Uma das maiores decepções da minha vida ocorreu no ano 2000. Passei décadas acreditando que o Apocalipse aconteceria naquele ano. Pra ser mais exato, acreditava que o fim do mundo ocorreria no primeiro minuto do novo ano. Seria o final dos tempos há tanto aguardado por todos - ou quase todos. Eu estava incluído no grupo dos todos - e tolos. O certo foi que, nem no primeiro e nem no último minuto de 2000 o mundo acabou. As guerras continuaram acontecendo como sempre aconteceram, os carros dirigidos por assassinos que lembram vampiros, tal a sua sede de sangue, continuaram pintando de vermelho o asfalto das nossas estradas e cidades; novos e ve-lhos safardanas continuaram assaltando os chamados cofres públicos; a inveja, o ciúme, os assassinatos, os furtos e roubos continuaram como sempre, desde a morte de Abel, assassinado por seu irmão Caim; enfim, todas as tragédias grandes e pequenas que fazem parte da vida continuaram acontecendo e provocando vítimas como sempre fizeram e como sempre farão. De certo, o que temos, é que o mundo não acabou.
Mas, eu já devia saber que assim seria. Afinal de contas, desde os tempos bíblicos, profetas os mais diversos anunciam o fim do mundo para logo, logo. Quando eu ainda andava entre as estrelas, lembro que o fim do mundo estava marcado para o ano 1000 d.C. Como vimos, o mundo não acabou. Tivemos a chance de acabá-lo com a Guerra Fria e a proliferação de bombas nucleares, tantas que podem destruir o planeta várias vezes, como se só uma não bastasse. Mas até agora, nada de "nadisca".
Crentes de todos os naipes religiosos marcaram o apo-calipse para 2000, e como todos vimos, nada do mundo acabar. Agora, adiaram o fim de nossas e de todas as vidas para 2012. Menos mal que a humanidade não será exterminada totalmente. O escritor Patrick Geryl, 54, anda muito ocupado preparando-se para o fim do mundo. Nos últimos tempos, Geryl fica mais tempo em Sierra Nevada, no sul da Espanha, vistoriando as habitações que estão sendo construídas ali. São ocas, de cimento, capazes de resistir ao cataclismo que, acredita Geryl, destruirá o planeta Terra no dia 21 de dezembro de 2012. Ele e seu grupo pretendem levar 5 000 pessoas para um local que resistirá aos horrores do apocalipse. Será o último dia do resto da humanidade, acredita.
Ah!, ia-me esquecendo, o fim do mundo já começou. E começou por Brasília, onde está preso o governador da ca-pital federal. E bem verdade que é uma prisão "light", mas que diabos, o homem é ladr, digo, governador, e não é justo que o coloquem no meio de presidiários perigosíssimos, que roubaram uma galinha aqui e outra acolá.
Afinal de contas, Roberto Arruda é governador e merece a nossa piedade. Não fosse assim e o nosso ilustre presidente não teria dito que lamentava a prisão do perigoso melian, digo, governador do DF. O presidente lamentou a prisão do corrupto. Devia, isto sim, elogiar a decisão tardia, mas bem vinda, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que mostrou que nem tudo está perdido e que ainda se pode ter um pouco de esperança num Brasil melhor.
Eu, de minha parte, não conheço lugar melhor para que o apocalipse comece que não seja Brasília. Afinal de contas, não é ela uma espécie de Sodoma ou Gomorra dos dias atuais?
Sabemos que, no final das quantas, mais um ou dois ladrões do quinto escalão poderão ser presos, e o vice, senhor Paulo Otávio arranjará uma escapada, corrigindo, uma via legal para fugir, e tudo continuará como dantes, no quartel de Abrantes. Porém, resta-nos curtir esse prazer inespe-rado de ver, pelo menos um bandido de colarinho não tão branco, curtir uma cadeiazinha. Quem sabe, um dia não possamos construir um muro cercando completamente o Brasil. Estaríamos, então, todos na cadeia. Eles, por assalto ao Erário. Nós, por nossa conivência por elegê-los e, o que é pior, reelegê-los, desde e para sempre.
segunda-feira, 1 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O NOME DA FOME
“Naquele tempo, com a barriga na miséria, eu vagava pelas ruas de Cristiânia, cidade singular que deixa marcas nas pessoas...”
Assim começa o romance A fome, do norueguês Knut Hansum, escritor que ficou mundialmente conhecido por causa do romance que fala daquilo que tem o mais desgraçado dos nomes, que reduz um homem a nada, um nome que transforma o mais digno dos homens em rebotalho humano: a fome. Hansum foi um profundo analista dos caracteres mais sórdidos que compõem a psiquê humana. E nada é mais sórdido, mais miserável, mais doído que a fome, pois de mãos dadas com ela, andam também a injustiça e a maldade. Não conheceu o verdadeiro sofrimento, aquele que não teve as entranhas devoradas pela fome.
Fome não é só a ausência do alimento. É a certeza atroz que não haverá nada para comer naquele dia, nem no seguinte e nem no outro. É como se toda a esperança se esvaísse pelo ralo da falta de compaixão dos homens. É como se toda a dor do mundo se concentrasse num olhar de tristeza infinita, quando não há sequer a dor para sentir no estômago dilacerado pelos sucos gástricos, que sem ter o que digerir, passam a destruir o próprio faminto.
A fraqueza é generalizada. O entorpecimento é total. Não há mais pensamento, não há mais exigências, não há mais nada. Só a certeza de que a indiferença dos que passam lépidos a caminho de suas casas cheias de alimentos, é ampla, geral e irrestrita. Deus não tinha a menor idéia o que estava fazendo quando disse: “Trabalharás todos os dias de tua vida, infeliz, e comerás o pão que o Diabo amassou...”. O Inferno, bem que podia atender pelo amaldiçoado nome de fome.
O faminto, o de verdade, é aquele que não mais tem forças para pedir um pedaço de pão, pelo amor de Deus; é aquele que evitamos olhar nos olhos, porque o olhar, saindo de dentro das profundezas sem fim de órbitas semi-mortas dos desesperados, como que nos acusa, e diz que somos todos culpados.
Para o faminto, Deus é o único interlocutor, pois perde a faculdade de se comunicar com aqueles seres misteriosos, que são os homens que não conheceram o horror da fome. Estômagos plenos de satisfação, como estão os cérebros dos que nos dirigem, seria o caso de perguntarmos?
Reduzidos à indigência mental, esfaimados de conhecimento, é a resposta, pois não há nada que se possa acrescentar sobre aqueles que governam 8,5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais a metade, sequer é ocupada, quanto mais cultivada.
Daí de comer a quem tem fome, disse o Todo-Poderoso, num prenúncio do que adviria. Como quase tudo o que falou, esta foi mais uma mensagem que não ouvimos. O trágico, é que continuamos fazendo questão de não ouvir.
Enquanto um só homem padecer o mal da fome, a humanidade poderá dizer que é tudo, menos humana.
Assim começa o romance A fome, do norueguês Knut Hansum, escritor que ficou mundialmente conhecido por causa do romance que fala daquilo que tem o mais desgraçado dos nomes, que reduz um homem a nada, um nome que transforma o mais digno dos homens em rebotalho humano: a fome. Hansum foi um profundo analista dos caracteres mais sórdidos que compõem a psiquê humana. E nada é mais sórdido, mais miserável, mais doído que a fome, pois de mãos dadas com ela, andam também a injustiça e a maldade. Não conheceu o verdadeiro sofrimento, aquele que não teve as entranhas devoradas pela fome.
Fome não é só a ausência do alimento. É a certeza atroz que não haverá nada para comer naquele dia, nem no seguinte e nem no outro. É como se toda a esperança se esvaísse pelo ralo da falta de compaixão dos homens. É como se toda a dor do mundo se concentrasse num olhar de tristeza infinita, quando não há sequer a dor para sentir no estômago dilacerado pelos sucos gástricos, que sem ter o que digerir, passam a destruir o próprio faminto.
A fraqueza é generalizada. O entorpecimento é total. Não há mais pensamento, não há mais exigências, não há mais nada. Só a certeza de que a indiferença dos que passam lépidos a caminho de suas casas cheias de alimentos, é ampla, geral e irrestrita. Deus não tinha a menor idéia o que estava fazendo quando disse: “Trabalharás todos os dias de tua vida, infeliz, e comerás o pão que o Diabo amassou...”. O Inferno, bem que podia atender pelo amaldiçoado nome de fome.
O faminto, o de verdade, é aquele que não mais tem forças para pedir um pedaço de pão, pelo amor de Deus; é aquele que evitamos olhar nos olhos, porque o olhar, saindo de dentro das profundezas sem fim de órbitas semi-mortas dos desesperados, como que nos acusa, e diz que somos todos culpados.
Para o faminto, Deus é o único interlocutor, pois perde a faculdade de se comunicar com aqueles seres misteriosos, que são os homens que não conheceram o horror da fome. Estômagos plenos de satisfação, como estão os cérebros dos que nos dirigem, seria o caso de perguntarmos?
Reduzidos à indigência mental, esfaimados de conhecimento, é a resposta, pois não há nada que se possa acrescentar sobre aqueles que governam 8,5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais a metade, sequer é ocupada, quanto mais cultivada.
Daí de comer a quem tem fome, disse o Todo-Poderoso, num prenúncio do que adviria. Como quase tudo o que falou, esta foi mais uma mensagem que não ouvimos. O trágico, é que continuamos fazendo questão de não ouvir.
Enquanto um só homem padecer o mal da fome, a humanidade poderá dizer que é tudo, menos humana.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
RETÓRICOS DE ARAQUE
Há quem pense que o radicalismo retórico do PT não vai além do amontoado de tolices típicas de quem usa a cabeça apenas para separar uma orelha da outra. Ledo e Ivo engano, diria Jarbas Passarinho. Na verdade, o festival de besteiras que saem da boca desses desislustrados petistas têm desdobramentos práticos, sim. Haja vista a sem cerimônia com que age a turma do chamado MST e outros que tais, que se converteram em bandos armados que invadem propriedades alheias, saqueiam, ferem, destroem e têm como punição, o repasse de verbas gordíssimas que lhe são repassadas por governos de todos os naipes mercadológicos e ideológicos, além das chamadas ONGs que, em tese, seriam Organizações Não Governamentais mas que, mais apropriadamente mereciam, se não todas, pelo menos boa parte, ser chamadas de Organizações Governamentais (OGs), na medida em que são dependentes de repasses governamentais. Não o fossem e teriam seus cofres supridos por entidades particulares, empresariais ou não.
E para comprovar que os radicais do PT estão com tudo e não estão prosa, basta que olhemos com atenção o que dizem. Por exemplo: O Foro de São Paulo, que ao longo dos últimos 20 anos contou com a participação ativa da Frente Amplio de Uruguai, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua, do Partido Revolucionário Democrático (PRD) do México e do Partido Comunista de Cuba, entre outras forças políticas, apontam, claramente, para o desejo de uma ditadura de esquerda, ou do proletariado, como preferirem, neste país desgraçado e abandonado por Deus, que por sinal não é brasileiro; pelo Diabo, por Exus, Oguns, Eguns e alguns.
Outro exemplo: Além de participar ativamente do Foro de São Paulo, respondendo por sua Secretaria Executiva, o PT participa da Conferência Permanente de Partidos Políticos de América Latina (COPPPAL) e da Coordinación Socialista Latinoamericana (CSL).
Mas. se o PT mantém relações com nossos seus aliados europeus não descuram do estreitar relações com partidos do Oriente Médio, da Ásia e da África. Atualmente, o PT mantém protocolos de cooperação com diversos partidos, entre os quais o Partido Comunista da China. Segundo o próprio PT, o Partido tem posições definidas, como nos casos da independência do Sahara Ocidental e da luta da Frente Polisário, "posição que esperamos ver acompanhada pelo governo". A propósito, enquanto é motivo de reprovação a visita do chanceler de Israel ao Brasil, certamente é motivo de orgulho e honra a visita (malfadada) de Mahmoud Ahmadinejad, o tiranete iraniano. Detalhe: Israel é um país democrático. O Irã, uma ditadura feroz.
O PT e o senhor Lula da Silva dos Santos do Pau Oco defendem el señor comandante Fidel Castro, assim como essa piada de mau gosto chamada Hugo Chávez. O dito Partido dos Trabalhadores mantém um protocolo de cooperação com o Pólo Democrático Alternativo (PDA), o que não seria nada demais, não fosse o tal PDA,
comprovadamente, apenas barriga de aluguel para terroristas das Farc.
A extensão dos danos causados à política externa do Brasil por esses "teóricos" radicais do PT é incalculável. Enquanto isso, o nosso nada estimado senhor Lula "Deficiente Cultural” da Silva olha olimpicamente para o lado e finge que não é com ele. E a pergunta que não quer calar é: Será que só acordaremos quando for tarde demais?
E para comprovar que os radicais do PT estão com tudo e não estão prosa, basta que olhemos com atenção o que dizem. Por exemplo: O Foro de São Paulo, que ao longo dos últimos 20 anos contou com a participação ativa da Frente Amplio de Uruguai, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua, do Partido Revolucionário Democrático (PRD) do México e do Partido Comunista de Cuba, entre outras forças políticas, apontam, claramente, para o desejo de uma ditadura de esquerda, ou do proletariado, como preferirem, neste país desgraçado e abandonado por Deus, que por sinal não é brasileiro; pelo Diabo, por Exus, Oguns, Eguns e alguns.
Outro exemplo: Além de participar ativamente do Foro de São Paulo, respondendo por sua Secretaria Executiva, o PT participa da Conferência Permanente de Partidos Políticos de América Latina (COPPPAL) e da Coordinación Socialista Latinoamericana (CSL).
Mas. se o PT mantém relações com nossos seus aliados europeus não descuram do estreitar relações com partidos do Oriente Médio, da Ásia e da África. Atualmente, o PT mantém protocolos de cooperação com diversos partidos, entre os quais o Partido Comunista da China. Segundo o próprio PT, o Partido tem posições definidas, como nos casos da independência do Sahara Ocidental e da luta da Frente Polisário, "posição que esperamos ver acompanhada pelo governo". A propósito, enquanto é motivo de reprovação a visita do chanceler de Israel ao Brasil, certamente é motivo de orgulho e honra a visita (malfadada) de Mahmoud Ahmadinejad, o tiranete iraniano. Detalhe: Israel é um país democrático. O Irã, uma ditadura feroz.
O PT e o senhor Lula da Silva dos Santos do Pau Oco defendem el señor comandante Fidel Castro, assim como essa piada de mau gosto chamada Hugo Chávez. O dito Partido dos Trabalhadores mantém um protocolo de cooperação com o Pólo Democrático Alternativo (PDA), o que não seria nada demais, não fosse o tal PDA,
comprovadamente, apenas barriga de aluguel para terroristas das Farc.
A extensão dos danos causados à política externa do Brasil por esses "teóricos" radicais do PT é incalculável. Enquanto isso, o nosso nada estimado senhor Lula "Deficiente Cultural” da Silva olha olimpicamente para o lado e finge que não é com ele. E a pergunta que não quer calar é: Será que só acordaremos quando for tarde demais?
A CANÇÃO DE CRISTO
Há muitos anos escrevi um texto intitulado “Falando de música”. Nele, citava, entre outros, o ainda desconhecido Martinho Lutero. E esse mesmo Lutero, tão condenado pela Igreja Católica, dizia que “a música é o bálsamo mais eficaz para acalmar, alegrar e vivificar o coração daquele que está triste, daquele que sofre.
A música torna os homens mais doces, mais benévolos, mais modestos e mais sensatos. Os que sabem cantar, não se entregam nem à tristeza nem ao desgosto. Eles são alegres e afastam a preocupação com o auxílio de suas canções”.
Antes de entrar no assunto que me levou a escrever estas mal traçadas linhas, como se dizia antigamente, devo esclarecer que tenho uma relação pessoal de muito respeito e afeto, adoração, mesmo, poderia dizer, com o homem chamado Jesus (Ieshua, na sua língua natal, o aramaico). E essa relação tem já muitas décadas de existência. Décadas, para falar apenas em termos de tempo terrestre, pois Ele me contou, em sonho sonhado antes que tudo acontecesse, que já me conhecia desde o tempo em que eu não existia. E por conhecê-lo tão bem – desculpem a falta de modéstia e o excesso de pretensão – é que ouso afirmar que Jesus, o Cristo, gostava de cantar. E de sorrir.
Como não sorrir e não cantar, se era um homem bom na sua mais refinada essência, no mais profundo do seu ser? É claro que teve seus momentos de amargura, também. Quem não o teria, sabendo o destino que o aguardava? Mas, o que queremos abordar aqui, é o Jesus cantor, o maior e o melhor de quantos poderiam existir.
Nas noites da minha solidão, gosto de ouvi-lo, voz poderosa e, simultaneamente, maviosa, enchendo todo o Universo com o seu esplendor, cantando o seu cântico sobre os próprios desejos. Sabe-se que entre os povos do Oriente, os cantos, as danças e as luzes eram elementos essenciais para as cerimônias das festas religiosas. Quem leu sabe que os antigos egípcios faziam a volta de seus templos dançando e cantando.
Os hebreus tinham, eles também, o mesmo costume. É bom lembrar que Davi¹ dançava e cantava diante da Arca². Na Bíblia, quem nos fala que Jesus cantava é o próprio Mateus, o evangelista, (XXVI, 30). Diz ele que o Mestre e os apóstolos entoaram um cântico após a celebração do último Pessach³ d’Ele com seus discípulos.
Muito embora não conste dos livros sagrados, foram encontradas partes da letra desse cântico entoado por Jesus e seus discípulos após a Páscoa – depois da qual seria traído por Judas Iscariotes, o traidor. Fragmentos desse texto foram encontrados na 237ª carta de Agostinho (4), dito santo pelos católicos, ao bispo de Ceretius.
A seguir, está o cântico que é encontrado em partes no próprio Agostinho: “Quero desligar e ser desligado. Quero salvar e quero ser salvo. Quero gerar e quero ser gerado. Quero cantar, dancem todos de alegria. Quero chorar, batam em todos com dor. Quero ornar e quero ser ornado. Sou a lâmpada para vocês que me veem. Sou a porta para que nela batam. Vocês que veem o que faço, não digam o que faço. Representei tudo isso nestas palavras, mas não fui em absoluto representado”.
Agostinho não afirma que esse hino foi cantado, mas não reprova suas palavras. Na verdade, ele só condena os priscilianistas(5), que incluiam esse hino em seu Evangelho. De certo o que temos, é que qualquer que tenha sido a discussão que se formou em torno desse cântico, era ele utilizado em todas as cerimônias religiosas. Como se sabe, todas essas cerimônias têm alguma semelhança e alguma diferença, mas o importante é a adoração a Deus, independentemente do nome que receba e em qualregião do globo se situe.
Dizem os crentes que, infelizes daqueles que não O adoram, porque estariam eles trilhando o caminho do erro e por isso estão à sombra da morte. Porém, é preciso que se pense que, quanto maior for sua infelicidade, mas devemos lamentá-los e suportá-los. Como diria o próprio Ieshua, eles não sabem o que fazem e, menos ainda, porque o fazem.
GLOSSÁRIO ¹ - Davi – Rei de Israel de 1012 a 972 a.C.² - Arca (Arca da Aliança) – Pequeno baú o caixa construída por Moisés (Moshe, Mochê) para servir como receptáculo das “Tábuas da Lei”, seguindo a orientação feita por Deus.³ - Pessach - Páscoa em hebraico, mantendo o significado de “passagem”.4 - Aurelius Augustinus, (354-430), bispo de Hipona, norte da África e doutor da Igreja. 5 - Seguidores de Prisciliano (335-385, cristão espanhol, o primeiro a ser executado como herege pelo braço secular. Sua doutrina era um misto de gnosticismo e profetismo fanático.
A música torna os homens mais doces, mais benévolos, mais modestos e mais sensatos. Os que sabem cantar, não se entregam nem à tristeza nem ao desgosto. Eles são alegres e afastam a preocupação com o auxílio de suas canções”.
Antes de entrar no assunto que me levou a escrever estas mal traçadas linhas, como se dizia antigamente, devo esclarecer que tenho uma relação pessoal de muito respeito e afeto, adoração, mesmo, poderia dizer, com o homem chamado Jesus (Ieshua, na sua língua natal, o aramaico). E essa relação tem já muitas décadas de existência. Décadas, para falar apenas em termos de tempo terrestre, pois Ele me contou, em sonho sonhado antes que tudo acontecesse, que já me conhecia desde o tempo em que eu não existia. E por conhecê-lo tão bem – desculpem a falta de modéstia e o excesso de pretensão – é que ouso afirmar que Jesus, o Cristo, gostava de cantar. E de sorrir.
Como não sorrir e não cantar, se era um homem bom na sua mais refinada essência, no mais profundo do seu ser? É claro que teve seus momentos de amargura, também. Quem não o teria, sabendo o destino que o aguardava? Mas, o que queremos abordar aqui, é o Jesus cantor, o maior e o melhor de quantos poderiam existir.
Nas noites da minha solidão, gosto de ouvi-lo, voz poderosa e, simultaneamente, maviosa, enchendo todo o Universo com o seu esplendor, cantando o seu cântico sobre os próprios desejos. Sabe-se que entre os povos do Oriente, os cantos, as danças e as luzes eram elementos essenciais para as cerimônias das festas religiosas. Quem leu sabe que os antigos egípcios faziam a volta de seus templos dançando e cantando.
Os hebreus tinham, eles também, o mesmo costume. É bom lembrar que Davi¹ dançava e cantava diante da Arca². Na Bíblia, quem nos fala que Jesus cantava é o próprio Mateus, o evangelista, (XXVI, 30). Diz ele que o Mestre e os apóstolos entoaram um cântico após a celebração do último Pessach³ d’Ele com seus discípulos.
Muito embora não conste dos livros sagrados, foram encontradas partes da letra desse cântico entoado por Jesus e seus discípulos após a Páscoa – depois da qual seria traído por Judas Iscariotes, o traidor. Fragmentos desse texto foram encontrados na 237ª carta de Agostinho (4), dito santo pelos católicos, ao bispo de Ceretius.
A seguir, está o cântico que é encontrado em partes no próprio Agostinho: “Quero desligar e ser desligado. Quero salvar e quero ser salvo. Quero gerar e quero ser gerado. Quero cantar, dancem todos de alegria. Quero chorar, batam em todos com dor. Quero ornar e quero ser ornado. Sou a lâmpada para vocês que me veem. Sou a porta para que nela batam. Vocês que veem o que faço, não digam o que faço. Representei tudo isso nestas palavras, mas não fui em absoluto representado”.
Agostinho não afirma que esse hino foi cantado, mas não reprova suas palavras. Na verdade, ele só condena os priscilianistas(5), que incluiam esse hino em seu Evangelho. De certo o que temos, é que qualquer que tenha sido a discussão que se formou em torno desse cântico, era ele utilizado em todas as cerimônias religiosas. Como se sabe, todas essas cerimônias têm alguma semelhança e alguma diferença, mas o importante é a adoração a Deus, independentemente do nome que receba e em qualregião do globo se situe.
Dizem os crentes que, infelizes daqueles que não O adoram, porque estariam eles trilhando o caminho do erro e por isso estão à sombra da morte. Porém, é preciso que se pense que, quanto maior for sua infelicidade, mas devemos lamentá-los e suportá-los. Como diria o próprio Ieshua, eles não sabem o que fazem e, menos ainda, porque o fazem.
GLOSSÁRIO ¹ - Davi – Rei de Israel de 1012 a 972 a.C.² - Arca (Arca da Aliança) – Pequeno baú o caixa construída por Moisés (Moshe, Mochê) para servir como receptáculo das “Tábuas da Lei”, seguindo a orientação feita por Deus.³ - Pessach - Páscoa em hebraico, mantendo o significado de “passagem”.4 - Aurelius Augustinus, (354-430), bispo de Hipona, norte da África e doutor da Igreja. 5 - Seguidores de Prisciliano (335-385, cristão espanhol, o primeiro a ser executado como herege pelo braço secular. Sua doutrina era um misto de gnosticismo e profetismo fanático.
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