segunda-feira, 25 de abril de 2011

ONDE ESTÁ A VERDADE?

Todo dia nos deparamos com a pergunta: onde está a verdade? No governo ou na oposição, perguntará o “homo politicus”? Em cima ou em baixo, perguntará o filósofo? Nos lares ou nos bares, questionará o boêmio? Dentro ou fora de nós? Responder é difícil, quase impossível. Para os crentes de todos os naipes está em Deus. Aliás, para eles, Deus é a verdade. E de forma inquestionável.
Mas há questões do dia-a-dia que precisam ser resolvidas, e isso só é possível se recebermos respostas certas. Por exemplo: a saúde pública tem melhorado ou piorado? Me-lhorou, diz o governo. Piorou, contesta a po-pulação. Colocamos mais leitos em hospitais, diz o mesmo governo. Falta muito mais, responde a população. E por que é importante responder questões como essa? Porque da resposta dependem nossas vidas, dependem as decisões que iremos tomar ou deixar de fazê-las, porque, enfim, mexe com o coti-diano de cada um de nós.
Mas a coisa vai mais longe. Qual o melhor produto. Este, dizem os publicitários. Aquele, dizem outros publicitários. E quem estará certo? Este ou aquele. Comprar ou não comprar, eis a questão, poderia ter dito o príncipe Hamlet.
E assim passam os dias, os meses e os anos e o discurso é sempre o mesmo. Eu estou certo, diz um. Errado, diz o outro. Enquanto isso, navegamos nossas vidas sobre o fio da nava-lha alheia.
Quando o governo fizer a sua parte e fornecer os números certos, tudo poderá ser melhor. Mas não vale enfeitar o pavão. Todo pavão é bonito. Mas, quando se olha os pés... Números, sabe-se, não erram jamais. É verdade. Mas também é verdade que podem ser manipulados.
Aproveitando a deixa, no dia em que a classe política - ela que tudo decide porque ainda que não queiramos tudo é política - partir de bases sólidas toda vez que fizer um enunciado qualquer, vida de todos nós me-lhorará, porque teremos a certeza, enfim, que não estará assentado sobre as areias da mentira que não sustentam sequer a si próprias.
Verdade verdadeira. É só disso que precisamos. Nada mais.

terça-feira, 29 de março de 2011

UM ASSALTO DIFERENTE

A Manchete estava lá, na tela do computador. A internet tem dessas vantagens, para quem é bisbilhoteiro profissional, também conhecido na roda dos que se levam demasiadamente a sério como jornalistas. “Gangue de pa-lhaços assalta bar no Reino Unido”, dizia o título da matéria. A fonte era mais que fidedigna: - a própria Reuters, em Londres, dava detalhes do assunto. “A polícia da cidade de Manchester, no norte da Inglaterra, buscava informações que a levasse a uma gangue de palhaços que assaltou um bar do município. Três homens vestidos com fantasias de pa-lhaços, algemaram um gerente e o ameaçaram com uma arma e uma faca antes de escapar com “uma pequena quantidade de dinheiro”. "Essa é uma equipe altamente organizada, que obviamente gastou um bom tempo planejando o assalto”, ressaltou a polícia.
A corporação também informou, que a gangue fugiu em uma van e escapou de uma perseguição policial, mesmo se envolvendo em três acidentes no caminho.”
É verdade, no Brasil somos dife-rentes. Para um assalto bem sucedido, primeiro é preciso se eleger para um cargo qualquer. Depois, é necessário que o cofre seja bem gordo. Mais ou menos no modelito ‘porquinho da vovó’. É fundamental que o acusado de praticar o furto, desvio, estelionato ou que outro nome se queira dar, alegue inocência até à morte. Se, além de jurar inocência e for acusado depois de cumprido o mandato, é conveniente que diga ser um reles desempregado. É preciso que se leve o leitor, digo, o eleitor às lágrimas. Quem sabe, uma peninha aqui, um pingo de piedade acolá, e uma boa dose de impunidade mais adiante, não se dá um novo cargo eletivo ao acusado? No Brasil, afinal de contas, tudo é possível.
A propósito, mais uma diferença importante entre o povo tupiniquim e os bretões: lá, os palhaços são assaltantes. Aqui, assaltados.

segunda-feira, 21 de março de 2011

UM AFRODISÍACO CHAMADO PODER

Que nenhum poderoso diga que vai se sacrificar para ocupar este ou aquele cargo de importância máxima para uma cidade, estado, região ou país porque não é verdade. Não à toa costuma-se dizer que o poder é afrodisíaco. No caso de alguns poderosos, hoje, é público e notório que acreditam - ou foram induzidos a acreditar - que o comunismo, socialismo ou equivalente foram e são a oitava maravilha do mundo. Bobagem. O passar do tempo prova que salvo as exceções de praxe, só os tolos não mudam de opinião. Aliás, Carlos Lacerda, que foi militante comunista na juventude, posteriormente deixou bem claro seu anticomunismo.



É claro que todos devemos ser contra políticos oligarcas, que se ocupam apenas da defesa de seus interesses pessoais. Mas até o seu desaparecimento completo, muito tempo ainda se passará, porque a juventude não acredita que política e decência podem ser irmãos siameses. Ainda hoje, aqui no Amapá, isso é uma triste realidade. Por exemplo, uma série de parlamentares e executivos são e foram fruto de suas respectivas oligarquias. Dizer que o poder é um ônus é apenas meia verdade, porque o bônus, no mais das vezes quem recebe é o próprio governante. Ao povo, não as batatas, mas o bônus de muitas vezes eleger quem não deveria sequer ser candidato.


Por isso, todo governante deveria dizer que o poder é, antes de mais nada, uma fonte de maravilhosas alegrias, salvo naqueles casos excepcionais, quando alguém é apanhado de surpresa para ocupar um cargo que nunca pretendeu.


O grande problema, é quando o poderoso vira um idólatra de si mesmo. E isso acontece com muitos. Alguns, tornam-se como que um Hitler, um Khadafi, um Fidel Castro, porque passa a pensar como se fosse um Luiz XIV e diz tolices como "L'État c'est moi" (O Estado sou eu).


A esperança de que o bom senso prevaleça sobre a cabeça dos que nos governam não morre jamais. Por isso, ainda se espera que as coisas mudem de aspecto. Só obstinados e vaidosos não reconhecem quando as coisas mudam.


Se hoje, um governante faz a coisa certa, deve ser elogiado. Caso contrário, deve ser espinafrado, pois é assim que anda a democracia. A verdadeira.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Muitas vezes, sem maior inspiração para escrever algo melhor, entro em delírio. Afinal de contas, preciso ocupar este espaço todo santo dia. Nessas horas, embarco numa nave intergalática que me leva para o planeta do surrealimso mais desvairado, onde tudo é possível. Até mesmo o que se segue:



A VAIA
A multidão, silenciosa, ouvia o deputado. Em dado momento, o puxa-saco, entusiasmado, bateu solitárias palmas. E o silêncio, revoltado, o vaiou ensurdecedoramente.

UMA CRUZ TRISTE DEMAIS
Lá estava o corpo estendido no chão. Ao lado, carpinteiros rústicos trabalhavam uma cruz, ela, rústica também. Depois, conscienciosamente, pregaram o corpo na cruz e a ergueram. Ao fundo, nuvens plúmbeas e negras colidiam indignadas, cheias da cólera divina, provocando comoção cósmica. Enquanto isso, a cruz de madeira, entristecida, derramava lágrimas de sangue, enquanto maldizia o lenhador que a abatera, para submetê-la a tão triste e indigno destino.


INCONGRUÊNCIA SEM FIM
Como é possível a um planeta tão bonito, tão azul, tão verde, tão dourado e tão rico, abrir-se para recolher em seu ventre, cadáveres que o poluirão, conspurcarão e depois o adubarão, para que mais vida nasça, para ao morrer, voltar àquele útero fétido, onde tudo começará novamente.

PREVIDENTE GRAVIDEZ
Entardece. Os últimos raios de sol tentam agarrar-se desesperadamente à Terra. Mas tudo é inútil. A noite implacável avança, cobrindo o mundo com seu negror absoluto. Mas, não se sabe se porque previdente ou porque o instinto materno fala mais alto, engravida do Sol um último raio luminoso. Para que possa parir o amanhecer de um novo dia.

INCOMPREENSÃO
A boneca olha a menina que lhe faz declarações de amor. Diz ser sua mamãe. Que mãe estranha essa, que se movimenta tanto, que não sabe que bonecas gostam mesmo é de silêncio, de imobilidade, de olhos vítreos que nada vêem e que têm naquela espécie de morte, a sua única razão de existir.


COMO SE ARANHA FOSSE
A aranha arranha o jarro. Não que queira arranhá-lo. O que quer, é sair daquela prisão de vidro translúcido.
Mas o jarro, se está prenhe de aranha, é porque aranha é. E para proteger a aranha que arranha seu útero, tece, laboriosamente, finas teias de vidro sobre a boca, para que ninguém ameace seu filhote, que lentamente vai cessando de arranhá-lo.