... E A MORTE CHOROU
O homem pregado na cruz olhou para o passado, e ficou sem entender o que havia acontecido. Tudo o que sempre quisera, era levar paz ao coração de uma humanidade tão atormentada, que de humana tinha bem pouco. Mas como era de seu feitio a perdoou uma vez mais. Lembrou-se do pai, um carpinteiro tão devotado à esposa, que acreditara sem duvidar por um instante que fosse, naquela estranha história de concepção sem pecado. Se outrens não entenderam, ele entendeu porque era da sua natureza a compreensão absoluta de tudo o que há. Lembrou dias felizes, quando esculpia pássaros de barro, dava-lhes um sopro e se divertia vendo-os criar vida e voar em direção ao azul do céu de Israel, terra tão bela e tão conturbada, que não conheceria paz até o final dos tempos, porque assim estava escrito que seria. Pobre Israel! E derramou uma lágrima solitária pelo rosto vincado de dor. Lembrou seu breve tempo de contador de parábolas, e seu coração encheu-se de conforto, achando que aqueles ensinamentos seriam transmitidos geração após geração, até a consumação dos séculos. Lembrou de fatos que jamais seriam esquecidos. A viagem para o Egito, feita em lombo de burro, era um verdadeiro épico. Principalmente se levado em conta, que seu séquito era composto apenas de uma mulher de simplicidade extrema e seu marido. Gostava mesmo, era de lembrar seu nascimento. Aquela cena do presépio, pressentia, ficaria gravada na mente dos homens de boa vontade para todo o sempre. Mas houvera os tropeços e os enganos. Judas tinha sido o maior deles. Como pudera confiar naquele homem, indagava-se desde o momento em que fora preso?
A dor nas pernas quebradas doía demais. Sabia que não suportaria por muito tempo aquele sofrimento. Aqueles romanos sabiam como inflingir dor a alguém. De repente, deu um grito exasperado. Que necessidade tinha aquele soldado, de furar-lhe o ventre? Mereceriam esses seres de carbono, continuar sua miserável existência?, refletiu por um átimo de tempo, para arrepender-se em seguida. Como pudera pensar desse modo, logo Ele, que fora enviado para salvar os pecadores do mundo? Mas eram tão cruéis, esses homens que o Pai enviara para a dura missão de salvá-los. Às 15h não mais suportou tanto sofrer. Levantou os olhos para o alto e bradou: “Elli, Elli, lema sabachtani? O rosto pendeu sobre o peito, arfou um pouco mais e expirou, pondo fim à sua permanência na Terra dos Homens.
Nas fímbrias do Universo, bem dentro do lado obscuro do espaço sem fim, uma figura sombria encolhia-se numa das dobras do tempo. Estava triste. Mais que isso, estava amargurada. Começara sua existência no mesmo momento em que fora criado o primeiro vivente. Desde então matara sem cessar. Era a sua função. Por isso, o estereótipo que fizeram de si: uma Dama sombria, portando sempre a foice com que cortava o liame que prendia os seres à vida. Mas até ela, achara injusta a morte do Homem que acabara de matar. E por não suportar a missão de que a haviam encarregado, e à qual não poderia fugir, a Morte encolheu-se um pouco mais sobre si mesma, pôs as mãos descarnadas sobre o rosto descarnado também, e pela primeira vez em toda a sua existência, chorou como nenhum ser chorara antes e nem choraria depois.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
MULHERES INSPIRADORAS
Que o mundo é feio e mau, nenhuma dúvida. Por outro lado, que a vida é bela, também nenhuma dúvida. E por que isso acontece? Simplesmente porque o mundo é dual. O que seria do belo, se não fosse o feio? E do negro se o branco não existisse? Como seria o frio sem a noção do quente? É que o princípio das partidas dobradas explica tudo o que vemos, ouvimos e sentimos. É por isso que nos consola saber da existência de pessoas inspiradoras, que se contrapõem às pessoas depressivas, de mal com a vida e que, no geral, acabam trilhando o caminho do fracasso.
Foi por isso que li, com muita satisfação, a reportagem publicada na revista Cláudia de Outubro/2009, em que a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), conta histórias de sua vida, história essa que faria com que qualquer outra pessoa, menos forte e menos decidida, não sobrevivesse a tanto sofrimento moral e material. Nascida e criada até os três anos de idade numa penitenciária, porque sua mãe, condenada à prisão por homicídio, lá deu a luz à pequena Fátima, e lá a criou durante três anos. Convenhamos que não é qualquer mortal comum que consegue virar o jogo da vida e se tornar uma pessoa de muito sucesso e respeito como o é a deputada Fátima Pelaes, de quem tenho o prazer de ter sua amizade. Esclareça-se, porém, que não é o sentimento de carinho que tenho por ela que me leva a enaltecer suas qualidades. O faço por uma simples questão de justiça. Eu, que lutei todas as batalhas da vida, sei o quanto é difícil, não só sobreviver e ultrapassar todos os empecilhos que a vida coloca em todos os caminhos trilhados pelos humanos, esses estranhos animais feitos à base de carbono. É por isso que realço o valor dessa mulher inspiradora que, tendo tudo para que a derrota fosse o seu prêmio, brinda a todos nós com o seu sucesso, mostrando que tudo é possível, quando a força de vontade é maior que o desânimo que muitas vezes nos é colocado à porta.
Fátima Pelaes, que está em seu quarto mandato como deputada federal, é considerada como uma das parlamentares mais sérias da Câmara Federal, responsável por leis como a que determina eu as unidades prisionais tenham um berçário decente par amamentação e uma creche para que os filhos permaneçam com suas mães, na prisão, até os sete anos de idade. Ela também relatou a CPI sobre o extermínio de crianças e adolescentes; presidiu a CPI que investigou a mortalidade materna no país e criou a lei que estendeu a licença-maternidade para mães adotivas. Atualmente, tem convocado audiências públicas para discutir o aumento da pedofilia no Brasil.
Outra mulher inspiradora é a também deputada federal Dalva Figueiredo (PT-AP). De simples professora amapaense, título o mais honroso de quantos possam existir, porém mal remunerado, através da capacidade política foi vice-governadora e governadora do Estado do Amapá. Além disso, elegeu-se deputada federal e tem, à sua frente, uma bela estrada a ser trilhada no campo da política.
É de mulheres assim, vitoriosas, cheias de garra que o Amapá precisa. Não se precisa, também, de homens assim?, perguntarão meus seis leitores. É claro que precisamos, sim. A diferença é que, enquanto a Câmara Federal, de um total de 513 parlamentares, tem apenas 45 mulheres, contra 468 homens, ou seja, menos de 10% do total. Se as mulheres são maioria no Brasil, por que têm que ser tão poucas no parlamento?
Que fique e prolifere o exemplo dessas duas mulheres que, oriundas de uma vida pobre e cheia de dificuldades, são espelhos onde devemos nos mirar e andar, sempre para a frente e para o alto.
Que o mundo é feio e mau, nenhuma dúvida. Por outro lado, que a vida é bela, também nenhuma dúvida. E por que isso acontece? Simplesmente porque o mundo é dual. O que seria do belo, se não fosse o feio? E do negro se o branco não existisse? Como seria o frio sem a noção do quente? É que o princípio das partidas dobradas explica tudo o que vemos, ouvimos e sentimos. É por isso que nos consola saber da existência de pessoas inspiradoras, que se contrapõem às pessoas depressivas, de mal com a vida e que, no geral, acabam trilhando o caminho do fracasso.
Foi por isso que li, com muita satisfação, a reportagem publicada na revista Cláudia de Outubro/2009, em que a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), conta histórias de sua vida, história essa que faria com que qualquer outra pessoa, menos forte e menos decidida, não sobrevivesse a tanto sofrimento moral e material. Nascida e criada até os três anos de idade numa penitenciária, porque sua mãe, condenada à prisão por homicídio, lá deu a luz à pequena Fátima, e lá a criou durante três anos. Convenhamos que não é qualquer mortal comum que consegue virar o jogo da vida e se tornar uma pessoa de muito sucesso e respeito como o é a deputada Fátima Pelaes, de quem tenho o prazer de ter sua amizade. Esclareça-se, porém, que não é o sentimento de carinho que tenho por ela que me leva a enaltecer suas qualidades. O faço por uma simples questão de justiça. Eu, que lutei todas as batalhas da vida, sei o quanto é difícil, não só sobreviver e ultrapassar todos os empecilhos que a vida coloca em todos os caminhos trilhados pelos humanos, esses estranhos animais feitos à base de carbono. É por isso que realço o valor dessa mulher inspiradora que, tendo tudo para que a derrota fosse o seu prêmio, brinda a todos nós com o seu sucesso, mostrando que tudo é possível, quando a força de vontade é maior que o desânimo que muitas vezes nos é colocado à porta.
Fátima Pelaes, que está em seu quarto mandato como deputada federal, é considerada como uma das parlamentares mais sérias da Câmara Federal, responsável por leis como a que determina eu as unidades prisionais tenham um berçário decente par amamentação e uma creche para que os filhos permaneçam com suas mães, na prisão, até os sete anos de idade. Ela também relatou a CPI sobre o extermínio de crianças e adolescentes; presidiu a CPI que investigou a mortalidade materna no país e criou a lei que estendeu a licença-maternidade para mães adotivas. Atualmente, tem convocado audiências públicas para discutir o aumento da pedofilia no Brasil.
Outra mulher inspiradora é a também deputada federal Dalva Figueiredo (PT-AP). De simples professora amapaense, título o mais honroso de quantos possam existir, porém mal remunerado, através da capacidade política foi vice-governadora e governadora do Estado do Amapá. Além disso, elegeu-se deputada federal e tem, à sua frente, uma bela estrada a ser trilhada no campo da política.
É de mulheres assim, vitoriosas, cheias de garra que o Amapá precisa. Não se precisa, também, de homens assim?, perguntarão meus seis leitores. É claro que precisamos, sim. A diferença é que, enquanto a Câmara Federal, de um total de 513 parlamentares, tem apenas 45 mulheres, contra 468 homens, ou seja, menos de 10% do total. Se as mulheres são maioria no Brasil, por que têm que ser tão poucas no parlamento?
Que fique e prolifere o exemplo dessas duas mulheres que, oriundas de uma vida pobre e cheia de dificuldades, são espelhos onde devemos nos mirar e andar, sempre para a frente e para o alto.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
DALVA FIGUEIREDO DEFENDE REDUÇÃO DE PREÇOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL AMAZÔNICA
A deputada federal Dalva Figueiredo (PT-AP), participou no último dia 21 de Outubro, da discussão na Comissão da Amazônia, a regionalização da tabela de custos do Sistema Nacional de Preços e Índices para Construção Civil (SINAPI), durante a audiência pública Preços e a Constante Paralisação das Obras Públicas Contratadas junto a Caixa Econômica Federal na Região Norte.
Segundo a deputada petista, os parlamentares se comprometem com os municípios levando expectativas e liberação de recursos, mas na hora da execução, há problemas por causa dos custos. “O que pretendemos é uma tabela que reflita a realidade, que seja feita dentro de padrões técnicos. ´´E necessário que a Caixa ou outro órgão responsável encontre uma alternativa para fazer essa adequação e resolver o problema”, afirmou Dalva Figueiredo.
A postura da deputada na firme defesa dos interesses amazônicos é de fundamental importância, porque todos sabemos que a região jamais teve o tratamento diferenciado que merece. No caso específico do Amapá, é público e notório que nossas dificuldades são maiores, em função do isolamento geográfico que sofremos em relação aos centros do poder.
A deputada também afirmou que, de sua parte, não descansará até conseguir esse objetivo. Até porque, com mais facilidades, a construção civil pode fazer baixar, e muito, o nível de desemprego entre nós, porque ela é o setor econômico que mais absorve mão de obra, diminuindo, portanto, o nosso ainda alto nível de desemprego.
A deputada federal Dalva Figueiredo (PT-AP), participou no último dia 21 de Outubro, da discussão na Comissão da Amazônia, a regionalização da tabela de custos do Sistema Nacional de Preços e Índices para Construção Civil (SINAPI), durante a audiência pública Preços e a Constante Paralisação das Obras Públicas Contratadas junto a Caixa Econômica Federal na Região Norte.
Segundo a deputada petista, os parlamentares se comprometem com os municípios levando expectativas e liberação de recursos, mas na hora da execução, há problemas por causa dos custos. “O que pretendemos é uma tabela que reflita a realidade, que seja feita dentro de padrões técnicos. ´´E necessário que a Caixa ou outro órgão responsável encontre uma alternativa para fazer essa adequação e resolver o problema”, afirmou Dalva Figueiredo.
A postura da deputada na firme defesa dos interesses amazônicos é de fundamental importância, porque todos sabemos que a região jamais teve o tratamento diferenciado que merece. No caso específico do Amapá, é público e notório que nossas dificuldades são maiores, em função do isolamento geográfico que sofremos em relação aos centros do poder.
A deputada também afirmou que, de sua parte, não descansará até conseguir esse objetivo. Até porque, com mais facilidades, a construção civil pode fazer baixar, e muito, o nível de desemprego entre nós, porque ela é o setor econômico que mais absorve mão de obra, diminuindo, portanto, o nosso ainda alto nível de desemprego.
BATRACOMIOMÁQUIA
Batracomiomáquia. Calma. Antes que comecem a me apedrejar por causa desse palavrão, é necessário que fique bem claro que o nome não é criação minha. É de Homero. Sim, aquele poeta grego que poucos conhecem, autor de a Ilíada, obra que bem menos conhecem. Homero é personagem sobre cuja vida pouco se sabe, uma vez que foi cercada de lendas. Diz-se que seu nascimento ocorreu em Esmirna, cidade da Ásia Menor, no entanto, outras seis reclamam esse privilégio. Seu nome, segundo diversas etimologias, significa “refém”, por ter sido soldado em sua juventude e ter sido prisioneiro e retido como garantia de guerra. O “Cego”, como o chamavam, tornou-se mendigo e sobrevivia andando de cidade em cidade cantando como jogral. Porém, uma das curiosidades desse autor de uma das mais clássicas obras literárias que o mundo já conheceu, é que tinha o seu lado humorístico bem acentuado. Por isso, talvez, tenha escrito essa pequena obra intitulada “Batracomáquia”, que fala de uma guerra entre ratos e rãs.
Longe de mim a ideia que a obra tenha qualquer semelhança com a guerra que travam, desde sempre, os ratos e os batráquios da política, particularmente aquela travada entre o “Sapo Barbudo”, criação imortal de Leonel Brizola e outros ratos de seu tempo. De certo, o que temos é que um dia, um rato, submergindo sua barba à beira de um lago, viu uma rã tagarela que morava no lago.
Inchabochechas – Quem és tu, estranho. Dize-mo a verdade, e em troca dar-te-ei tanta hospitalidade que, possivelmente, minha casa nunca mais queiras deixar. Eu sou Inchabochechas, e no lago me honram como perpétuo caudilho das rãs. Meu pai chamava-se Lodoso e minha mãe Rainha das Águas. Noto que és formoso e forte, mais ainda que outros; e deves ser portador de certo e valoroso combatente nas batalhas. Mas, dize-me rápido, tua linhagem.
Furtamigalhas – Por que me perguntas minha linhagem, se ela é conhecida de todos os homens e deuses. Eu me chamo Furtamigalhas e sou filho
do poderoso Róipão e tenho por mãe Lambetentes, filha do rei Róipresunto. Mas, como poderemos ser amigos, se temos naturezas muito diferentes? Tua vida está na água e eu costumo roer o que os homens possuem. Nada se me escapa. Nem o pão guardado em cestos ou a torta recheada de gergelim; não dispenso presunto, queijo, doces de leite e nem nada que produzam os cozinheiros para os festins dos mortais. Nunca fugi da gritaria das mais horrendas batalhas, mas me junto aos combatentes mais avançados, porque sei que lá terei muitas recompensas. Meu único temor diz respeito aos gaviões e doninhas. Com relação a esta, nem na minha toca estou seguro. Odeio, porém, couves, abóboras e verdes acelgas.
Inchabochechas – Noto que muito te envaideces das coisas do ventre. Quanto a nós, rãs, temos coisas admiráveis de se ver, tanto na água como na terra. Se tens dúvidas sobre o que digo, é fácil comprovar-te. Sobe às minhas costas e te mostrarei meu palácio. O resultado é que, em aparecendo uma Hidra, a rã merguhou no lago, esquecendo Furtamigalhas que morreu afogado.
Por causa desse acontecimento é que foi deflagrada a guerra entre ratos e rãs. Quanto aos deuses, convocados por Zeus, decidiram que o melhor era não se meter numa briga que não era deles pois, como sempre acontece, poderiam ter sérios prejuízos se não adotassem a neutralidade. E assim fizeram.
Entretanto, um destemido guerreiro roedor chamado Roubaparte, pediu o comando do exército de roedores e partindo para o ataque, certo de que destruiria o exército de batráquios. E assim teria feito não fosse a ajuda que as rãs receberam de Cronion, pai dos deuses e dos homens. Foi por isso que Zeus, compadecendo-se das rãs, enviou-lhes como auxiliares, animais de garras curvas, andar oblíquo, pés torcidos e bocas como tesouras, de pele crustácea, de consistência óssea, de costas largas e reluzentes e oito pés chamados caranguejos. Lançados ao combate, cortaram com suas largas tesouras as caudas, os pés e as mãos dos ratos que, percebendo a extensão da tragédia que se abatera sobre eles, fugiram espavoridos para que não fossem dizimados.
Segundo conta a história, o combate durou apenas um dia, terminando com a vitória das rãs.
Quanto a um certo país onde vivia a donzela Iracema, aquela que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, a guerra continua. E tudo indica que, ao contrário do que ocorreu na famosa batalha chamada Batracomiomáquia, a guerra entre ratos e rãs, que terminou com a vitória das rãs, pelo andar da carruagem, deve terminar com a esmagadora vitória do Sapo Barbudo. As eleições estão às portas. 2010 vem aí. E até onde sei, Zeus não está em aí para nosotros.
Batracomiomáquia. Calma. Antes que comecem a me apedrejar por causa desse palavrão, é necessário que fique bem claro que o nome não é criação minha. É de Homero. Sim, aquele poeta grego que poucos conhecem, autor de a Ilíada, obra que bem menos conhecem. Homero é personagem sobre cuja vida pouco se sabe, uma vez que foi cercada de lendas. Diz-se que seu nascimento ocorreu em Esmirna, cidade da Ásia Menor, no entanto, outras seis reclamam esse privilégio. Seu nome, segundo diversas etimologias, significa “refém”, por ter sido soldado em sua juventude e ter sido prisioneiro e retido como garantia de guerra. O “Cego”, como o chamavam, tornou-se mendigo e sobrevivia andando de cidade em cidade cantando como jogral. Porém, uma das curiosidades desse autor de uma das mais clássicas obras literárias que o mundo já conheceu, é que tinha o seu lado humorístico bem acentuado. Por isso, talvez, tenha escrito essa pequena obra intitulada “Batracomáquia”, que fala de uma guerra entre ratos e rãs.
Longe de mim a ideia que a obra tenha qualquer semelhança com a guerra que travam, desde sempre, os ratos e os batráquios da política, particularmente aquela travada entre o “Sapo Barbudo”, criação imortal de Leonel Brizola e outros ratos de seu tempo. De certo, o que temos é que um dia, um rato, submergindo sua barba à beira de um lago, viu uma rã tagarela que morava no lago.
Inchabochechas – Quem és tu, estranho. Dize-mo a verdade, e em troca dar-te-ei tanta hospitalidade que, possivelmente, minha casa nunca mais queiras deixar. Eu sou Inchabochechas, e no lago me honram como perpétuo caudilho das rãs. Meu pai chamava-se Lodoso e minha mãe Rainha das Águas. Noto que és formoso e forte, mais ainda que outros; e deves ser portador de certo e valoroso combatente nas batalhas. Mas, dize-me rápido, tua linhagem.
Furtamigalhas – Por que me perguntas minha linhagem, se ela é conhecida de todos os homens e deuses. Eu me chamo Furtamigalhas e sou filho
do poderoso Róipão e tenho por mãe Lambetentes, filha do rei Róipresunto. Mas, como poderemos ser amigos, se temos naturezas muito diferentes? Tua vida está na água e eu costumo roer o que os homens possuem. Nada se me escapa. Nem o pão guardado em cestos ou a torta recheada de gergelim; não dispenso presunto, queijo, doces de leite e nem nada que produzam os cozinheiros para os festins dos mortais. Nunca fugi da gritaria das mais horrendas batalhas, mas me junto aos combatentes mais avançados, porque sei que lá terei muitas recompensas. Meu único temor diz respeito aos gaviões e doninhas. Com relação a esta, nem na minha toca estou seguro. Odeio, porém, couves, abóboras e verdes acelgas.
Inchabochechas – Noto que muito te envaideces das coisas do ventre. Quanto a nós, rãs, temos coisas admiráveis de se ver, tanto na água como na terra. Se tens dúvidas sobre o que digo, é fácil comprovar-te. Sobe às minhas costas e te mostrarei meu palácio. O resultado é que, em aparecendo uma Hidra, a rã merguhou no lago, esquecendo Furtamigalhas que morreu afogado.
Por causa desse acontecimento é que foi deflagrada a guerra entre ratos e rãs. Quanto aos deuses, convocados por Zeus, decidiram que o melhor era não se meter numa briga que não era deles pois, como sempre acontece, poderiam ter sérios prejuízos se não adotassem a neutralidade. E assim fizeram.
Entretanto, um destemido guerreiro roedor chamado Roubaparte, pediu o comando do exército de roedores e partindo para o ataque, certo de que destruiria o exército de batráquios. E assim teria feito não fosse a ajuda que as rãs receberam de Cronion, pai dos deuses e dos homens. Foi por isso que Zeus, compadecendo-se das rãs, enviou-lhes como auxiliares, animais de garras curvas, andar oblíquo, pés torcidos e bocas como tesouras, de pele crustácea, de consistência óssea, de costas largas e reluzentes e oito pés chamados caranguejos. Lançados ao combate, cortaram com suas largas tesouras as caudas, os pés e as mãos dos ratos que, percebendo a extensão da tragédia que se abatera sobre eles, fugiram espavoridos para que não fossem dizimados.
Segundo conta a história, o combate durou apenas um dia, terminando com a vitória das rãs.
Quanto a um certo país onde vivia a donzela Iracema, aquela que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, a guerra continua. E tudo indica que, ao contrário do que ocorreu na famosa batalha chamada Batracomiomáquia, a guerra entre ratos e rãs, que terminou com a vitória das rãs, pelo andar da carruagem, deve terminar com a esmagadora vitória do Sapo Barbudo. As eleições estão às portas. 2010 vem aí. E até onde sei, Zeus não está em aí para nosotros.
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