No tempo em que eu caminhava perdido, longe de tudo e de todos, longe de D'us e dos braços teus, certa noite parei na borda de uma poça d'água. E olhando pra baixo, vi os últimos raios de Sol indo embora para iluminar o outro lado do mundo. Mas não foi só isso que vi, pois vi muito mais. Vi as primeiras estrelas dando o ar da graça, ainda pálidas, mas brilhando mais e mais, à medida que a noite embrulhava com seu manto negro, todos os que estavam ausentes da luz.
E foi naquele pequeno lago que pude mergulhar no Cosmos infinito. E foi lá, bem em baixo - ou seria lá em cima? - que vi maravilhas como a nenhum outro homem foi dado ver. Cometas passaram rente a mim, e sua cauda brilhosa, deslizando em silêncio em direção ao nada absoluto, parecia indicar a direção a seguir. Vi explosões estelares no ato de parir outros corpos celestes. Foi nessas andanças, que pude apanhar os anéis de Saturno para te presentear quando te encontrasse. Sabia que teria que te buscar no reino da escuridão mais absoluta que são os buracos negros, corpos celestes tão densos que deles nem a luz escapa, pois de lá sairias para dominar um pedaço da Terra, de onde descenderiam todos os homens e mulheres paridos por ventre de mulher. E lá, quando juntasse minh'alma à tua, os anéis de Saturno seriam o penhor da nossa eterna aliança
Mas, antes de encontrar, muito ainda teria a percorrer pelo espaço sem fim. Era preciso, para que minha formação se tornasse completa, que eu me debruçasse nas fímbrias do Universo, para ver o que existe além dele e de todos os universos existentes.
Voltei bilhões de anos depois, carregando comigo, todo o conhecimento do bem e do mal que existe em toda a obra divina. Creio mesmo, que passei rente a Ele. Só isso explicaria a intensidade daquela luz como outra não vi. E foi essa luz que falou comigo com benevolência: “Vai em paz, porque Eu te acompanharei, até mesmo depois que deixares de existir”.
Foi quando recobrei a consciência e me vi novamente à beira daquela poça d'água que me tornou único entre todos os viventes.
Depois, mudado para todo o sempre, voltei para casa e me aninhei entre braços que me receberam com doçura e juntos, adormecemos para nunca mais acordar, exceto quando encontrarmos aquela luz que falou comigo há tanto tempo.
E quando isso acontecer, faremos parte daquela luz, pois nela estão concentrados todos os sentimentos de amor porventura existentes. E posso afirmar, que nunca houve e nem haverá jamais, amor tão grande como aquele que nos leva para os braços do Senhor de todas as luzes.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O LADRÃO HONESTO
Estou preocupado. Preocupado, vírgula. Estou preocupadíssimo. Como de hábito, no horário do Programa do Jô, estava eu sem sono. E querendo ver as novidades que o Gordo traria em seu retorno das férias, resolvi assisti-lo. E foi ele que me deu a noticia. Não sei se é boa ou se é má. Mas que gerou preocupação, gerou, sim. Imaginem que um país europeu cujo nome não lembro, provavelmente porque irrelevante, pesquisou qual o povo mais dado à prática do roubo, do furto, do apossar-se do alheio, do surrupiar, do ficar com o que não é seu, do desfalque, do estelionato - uma forma de roubo, também; do dar um 'tapa', do embolsar imerecidamente, enfim, da ladroagem. E - tragédia nacional - o Brasil ficou relegado a um miserável quinto lugar. Como foi possível que nos tirassem um título no qual éramos imbatíveis? Onde está o Congresso Nacional que não toma uma providência? Serão os nossos ladrões mais honestos que os ladrões dos outros? Mas isso é uma incongruência. Não existe ladrão honesto. A exceção, talvez, seja o ladrão que admite que é ladrão. Imagino o ladrão honesto, respondendo ao indefectível interrogatório que as empresas fazem ao contratar alguém:
- Nome: Zé Ninguém.
- Idade: 25 anos de carreira e correrias.
- Profissão: Ladrão.
- Como?
- Ladrão, por quê?
- Isso é uma desfaçatez. Como ousa o senhor admitir sem mais e nem menos que é ladrão? E ainda quer emprego, diz o burocrata.
- Claro, diz Zé Ninguém. Com emprego, carteira assinada, vale transporte, vale refeição e mais um mínimo, no mínimo, dá pra deixar de roubar. O senhor não acha?, diz o ladrão.
- Fora daqui, vocifera o burocrata.
Abatido o ladrão honesto volta à sua vida de roubos e correrias. No Brasil tudo é difícil, filosofa. Até mesmo ser um velho e decente ladrão honesto...
Num país em que todo mundo rouba todo mundo, melhor dizendo, num país onde a maioria rouba e a minoria é roubada, não dá pra ter esperanças. Aliás, esperança é a primeira coisa que a chamada classe política nos rouba. Ladrões de todos os naipes roubam a merenda das nossas escolas; roubam a beleza da Última Flor do Lácio, inculta e bela; roubam nos pesos e medidas; roubam via internet, via Correios, via caminhões de carga, roubam-nos nas esquinas e nos semáforos. Roubam-nos até a mulher amada. Roubam tudo e ainda querem troco. Roubam-nos a vida. A nossa vida, a vida dos nossos filhos e a dos filhos dos nossos filhos. Roubam tanto, que nem mais sabem o quanto e o que roubam. São tantos os milhões que pensam ser seus, e não são...
E ainda dizem que estamos em quinto lugar? Ah! Que saudades dos tempos em que éramos os primeiros na arte de roubar. Pelo menos sabíamos o povo que éramos.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
FORD FAMILIAR
FORD FAMILIAR | ||
Diante de tantas notícias que assombraram as montadoras americanas, nos últimos tempos, intensificados pela crise financeira e pelo desenvolvimento sustentável, nos acostumamos a não perceber os seus pontos fortes, as suas vantagens competitivas e as suas competências essenciais. O melhor caso que reúne a prática destes três pilares é a americana Ford. O fundador desta empresa familiar, Henry Ford é considerado por diversas publicações especializadas o maior executivo do século XX (algumas escolheram Jack Welch, ex-presidente da General Electric). Foi o gestor que melhor aplicou a técnica do Estudo dos Tempos e Movimentos, tornando-se o grande responsável por mudanças de paradigmas e pela redefinição dos sistemas de produção em diversas indústrias da época e, passou a ser a referência para diversos trabalhadores que perceberam as vantagens de se trabalhar em uma empresa metódica e repetitiva, e com os maiores salários até então, mesmo que tivessem diante de si, um patrão cruel e disciplinado. Algumas das diversas características do Fordismo, que é muito estudado em vários Cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado), ainda são praticadas e presenciadas, facilmente, em pleno século XXI, em diversas organizações, desde setores mais novos de alta tecnologia, passando por biotecnologia até segmentos mais tradicionais, como os de manufatura. Ao longo de décadas a Ford passou por momentos turbulentos. A forte concorrência com a líder no mercado americano, General Motors, e posteriormente com a nova detentora do posto, Toyota, os altos custos no sistema de produção, o atendimento as reivindicações dos poderosos sindicatos, as outras unidades de negócios, como a Jaguar, que não apresentavam os resultados esperados, além do avanço dos concorrentes japoneses e coreanos com veículos mais arrojados e focados nas principais tendências mercadológicas e ambientais, tudo demonstrava conspirar contra a empresa. Com a gravidade da crise econômica, ocasionada pela falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em setembro de A retirada de cerca de 10 bilhões de dólares de suas linhas de financiamento, tiveram como objetivo reforçar o caixa e recusar a ajuda do Governo com o uso de dinheiro público. A Ford ganhou a admiração de milhões de pessoas ao redor do mundo por ser a única montadora a recusar o socorro de 17 bilhões de dólares, retirados do pacote de 700 bilhões de dólares de estímulo financeiro aprovado em outubro de 2008. A família Ford é dona de apenas 5% de um tipo particular de ações, nos Estados Unidos, o suficiente para que o controle continue sob os descendentes do fundador que foram os principais responsáveis em proporcionar esperanças de tempos melhores a montadora e aos seus milhares de empregados diretos e indiretos, incluindo fornecedores. Os familiares se uniram e, sem a presença de conflitos, agiram com profissionalismo e sabedoria. Conseguiram implantar um complexo plano de reestruturação dos negócios e dos bens da família. Venderam iates e mansões em diversos balneários nos Estados Unidos e na Europa para compensar os dividendos de mais de 40 milhões de dólares que recusaram a receber. Receitas foram obtidas de diversas fontes. A Ford hipotecou todo o seu patrimônio obtendo 25 bilhões de dólares. Vendeu a Land Rover e a Jaguar por quase 3 bilhões de dólares. Conseguiu obter empréstimos em torno de 24 bilhões de dólares de instituições financeiras privadas. Para poder prosseguir com o plano, ainda precisou efetuar demissões, fechar fábricas e reduzir os benefícios dos executivos. Com mais problemas, longe de serem solucionados, pelas concorrentes, e o recall de 9 milhões de veículos que a Toyota está enfrentando em todo o mundo, também foram fatores determinantes para impulsionar o crescimento da Ford. William Clay Ford Jr., presidente do conselho de administração, e Alan Mulally, presidente mundial, determinaram o fim de 97 modelos de carro, concentrando os esforços em somente 20. Definitivamente a Ford conseguiu um feito, até então impossível de ser alcançado por uma montadora americana, afastar a percepção de que os carros asiáticos, sobretudo os japoneses, serem os melhores e arrematou diversos prêmios, de revistas especializadas, pelos novos carros desenvolvidos. Em conjunto com a Microsoft, a Ford desenvolveu o Sync, uma tecnologia que permite ao motorista falar ao telefone e acessar as configurações do carro, como rádio e temperatura do ar-condicionado, sem tirar as mãos do volante, superando o OnStar, da concorrente GM, se tornando o estopim de uma revolução tecnológica que está redefinindo toda a indústria automobilística, cada vez mais pressionada pela preservação do meio-ambiente e redução de gases tóxicos. Após um prejuízo, em 2009, de 14 bilhões de dólares, a Ford divulgou um lucro líquido de 2,1 bilhões de dólares, no primeiro trimestre de 2010, o maior desde 2004 no mercado americano e o maior desde 1977. No Brasil, foram anunciados investimentos de mais de 4 bilhões de reais entre 2011 e 2015. Tudo indica que, enquanto for uma empresa familiar, a Ford continuará entre as principais corporações e símbolo do poder econômico americano. Antonio Carlos Moraes Formado pela Fundação Getulio Vargas. Consultor de Empresas. | ||
FALANDO DE MULHERES
Não poucas foram as mulheres que mudaram o mundo. Entre elas, é obrigatório citar mulheres de importância fundamental na história dos hebreus, como Ester (Edissa, Hadassa), que de tão bela foi escolhida por Xerxes, rei dos persas, como esposa tornando-se rainha. Seu nome também mantém o significado de “estrela”, aliás, Vênus, estrela da manhã.
Outro nome importante na história hebraica é o de Judite (Judith), que é a personagem principal do Livro bíblico que leva o seu nome. Foi ela que, com sua enorme beleza seduziu o general assírio Holofernes, inimigo dos israelitas. Participando do banquete para o qual Holofernes a convidou, aproveitando-se da embriaguês do comandante inimigo de seu povo, cortou-lhe a cabeça e a levou para Betúlia. Com isso, os israelitas atacaram os assírios que, sem seu grande líder, fugiram. O nome Judite significa “a judia” e passou a simbolizar as mulheres judias de muita fibra como Miriam, Débora e outras.
Sara, esposa de Abraão é um caso à parte na história dos hebreus, pois teve seu nome modificado por Deus. Seu nome anterior era Sarai. É possível que a mudança do nome, ou seja, a retirada do “i” tenha sido um símbolo provocado por Deus indicando que ela teria um filho, apesar de idade avançada (cerca de noventa anos). De acordo com os costumes da época, Sara, por ser estéril, deu a Abraão uma escrava, Agar. Dessa união nasceu Ismael, considerado o “pai” dos povos árabes.
Raquel, outra grande mulher judia, filha de Labão e irmã de Lia é considerada a “matriarca” dos israelitas. Foi a segunda esposa de Jacó, mãe de José e Benjamin. Jacó a amou desde a primeira vez que a viu, e por ela, trabalhou 14 anos para Labão, pai de sua amada.
E que dizer de Maria (Miriã)? Foi ela que, ainda adolescente, recebeu a visita do anjo Gabriel que a saudou com as palavras: “Alegra-te, agraciada!” E lhe revelou que seria mãe do Messias, ou seja, o Cristo.
É claro que existem outras não menos importantes mas, o espaço é insuficiente para contê-las, até porque outras, mais modernas, precisam ser citadas. Por isso, vamos falar de outras, elas também, de importância máxima na história do mundo, como Catarina, a czarina de todas as Rússias; Joana D'arc, a salvadora da França; Golda Meir, a primeira ministra de Israel que levou seu povo à vitória contra os árabes na Guerra dos Seis Dias. Elizabeth, tanto a primeira quanto a segunda, fundamentais na história da Inglaterra; Anita Garibaldi, a gaúcha que revolucionou a vida do grande revolucinário italiano.
Temos ainda que citar outras mulheres que moldaram seu tempo, deixando, de forma indelével, suas marcas como as brasileiras Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Maria Quitéria, Rachel de Qeiroz, Irmã Dulce, assim como a menina alemã Anne Frank, a argentina Eva Peron, a inglesa Agatha Christie, a pensadora Rosa de Luxemburgo, a química Marie Curie, Irmã Tereza de Calcutá, enfim, a lista não tem fim.
No caso específico do Amapá, temos grandes damas da educação e das artes como as professoras Deusolina Salles Farias, Aracy de Mont'Alverne, Lindalva, Caty, Ruth Bezerra, Vanda Jucá e artistas como Niná Barreto Nakanishi e damas como Leila Ghammachi que honram o Amapá e sua história.
Mãe Luzia, mãe de todos nós é capítulo à parte neste pequeno texto. Honra e glória de todos os amapaenses, é o mínimo que se pode dizer desta mulher negra extraordinária, que hoje, todo o Amapá reverencia.
Que sejam louvadas todas as pobres e humildes mulheres que honraram seus maridos e criaram seus filhos debruçadas sobre um tanque de lavar roupas. Suas mãos calosas provam a nós todos que a mulher não pode e não deve vender sua dignidade por trinta dinheiros.
No meu caso particular, minha homenagem especial va vai para minha mulher, dona Antonia, que abaixo de D'us se recusou a me deixar morrer quando andava eu vagando, perdido no Vale da Sombra da Morte.
Outro nome importante na história hebraica é o de Judite (Judith), que é a personagem principal do Livro bíblico que leva o seu nome. Foi ela que, com sua enorme beleza seduziu o general assírio Holofernes, inimigo dos israelitas. Participando do banquete para o qual Holofernes a convidou, aproveitando-se da embriaguês do comandante inimigo de seu povo, cortou-lhe a cabeça e a levou para Betúlia. Com isso, os israelitas atacaram os assírios que, sem seu grande líder, fugiram. O nome Judite significa “a judia” e passou a simbolizar as mulheres judias de muita fibra como Miriam, Débora e outras.
Sara, esposa de Abraão é um caso à parte na história dos hebreus, pois teve seu nome modificado por Deus. Seu nome anterior era Sarai. É possível que a mudança do nome, ou seja, a retirada do “i” tenha sido um símbolo provocado por Deus indicando que ela teria um filho, apesar de idade avançada (cerca de noventa anos). De acordo com os costumes da época, Sara, por ser estéril, deu a Abraão uma escrava, Agar. Dessa união nasceu Ismael, considerado o “pai” dos povos árabes.
Raquel, outra grande mulher judia, filha de Labão e irmã de Lia é considerada a “matriarca” dos israelitas. Foi a segunda esposa de Jacó, mãe de José e Benjamin. Jacó a amou desde a primeira vez que a viu, e por ela, trabalhou 14 anos para Labão, pai de sua amada.
E que dizer de Maria (Miriã)? Foi ela que, ainda adolescente, recebeu a visita do anjo Gabriel que a saudou com as palavras: “Alegra-te, agraciada!” E lhe revelou que seria mãe do Messias, ou seja, o Cristo.
É claro que existem outras não menos importantes mas, o espaço é insuficiente para contê-las, até porque outras, mais modernas, precisam ser citadas. Por isso, vamos falar de outras, elas também, de importância máxima na história do mundo, como Catarina, a czarina de todas as Rússias; Joana D'arc, a salvadora da França; Golda Meir, a primeira ministra de Israel que levou seu povo à vitória contra os árabes na Guerra dos Seis Dias. Elizabeth, tanto a primeira quanto a segunda, fundamentais na história da Inglaterra; Anita Garibaldi, a gaúcha que revolucionou a vida do grande revolucinário italiano.
Temos ainda que citar outras mulheres que moldaram seu tempo, deixando, de forma indelével, suas marcas como as brasileiras Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Maria Quitéria, Rachel de Qeiroz, Irmã Dulce, assim como a menina alemã Anne Frank, a argentina Eva Peron, a inglesa Agatha Christie, a pensadora Rosa de Luxemburgo, a química Marie Curie, Irmã Tereza de Calcutá, enfim, a lista não tem fim.
No caso específico do Amapá, temos grandes damas da educação e das artes como as professoras Deusolina Salles Farias, Aracy de Mont'Alverne, Lindalva, Caty, Ruth Bezerra, Vanda Jucá e artistas como Niná Barreto Nakanishi e damas como Leila Ghammachi que honram o Amapá e sua história.
Mãe Luzia, mãe de todos nós é capítulo à parte neste pequeno texto. Honra e glória de todos os amapaenses, é o mínimo que se pode dizer desta mulher negra extraordinária, que hoje, todo o Amapá reverencia.
Que sejam louvadas todas as pobres e humildes mulheres que honraram seus maridos e criaram seus filhos debruçadas sobre um tanque de lavar roupas. Suas mãos calosas provam a nós todos que a mulher não pode e não deve vender sua dignidade por trinta dinheiros.
No meu caso particular, minha homenagem especial va vai para minha mulher, dona Antonia, que abaixo de D'us se recusou a me deixar morrer quando andava eu vagando, perdido no Vale da Sombra da Morte.
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