sábado, 19 de novembro de 2011

CANTARES



"CAMINHANTE, NÃO HÁ CAMINHO,
O CAMINHO É FEITO AO ANDAR.
AO ANDAR SE FAZ O CAMINHO
E AO OLHAR PARA TRÁS,
SE VÊ A SENDA QUE NUNCA
SE VAI VOLTAR A TRILHAR.
CAMINHANTE NÃO HÁ CAMINHO,
SOMENTE RASTROS NO MAR."
(Antonio Machado, poeta sevilhano)


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A DESCOBERTA


Este texto não é meu. Foi-me contado em sonhos. Meu mérito, presumindo-se que tenha algum, foi simplesmente o de transcrevê-lo.
“Sonhei que eras a brisa suave que varre o planeta. Quando te encontrei, supus ter visto um novo sol com o ­brilho fantástico de um milhão de sóis. Pensei que eras a água do mar, as estrelas do céu, o perfume da rosa, o carinho de quem passeia de mãos dadas pela beira do rio em tardes crepusculares, que cedem seu espaço para que a noite cálida nos aqueça o coração e nos traga em seu bojo o repouso do guerreiro e o sono dos justos.
Mas não foi só o que pensei. Pensei que eras a Justiça Divina, te vi negro como um zulu e elegante como a mulher masai; pensei que eras a velha Mãe-África e a Antártida ainda por ser descoberta. Imaginei fosses Netuno ou sereia encantada a dominar os mares, os rios, os lagos, os igarapés, os paranás, os furos e os igarapés-mirins. Mas só pude te conhecer quando senti na tua face poderosa, o imenso amor que tinhas para dar a todos os que te descobriram. És luz, és verdade. Mas de um outro tipo. És luz que não faz sombras. És amor, és dor, és humildade e piedade acrescida de doses imensas de generosidade. És o Inominado, o que não tem nome, e se o tiver, não pode ser escrito ou pronunciado. És a revolução na vida dos que Te encontram.  És Pai, Mãe e Irmão. És amigo e consolador dos aflitos, dos que gemem sob a miséria do abandono terrestre. És a cura, o vencedor da Morte e soberano de tudo o que há, pois és D’us Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, capaz de sacrificar o próprio e único Filho por amor a nosotros. Contigo perdi o medo, encontrei a coragem, deixei de temer a Morte, pois sei, a sorte está comigo se me amparas como mãe que, poderosa, ampara o filho querido.                                                 
Furacão dos mares, tufão da vida, ciclone de amor, nunca mais me deixes tão só, como sozinho percorri a estrada da vida, quando vagava, perdido, no Vale da Sombra da Morte, de onde saí para nunca mais voltar”.          


domingo, 6 de novembro de 2011

MUNDO CONTRÁRIO



Quero ser alvejado por setas de amor. Quero ser apedrejado com pedras de alegria. Quero, mais que quero, exijo tiros de amor, pauladas de amizade, pancadas de bem querer, chibatadas de gratidão, metralhadas de bênçãos. É isso que quero. Não quero mais as setas do ódio, as pedradas da ingratidão, o chicote do desprezo. Não mais suporto as adversidades da vida. Quero a paz de Pasárgada. Lá, não sou amigo do rei. Sou o próprio rei. Mas não quero o óleo fervente das profundezas do Hades. Quero ba-nhar-me nos igarapés da minha Amazônia natal. Recuso o Éstige que desce volumoso das cordilheiras do ódio. Quero Yeshuah ao meu lado. Mas quero longe de mim todos os Daímons das regiões ínferas.
Quero a minha mulher, a mulher dos meus devaneios, para que ela e somente ela, me embale em rede de amor. Quero sonhos e ilusões. Estou cansado de viver a vida real com seus pesadelos e ameaças sem fim. Quero minha Eva primeva. Aqui, só encontro Liliths. E de serpentes estou farto.
Quero ser Abrahão, Isaac e Jacob. Quero ser Salomão, David, Confúcio e Lao-Tsé. Quero ser Ghandi, Teresa de Calcutá e Dulce. Quero ser Eunice Weaver, quero ser Tolstói e Dostoiéviski. Mas não quero ser Paulo Coelho. Não quero ser Bill Gates, não quero ser Lula e nem Dilma. Quero ser apenas e tão somente Aadam. Ele conheceu o Paraíso. Eu, ainda não. Quem sabe um dia? Por que não? Se há luz que não faz sombra, é porque as possibilidades são, realmente, infinitas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ÚLTIMA VIAGEM


O velho marujo Anníbal Barcellos começou sua última viagem, ontem, 14 de agosto do ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois de 93 anos navegando nos tempestuosos mares da vida, partiu para o Mar da Serenidade, onde singrará por toda a eternidade.
Capitão de Mar e Guerra da Marinha Brasileira, o Comandante Barcellos, como era chamado, deixa atrás de si um impressionante legado político e administrativo. Foi o último governador nomeado pelo regime militar de 64 para o então Território Federal do Amapá, e exerceu o cargo no período de 1979 a 1985. Foi, também, o primeiro governador eleito do Estado do Amapá, após a transformação do Território do Amapá em Estado, em decorrência da promulgação da Constituição Federal de 2008, cargo que exerceu no período de 1991 a 1995. Antes, porém, foi eleito Deputado Federal no período de 1987 a 1991. Anníbal Barcellos também foi prefeito eleito de Macapá entre 1997 e 2001. Em 2004 foi eleito vereador municipal de Macapá e, ao fim do mandato em 2008, encerrou sua movimentada, brilhante e vitoriosa carreira.
Anníbal Barcellos foi, é e sempre será um referencial no exercício da arte da política. Os mais jovens, certamente, muito aprenderão com ele sobre a arte de governar, tão necessária para o fluir tranquilo entre os embates da vida política.
Sobre suas muitas realizações administrativas, não é este o momento mais adequado para comentários mais detalhados. Mas é importante dizer que, se hoje temos mais escolas, mais ruas, mais avenidas, mais praças e mais muitos mais, devemos a ele e seu modo simples de governar.
Agora que viaja em águas tranquilas sobre o Mar da Serenidade, desejamos do fundo do coração, que o velho marinheiro aporte sua nau no seguro Porto do Céu. Deus, na Sua infinita misericórdia, certamente designará um anjo-marujo para recepcioná-lo e dar-lhe boas vindas. Convém não esquecer que o Deus de Abrahão, também foi uma espécie de marujo, quando Seu Espírito deslizava sobre a superfície das águas onde sopravam fortes ventos, como nos ensina o Livro dos Livros.
Enquanto isso nós, ainda em terra firme, desejamos ao velho comandante uma boa viagem. Que tempestades e borrascas celestes jamais ocorram durante essa longa travessia.