergunta inicial, onde está a verdade? A resposta não é simples. No governo ou na oposição, perguntaria o otimista? Em cima ou em baixo?, perguntaria o filósofo? Na lágrima sofrida de um rosto triste ou no riso debochado de um qualquer? Aqui na terra ou nos confins do Universo? Com o homem adúltero ou com o homem adulterado na sua essência? Com Deus ou com o Diabo? Dentro ou fora de nós? Nos bares ou nos lares? Estará por acaso a verdade, tal qual um deus onipresente, simultaneamente em todos os lugares?
Pensar é preciso. Ou não é preciso pensar? Dolorosa interrogação. Pensar, pensar profundamente, é antes de mais nada, um ato de dor. Ai dos que pensam, diria, lembrando César. Feliz de quem não tem sempre presente a angústia do ser e como tal, do pensar, e coloca todos os seus méritos e deméritos nas costas largas de Deus.
Fiz estas reflexões, pensando no imbróglio que coloca a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira e a ministra-chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto Dilma Roussef em lados opostos. Lina Vieira afirma e confirma que teve um encontro com Dilma Roussef, no Planalto, onde a ministra teria pedido à chefe da Receita Federal que apressasse as investigações sobre um dos filhos do senador José Sarney. Ela diz ainda que teria entendido a conversa como um pedido para que encerrasse - arquivasse talvez - a investigação. E a pergunta que se faz e que ninguém quer responder, a começar pelo presidente Lula é: Onde - ou com quem - está a verdade?
Solicitado para que cedesse as fitas das câmeras que registrariam a entrada e saída de pessoas, sejam comuns ou autoridades de qualquer naipe, o Palácio respondeu simplesmente que as fitas eram apagadas a cada 30 dias. Ora, foi divulgado que o contrato entre a empresa responsável por essas gravações reza que as fitas deveriam ser apagadas após seis meses depois das gravações e a pergunta que fica no ar é: Por que o governo apagou essas fitas depois de apenas 30 dias? Teria sido tão fácil encerrar esse caso, como afirmou querer o presidente Lula. Bastaria mostrar as fitas e provar que Lina Vieira estava mentindo. Ao não fazê-lo, expôs a ministra-chefe da Casa Civil à dúvida no que se refere à sua credibilidade, ao desgaste político e até mesmo ao ridículo.
Sabe-se que Dilma Roussef tem por hábito negar tudo o que a envolva de modo negativo. Será que os donos do poder têm que mentir sempre para governar e, principalmente se manterem no poder?
A respeito da mentira, o pensador francês Michel de Montaigne dizia que os mentirosos deveriam ser condenados à fogueira, porque se a mentira fosse apenas o contrário da verdade, seria possível tolerá-la. O problema é que a mentira tem mil faces e seu poder de destruição não conhece limites.
Para complicar ainda mais a situação de Dilma Roussef, há registros no sistema de segurança do Palácio do Planalto, da presença de Lina Vieira em 2008, conforme o que disse o líder do governo no Senado Romero Jucá. Ora, se há provas de que Lina Vieira estivera no Palácio do Planalto em outubro de 2008, por que não poderia ter estado em novembro e dezembro desse mesmo ano?
Uma das maiores características do presidente Lula, além de dizer bobagens, é não lembrar de nada, absolutamente nada ou dizer que não disse aquilo que disse. Nesses casos, a desculpa oficial é que a imprensa, como sempre, na opinião dos políticos, deturpou ou inventou o que disse. Pelo jeito, Dilma Roussef vai pelo mesmo caminho, o que significa, em tese, que tudo isso a torna forte candidata à sucessão de Lula. Um povo que elege e reelege um homem que sofre da amnésia mais profunda quando se trata de seus erros (ver escândalo do Mensalão) e que se orgulha de ser analfabeto, pode, perfeitamente eleger uma candidata sobre cuja cabeça está pendurada a espada de Dâmocles da mentira.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
SE EU PUDESSE
SE EU PUDESSE
É claro que a autoria do texto abaixo não é minha. E nem poderia ser. E não poderia ser pela simples razão de que não possuo sequer uma centelha que seja da capacidade intelectual, da inspiração divina, diria eu, de um Jorge Luiz Borges, talvez o maior escritor que o argênteo pais da região do Prata já teve e, indiscutivelmente, seu nome está registrado em letras de ouro no panteão dos titãs da literatura, ao lado de gênios como Oscar Wilde, Tolstói, Dostoiewisky, Nabokov, Émile Zola, Milton ou Machado de Assis e Graciliano Ramos, que estão, eles também, na galeria dos imortais das letras.
Entretanto, pela beleza e sabedoria do texto, é que ouso enfeitar esta coluna com essa jóia, esse primor do mundo das letras. Como me foi repassado sem título, tomei a liberdade de nomeá-lo assim: “SE EU PUDESSE”. Deliciemo-nos portanto, e nos regalemos com essa delícia em forma de crônica:
“Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido e, na verdade, bem poucas coisas levaria a serio.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilhas, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida: claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar e viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.
Eu era um que desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára quedas; se voltasse a viver viajaria mais leve.
Se eu pudesse votar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanhceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.”
Não sei porque, ao assistir mais uma vez o filme da minha vida, pensei que Borges, ao escrever o texto acima, o escreveu para mim, para ti, para nós. E fiquei triste ao ver que tudo poderia ter sido diferente. Mas não foi. E vi o meu viver que me pareceu, de repente, uma promessa que não se cumpriu, uma flor que não desabrochou e tantas possibilidades que se perderam nos desvãos do tempo. Só isso poderia explicar esse vazio que me domina, cada vez que olho o meu passado que sei, não voltará nunca mais, porque está escrito nas estrelas que no meu futuro, tu não estarás.
É claro que a autoria do texto abaixo não é minha. E nem poderia ser. E não poderia ser pela simples razão de que não possuo sequer uma centelha que seja da capacidade intelectual, da inspiração divina, diria eu, de um Jorge Luiz Borges, talvez o maior escritor que o argênteo pais da região do Prata já teve e, indiscutivelmente, seu nome está registrado em letras de ouro no panteão dos titãs da literatura, ao lado de gênios como Oscar Wilde, Tolstói, Dostoiewisky, Nabokov, Émile Zola, Milton ou Machado de Assis e Graciliano Ramos, que estão, eles também, na galeria dos imortais das letras.
Entretanto, pela beleza e sabedoria do texto, é que ouso enfeitar esta coluna com essa jóia, esse primor do mundo das letras. Como me foi repassado sem título, tomei a liberdade de nomeá-lo assim: “SE EU PUDESSE”. Deliciemo-nos portanto, e nos regalemos com essa delícia em forma de crônica:
“Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido e, na verdade, bem poucas coisas levaria a serio.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilhas, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida: claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar e viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.
Eu era um que desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára quedas; se voltasse a viver viajaria mais leve.
Se eu pudesse votar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanhceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.”
Não sei porque, ao assistir mais uma vez o filme da minha vida, pensei que Borges, ao escrever o texto acima, o escreveu para mim, para ti, para nós. E fiquei triste ao ver que tudo poderia ter sido diferente. Mas não foi. E vi o meu viver que me pareceu, de repente, uma promessa que não se cumpriu, uma flor que não desabrochou e tantas possibilidades que se perderam nos desvãos do tempo. Só isso poderia explicar esse vazio que me domina, cada vez que olho o meu passado que sei, não voltará nunca mais, porque está escrito nas estrelas que no meu futuro, tu não estarás.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
QUERER NÃO É PODER
QUERER NÃO É PODER
As eleições estão próximas, muito próximas. E como sempre acontece, todos querem um lugar à sombra do poder, porém, a grande maioria ficará no deserto escaldante da falta de votos.
Os eleitores, como sempre, marcharão para as urnas, crentes que são os donos do voto, que eles é que decidem quem sentará no trono do todo poderoso deste reino de trevas. É claro, também, que a plebe ignara e inculta continuará a eleger e reeleger os mesmos, e por isso, sem o direito, de reclamar da tragédia nacional que é a roubalheira sem fim e sem tamanho que varre o país desde sempre.
Mudanças à vista? Nenhuma, nada de nadinha. Só o mesmo ramerrão, as promessas de sempre, as promessas de mais e as realizações de menos, os mesmos ataques pessoais de sempre durante a campanha e beijnhos depois, porque é precisso arrumar um jeitinho para acomodar os derrotados. Afinal de contas, o perdedor de amanhã pode ser aquele que é o vencedor de hoje.
Todos aqueles que escreveram com o próprio sangue a história da liberdade e da democracia no Brasil sabem, onde quer que estejam, que seu sacrifício foi em vão. Clamamos por liberdade a vida toda, entretanto, é preciso que nos lembremos de que liberdade não se dá e nem se ganha: se conquista. E a batalha para manter o que já conquistamos tem que ser travada todo santo dia, se é que o dia é santo, se é que alguma coisa é santa, exceto Deus.
Nossa fidelidade de hoje aos princípios basilares da Democracia é a mesma que sempre existiu à sombra das leis feitas pelos sábios e pelos justos. Mesmo assim, o Brasil está a ponto de ser destruído pela corrupção mais deslavada que se pode ver em todos os poderes e seus mais diversos escalões. E tal qual Jacob pergunto: “Ó Senhor Deus de Abraão, não pouparíeis o meu país se encontrasse nele pelo menos cinquenta justos? E não sei porque, tenho a sensação de haver escutado: “Meu filho, deixa de ser tolo. Não há sequer cinquenta justos nessa terra esquecida por MIM.
As eleições estão próximas, muito próximas. E como sempre acontece, todos querem um lugar à sombra do poder, porém, a grande maioria ficará no deserto escaldante da falta de votos.
Os eleitores, como sempre, marcharão para as urnas, crentes que são os donos do voto, que eles é que decidem quem sentará no trono do todo poderoso deste reino de trevas. É claro, também, que a plebe ignara e inculta continuará a eleger e reeleger os mesmos, e por isso, sem o direito, de reclamar da tragédia nacional que é a roubalheira sem fim e sem tamanho que varre o país desde sempre.
Mudanças à vista? Nenhuma, nada de nadinha. Só o mesmo ramerrão, as promessas de sempre, as promessas de mais e as realizações de menos, os mesmos ataques pessoais de sempre durante a campanha e beijnhos depois, porque é precisso arrumar um jeitinho para acomodar os derrotados. Afinal de contas, o perdedor de amanhã pode ser aquele que é o vencedor de hoje.
Todos aqueles que escreveram com o próprio sangue a história da liberdade e da democracia no Brasil sabem, onde quer que estejam, que seu sacrifício foi em vão. Clamamos por liberdade a vida toda, entretanto, é preciso que nos lembremos de que liberdade não se dá e nem se ganha: se conquista. E a batalha para manter o que já conquistamos tem que ser travada todo santo dia, se é que o dia é santo, se é que alguma coisa é santa, exceto Deus.
Nossa fidelidade de hoje aos princípios basilares da Democracia é a mesma que sempre existiu à sombra das leis feitas pelos sábios e pelos justos. Mesmo assim, o Brasil está a ponto de ser destruído pela corrupção mais deslavada que se pode ver em todos os poderes e seus mais diversos escalões. E tal qual Jacob pergunto: “Ó Senhor Deus de Abraão, não pouparíeis o meu país se encontrasse nele pelo menos cinquenta justos? E não sei porque, tenho a sensação de haver escutado: “Meu filho, deixa de ser tolo. Não há sequer cinquenta justos nessa terra esquecida por MIM.
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