Todos temos pelo menos uma ideia de quem foi Josué, o hebreu que sucedeu a Moisés na condução do povo de Israel à Terra Santa, depois de libertados de séculos de escravidão egípcia. A história de Josué é de uma magnitude que poucos de nós imaginam e, com certeza, foi um dos maiores líderes do povo judeu e mesmo, pode-se dizer, da história universal. A ela, portanto.
JOSUÉ (Jeshua, Ieshua, Iehoshua, Yehoshua – Filho de Num, general e sucessor de Moisés (Mochê, Moshe, significando “retirado das águas” ou “nascido das águas”. Seu nome verdadeiro foi trocado de Oséias, que mantém o significado de “socorro” ou, segundo outra tradução, “salvador”, para o de Josué, ou Iehoshua, significando “YHWH (Javeh) é o Socorro” ou “YHWH é o Salvador”. No caso, YHWH (tetragrama que entre os hebreus era o nome de Deus no seu sentido mais verdadeiro, ou seja, significando o Impronunciável). Sabe-se que entre os árabes, o nome de Alá (Allah) é Deus, aquele que tem 100 nomes, dos quais o último não pode ser pronunciado. A propósito, a palavra Deus - (Ser considerado pelas religiões como absolutamente superior, perfeito, Criador do Universo) - não porta nenhum significado ou sentido último. Apenas nos coloca diante da fé nele. Muito embora o ser humano tenha conquistado enorme conhecimento e desenvolvido seu intelecto, ainda assim, é incapaz de verdadeiramente entender e conceituar a Deus, limitando-se a ter fé. Deus é uma entidade que não tem propriamente nome, quando nos atemos aos vocábulos usados no Velho e no Novo Testamento. Algumas palavras como Javeh, Jeovah, Elohim ou Adonai, são utilizadas como forma de nos auxiliar em nossas experiências com Deus e outras são agregadas a estas, denotando o tipo de experiência que tivemos.
Mas, voltando ao nome JOSUÉ (Ieshua (Jesus em aramaico, língua original do Mestre, pois antes de ser judeu, era arameu), pertencia Josué à tribo de Efraim (segundo filho de José e neto de Jacó (Jacob). Efraim também é nome de uma das 12 tribos de Israel (nome posterior de Jacob, filho de Isaac, significando Jacob “Deus proteja” ou, porque o nome se aproxima do verbo aqab, que é igual a “enganar, ludibriar”, porque Jacob enganou seu irmão Esaú, ou ainda a origem do nome de Jacob possa vir de Aqêb (Aqueb, que tem o significado de “calcanhar), porque nasceu segurando o calcanhar do irmão. E porque Jacob lutou com um Anjo de Deus às margens do Jaboque, teve o nome modificado para Israel, que significa “Forte como Deus” ou “Que lutou com Deus”. Apenas como detalhe, o sufixo “el”, que se encontra em nomes como Daniel e Rafael, tem o significado de Deus, em hebraico. Por exemplo: Daniel significa “Deus é meu juiz”; Rafael, igual a “Deus cura”, e assim por diante.
De modo que Josué foi escolhido para ser o herdeiro da liderança de Moisés para conduzir o povo hebreu (Ivrim ou Ibrim. Essa denominação pode ser advinda da expressão ever ha-nahar, que tem o significado de “aquele que vem do outro lado do rio”, uma referência ao Rio Eufrates. Outros, porém, acreditam que o nome hebreu venha de Heber, bisneto de Sem. O certo é que Josué conquistou a Terra Prometida, também chamada Terra Santa ou Canaã. Canaã, como se sabe, era a terra dos fenícios, mencionada já em inscrições egípcias datadas de 1800 a. C, e compreendia todo o território, cuja extensão não se pode precisar com certeza. Mais tarde, foi conhecido como Palestina, por causa da invasão dos filisteus (povo originário de Creta ou Caftorim. A palavra Filistim (Palestina) foi usada pelos gregos para designar toda a Canaã.
Entre os feitos de Josué, pode-se citar, além da conquista da Terra Santa, foi a travessia do Rio Jordão a pé, enxuto e com todas as tribos de Israel. Outro feito foi a derrubada dos muros de Jericó (cidade cananeia, também conhecida como a “Cidade das Palmeiras”). Josué morreu com 110 anos e foi sepultado no monte Efraim.
Josué foi o nome de um dos maiores líderes da história. Não esqueçamos que nós e o povo hebreu temos tudo a ver, porque são os nossos referenciais, tanto no que se refere à nossa religiosidade como aos nossos valores morais e intelectuais. Hebreus e gregos foram, creio, as duas maiores civilizações de todos os tempos, porque nos deixaram lições de ética, estética, cultura (com destaque para a filosofia), valores morais e religiosos, independentemente da religião que professemos ou não.
É claro que meu objetivo foi dar apenas uma pálida do que o nome de Josué significou para os judeus e para nós, também. Sem exagero, pode-se afirmar que ele foi um daqueles líderes que, por sua coragem, força e determinação, mudou a cara do mundo. E essa mudança é visível ainda hoje, e quero crer que assim será para sempre. Para se estudar a vida desse homem extraordinário, seria preciso escrever obra alentada, o que não me é possível, pois faltam-se talento, competência e conhecimento para tanto. Mas, se puder acrescentar alguma coisa aos conhecimentos de meus seis leitores, já terá valido a pena ter escrito este texto.
sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
OS VIRA LATAS DO BRASIL
Há alguns anos, a Secretaria de Saúde, através do seu Departamento de Zoonoses, realizou o primeiro censo canino do Amapá. A ideia foi boa. Mas, como não poderia deixar de ser, ousei discordar dos números. A previsão era que existissem, cerca de 33 mil cães, em Macapá. Se a Secretaria estivesse apenas se referindo aos canídeos, poderia até ter concordado.
Do censo, participaram cães de luxo, cães de caça, cães de caça e tiro, cães guias. Com certeza, não faltaram os importantíssimos cães de guarda e de companhia. Dificilmente foi cadastrado algum cão d'água, apesar dos alagamentos que já nos são familiares nas épocas invernosas.
A palavra cão tem origem latina. E nobre, pasmem. Vem de canis e até a Idade Média contrapunha-se, na Espanha, a perro, termo pejorativo e popular. Catulus, era a forma latina para cachorrinho, cãozinho, com o devido perdão do grande Catulo da Paixão Cearense.
É claro que o censo canino encontrou galgos, bassês, beagles, terriers, pastores. É possível que tenha encontrado algum setter irlandês, um cocker spaniel e quem sabe, algum pointer inglês. Filas brasileiros, com certeza se contaram às dezenas. Dobermans, também. A crescente criminalidade e violência assim o exigem.
Não foram encontrados cães esquimós. Seria demasiada crueldade. O dog alemão não faltou, claro. Mas faltaram os São Bernardos. Seriam úteis entre nós. Muitos dos nossos "papudinhos" adorariam ter um cão que fosse até o bar da esquina e retornasse com uma generosa dose de cachaça. Daquela que matou o guarda.
Mas a minha discordância quanto ao número de cães ou de cachorros, como preferirem, prende-se à existência de outros tipos de canídeos. Canídeos de duas patas, esclareça-se.
Quantos serão os vira-latas da política, indago? E os mastins das corporações policiais? Quantos serão os lobos do empresariado e as hienas do banditismo que campeia solto entre nós? E os chacais sem escrúpulos da administração? Quantos serão? Não esqueçamos que lobos, hienas e chacais, tem a mesma ancestralidade. Convém não esquecer os cachorros de madames. Claro que não estou me referindo aos chichuhaua, os malteses, pequineses e os lulus da Pomerânia. Temos também o cachorro sem-vergonha. Atende pelo nome de marido, aquele que cometeu o crime supremo de divertir-se sem a companhia da matrona. Matronas, como se sabe, são gordas. Gordas e infelizes. Pior, gordas e com bigodes. Não existem matronas sem bigodes, daí a neces-sidade do pobre diabo encher solenemente a cara, na tentativa de esquecer que ela, a gorda, espera por ele no lar, doce lar.
Mas, senhores do censo canino, tende piedade dos vira-latas, os legítimos. São a cara do Brasil. Não têm lar, não têm casa, não tem carinho. Canino ou humano. Nunca ninguém os afagou e olhou nos seus olhos sequiosos de amor. De seu, só têm a lata de lixo alheia.
Por isso, e porque o único amor verdadeiro que um ser humano pode ter é o amor de um cão, do seu cão, tende piedade dos vira-latas do Brasil. As almas de milhões de cachorrinhos que já viajaram para os sagrados campos de caça da eternidade, com certeza brilharão de agradecimento. E um coração humano, que uma vez recebeu todo o amor que há, através do olhar de um cachorro que tinha nome e sobrenome, agradece também.
Do censo, participaram cães de luxo, cães de caça, cães de caça e tiro, cães guias. Com certeza, não faltaram os importantíssimos cães de guarda e de companhia. Dificilmente foi cadastrado algum cão d'água, apesar dos alagamentos que já nos são familiares nas épocas invernosas.
A palavra cão tem origem latina. E nobre, pasmem. Vem de canis e até a Idade Média contrapunha-se, na Espanha, a perro, termo pejorativo e popular. Catulus, era a forma latina para cachorrinho, cãozinho, com o devido perdão do grande Catulo da Paixão Cearense.
É claro que o censo canino encontrou galgos, bassês, beagles, terriers, pastores. É possível que tenha encontrado algum setter irlandês, um cocker spaniel e quem sabe, algum pointer inglês. Filas brasileiros, com certeza se contaram às dezenas. Dobermans, também. A crescente criminalidade e violência assim o exigem.
Não foram encontrados cães esquimós. Seria demasiada crueldade. O dog alemão não faltou, claro. Mas faltaram os São Bernardos. Seriam úteis entre nós. Muitos dos nossos "papudinhos" adorariam ter um cão que fosse até o bar da esquina e retornasse com uma generosa dose de cachaça. Daquela que matou o guarda.
Mas a minha discordância quanto ao número de cães ou de cachorros, como preferirem, prende-se à existência de outros tipos de canídeos. Canídeos de duas patas, esclareça-se.
Quantos serão os vira-latas da política, indago? E os mastins das corporações policiais? Quantos serão os lobos do empresariado e as hienas do banditismo que campeia solto entre nós? E os chacais sem escrúpulos da administração? Quantos serão? Não esqueçamos que lobos, hienas e chacais, tem a mesma ancestralidade. Convém não esquecer os cachorros de madames. Claro que não estou me referindo aos chichuhaua, os malteses, pequineses e os lulus da Pomerânia. Temos também o cachorro sem-vergonha. Atende pelo nome de marido, aquele que cometeu o crime supremo de divertir-se sem a companhia da matrona. Matronas, como se sabe, são gordas. Gordas e infelizes. Pior, gordas e com bigodes. Não existem matronas sem bigodes, daí a neces-sidade do pobre diabo encher solenemente a cara, na tentativa de esquecer que ela, a gorda, espera por ele no lar, doce lar.
Mas, senhores do censo canino, tende piedade dos vira-latas, os legítimos. São a cara do Brasil. Não têm lar, não têm casa, não tem carinho. Canino ou humano. Nunca ninguém os afagou e olhou nos seus olhos sequiosos de amor. De seu, só têm a lata de lixo alheia.
Por isso, e porque o único amor verdadeiro que um ser humano pode ter é o amor de um cão, do seu cão, tende piedade dos vira-latas do Brasil. As almas de milhões de cachorrinhos que já viajaram para os sagrados campos de caça da eternidade, com certeza brilharão de agradecimento. E um coração humano, que uma vez recebeu todo o amor que há, através do olhar de um cachorro que tinha nome e sobrenome, agradece também.
UM OLHAR SOBRE A VELHICE
A única opção para o envelhecer é o morrer. A frase pode até parecer dura, mas como negá-la? Um estranho fenômeno acontece neste fase ainda inicial do século XXI. O tempo de vida do ser humano sobre a superfície do planeta aumentou, porém, na mesma medida. o velho perdeu prestígio, importância e o respeito de que gozava, outrora. O mundo é jovem. Ou dos jovens, como preferirem.
Mas, a pergunta que ninguém quer responder é: qual opção resta a esse mesmo mundo, ou aos jovens, para que a velhice não os alcance, se a fonte da eterna juventude ainda não foi descoberta, muito embora alguns tentem, desesperadamente, adiar o momento fatal em que se descobrirão irremediavelmente velhos?
Houve um tempo em que os homens velhos e as velhas mulheres eram respeitados pela velhice em si, porque representavam um enorme acúmulo de sabedoria. O conselho dos anciãos prevaleceu em todas as culturas, em todos os cantos e recantos do planeta.
Cícero, o Velho, quem não o admirou? E Catão, também conhecido como o Velho. E Deus Todo Poderoso? Por que será que os homens insistem em representá-Lo sob a forma de um homem velho? Quando Moisés conduziu seu povo pelo deserto do Sinai, já tinha os cabelos embranquecidos pelas intempéries da vida. E Abraão e Noé, alguém lembra suas imagens sob a forma de formosos jovens? Zeus, o supremo deus da mitologia grega não era jovem.
Entre os grandes generais, só Alexandre, o Grande, é lembrado como jovem. Até porque morreu aos 32 anos, deixando um vasto império atrás de si. Temujim, o mongol conhecido como Gêngis Khan, varreu sob sua espada, tudo o que encontrou das estepes asiáticas até a Europa. Mas são exceções. Michelangelo de há muito já perdera o viço da juventude quando pintou a Capela Sistina. Entretanto, o mundo é jovem.
Ah! Pobres e desgraçados velhos do meu Brasil que já foi bem mais varonil. Ai dos velhos, bem poderia ter dito César, do alto da sua juventude. Entretanto, como viver sem eles, se eles somos nós amanhã? Essa é a grande questão. Que velhos deixaremos ao Brasil de amanhã? Ou pior, que tipo de velhos nos governam, hoje?
Velhos, sabe-se, existem de todos os tipos. Ve-lhos bons e velhos maus. Velhos honestos e velhos bandidos, velhos velhacos e velhos e conhecidos ladrões; velhos sábios e velhos idiotas.
Certa vez, dialongando com um jovem, enchi-me de ironia e ataquei:
- Juventude é um mal que desaparece com o tempo, lancei-lhe sobre o rosto, a frase cheia de bílis. Ao que ele respondeu, pleno de sabedoria:
- Jamais respeite um homem somente por seus cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem.
Amargurado, olhei-me no espelho no espelho e vi cabelos brancos que na véspera não estavam lá. Hoje, sinto-me um pouco mais amargo por causa daquele jovem. Precisava ele lançar-me verdade tão dura? Claro que precisava. A crueldade é uma das características mais fortes da juventude. E por quê estou mais amargo? Porque olho para os velhos que nos dirigem. E todas as vezes que os olho, fico a pensar nas palavras daquele jovem tão prenhe de sabedoria: - Jamais respeite um homem apenas por seus cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem.
Mas, a pergunta que ninguém quer responder é: qual opção resta a esse mesmo mundo, ou aos jovens, para que a velhice não os alcance, se a fonte da eterna juventude ainda não foi descoberta, muito embora alguns tentem, desesperadamente, adiar o momento fatal em que se descobrirão irremediavelmente velhos?
Houve um tempo em que os homens velhos e as velhas mulheres eram respeitados pela velhice em si, porque representavam um enorme acúmulo de sabedoria. O conselho dos anciãos prevaleceu em todas as culturas, em todos os cantos e recantos do planeta.
Cícero, o Velho, quem não o admirou? E Catão, também conhecido como o Velho. E Deus Todo Poderoso? Por que será que os homens insistem em representá-Lo sob a forma de um homem velho? Quando Moisés conduziu seu povo pelo deserto do Sinai, já tinha os cabelos embranquecidos pelas intempéries da vida. E Abraão e Noé, alguém lembra suas imagens sob a forma de formosos jovens? Zeus, o supremo deus da mitologia grega não era jovem.
Entre os grandes generais, só Alexandre, o Grande, é lembrado como jovem. Até porque morreu aos 32 anos, deixando um vasto império atrás de si. Temujim, o mongol conhecido como Gêngis Khan, varreu sob sua espada, tudo o que encontrou das estepes asiáticas até a Europa. Mas são exceções. Michelangelo de há muito já perdera o viço da juventude quando pintou a Capela Sistina. Entretanto, o mundo é jovem.
Ah! Pobres e desgraçados velhos do meu Brasil que já foi bem mais varonil. Ai dos velhos, bem poderia ter dito César, do alto da sua juventude. Entretanto, como viver sem eles, se eles somos nós amanhã? Essa é a grande questão. Que velhos deixaremos ao Brasil de amanhã? Ou pior, que tipo de velhos nos governam, hoje?
Velhos, sabe-se, existem de todos os tipos. Ve-lhos bons e velhos maus. Velhos honestos e velhos bandidos, velhos velhacos e velhos e conhecidos ladrões; velhos sábios e velhos idiotas.
Certa vez, dialongando com um jovem, enchi-me de ironia e ataquei:
- Juventude é um mal que desaparece com o tempo, lancei-lhe sobre o rosto, a frase cheia de bílis. Ao que ele respondeu, pleno de sabedoria:
- Jamais respeite um homem somente por seus cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem.
Amargurado, olhei-me no espelho no espelho e vi cabelos brancos que na véspera não estavam lá. Hoje, sinto-me um pouco mais amargo por causa daquele jovem. Precisava ele lançar-me verdade tão dura? Claro que precisava. A crueldade é uma das características mais fortes da juventude. E por quê estou mais amargo? Porque olho para os velhos que nos dirigem. E todas as vezes que os olho, fico a pensar nas palavras daquele jovem tão prenhe de sabedoria: - Jamais respeite um homem apenas por seus cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem.
terça-feira, 23 de março de 2010
DIÁLOGO FINAL
Dormindo, o homem encontrou Deus. Não aquele Deus velho, barbas brancas e pele enrugada pelo decorrer de tantos milênios. Era uma espécie de Deus-Luz. E a Luz falava. E em falando, quando perguntado quem era, respondeu:
- Eu sou o início, o meio e o fim. Eu sou o tudo e o nada também. Sou homem e sou mu-lher, criador do Céu, da Terra e de tudo o que há em um e outro. Sou o animal das águas oceânicas, das águas dos rios e dos mares. Habito os igarapés, os riachos e os igarapés-mirins. Estou na superfície das águas e nas profundezas abissais dos grandes oceanos. Me faço presente até mesmo nas águas que andam por debaixo da terra, e também nas águas que andam por debaixo das águas. Mas, sou muito mais e maior que isso. Estou na forma animal que voa nos céus, ou que anda e rasteja na terra.
E a Luz continuou a falar. Eu sou a luz, mas sou a escuridão também. Sou o anão e o gigante, sou a doença e a cura. Sou a vida e a morte, sou o Sol e a Lua, assim como sou todas as estrelas que brilham no cosmos. Estou em todos os lugares, e sei o passado, o presente e o futuro. Eu te criei, como criei tudo o que há e o que ainda há de existir.
Eu sou o amor e o ódio, o amigo e o inimigo, o alto e o baixo, o bom e o mau. Eu sou Anjo de luz e sou Belzebu, também. Eu sou o Paraíso, o Purgatório e o Inferno. Sou digital e analógico, sou Física e Química. Sou Matemática e Biologia, sou exato e humano. Sou bicho, sou fera e anjo de bondade. Sou Ghandi, Jesus, Moisés, Maomé e Madre Teresa de Calcutá. Sou milionário e mendigo, sou juiz, guarda e prisioneiro. Enfim, sou tudo o que há e ainda o que há de ser.
E a Luz falou, falou e disse tudo o que ne-nhum ouvido humano jamais ouviu. Finalmente, cansado da auto definição calou.
E o homem dormindo, perguntou:
- Se és tão poderoso, se sabes tanto, porque fazes de nós seres tão infelizes?
E a Luz, fria por sua própria natureza, respondeu:
- Eu te dei inteligência para tornares a tua vida melhor. Se assim não ocorreu, que culpa me cabe?
O homem refletiu longamente e, ainda dormindo, respondeu em tom acusatório:
- É verdade, mas esqueces que me deste sentimentos, também. E mais que isso, nos deste a mulher para que fosse ela o repositório de todo o nosso amor. Mas não deste a ela, sentimento receptivo igual ao nosso. Por isso sofremos, porque elas falam a língua bifurcada da serpente. E foi tu que as fizeste assim.
E a Luz, pela primeira vez desde o início dos tempos, não soube o que responder. Por isso, recolheu-se para dentro de si, e a escuridão rodeou o homem, que pode enfim, dormir em paz para todo o sempre.
- Eu sou o início, o meio e o fim. Eu sou o tudo e o nada também. Sou homem e sou mu-lher, criador do Céu, da Terra e de tudo o que há em um e outro. Sou o animal das águas oceânicas, das águas dos rios e dos mares. Habito os igarapés, os riachos e os igarapés-mirins. Estou na superfície das águas e nas profundezas abissais dos grandes oceanos. Me faço presente até mesmo nas águas que andam por debaixo da terra, e também nas águas que andam por debaixo das águas. Mas, sou muito mais e maior que isso. Estou na forma animal que voa nos céus, ou que anda e rasteja na terra.
E a Luz continuou a falar. Eu sou a luz, mas sou a escuridão também. Sou o anão e o gigante, sou a doença e a cura. Sou a vida e a morte, sou o Sol e a Lua, assim como sou todas as estrelas que brilham no cosmos. Estou em todos os lugares, e sei o passado, o presente e o futuro. Eu te criei, como criei tudo o que há e o que ainda há de existir.
Eu sou o amor e o ódio, o amigo e o inimigo, o alto e o baixo, o bom e o mau. Eu sou Anjo de luz e sou Belzebu, também. Eu sou o Paraíso, o Purgatório e o Inferno. Sou digital e analógico, sou Física e Química. Sou Matemática e Biologia, sou exato e humano. Sou bicho, sou fera e anjo de bondade. Sou Ghandi, Jesus, Moisés, Maomé e Madre Teresa de Calcutá. Sou milionário e mendigo, sou juiz, guarda e prisioneiro. Enfim, sou tudo o que há e ainda o que há de ser.
E a Luz falou, falou e disse tudo o que ne-nhum ouvido humano jamais ouviu. Finalmente, cansado da auto definição calou.
E o homem dormindo, perguntou:
- Se és tão poderoso, se sabes tanto, porque fazes de nós seres tão infelizes?
E a Luz, fria por sua própria natureza, respondeu:
- Eu te dei inteligência para tornares a tua vida melhor. Se assim não ocorreu, que culpa me cabe?
O homem refletiu longamente e, ainda dormindo, respondeu em tom acusatório:
- É verdade, mas esqueces que me deste sentimentos, também. E mais que isso, nos deste a mulher para que fosse ela o repositório de todo o nosso amor. Mas não deste a ela, sentimento receptivo igual ao nosso. Por isso sofremos, porque elas falam a língua bifurcada da serpente. E foi tu que as fizeste assim.
E a Luz, pela primeira vez desde o início dos tempos, não soube o que responder. Por isso, recolheu-se para dentro de si, e a escuridão rodeou o homem, que pode enfim, dormir em paz para todo o sempre.
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