Vi uma cena triste, porém, muito comum na vida daqueles que detêm algum tipo ou nível de poder. Pela manhã de ontem, vi a diretora do Super Fácil, Luzia Grunho, caminhando às proximidades da Residência Oficial do Governador do Estado do Amapá. Quem a conhece, sabe da mulher guerreira que ela é e da competência que mostrou à frente daquele importante órgão, na medida em que facilita, realmente, a vida do cidadão que necessita de um documento qualquer.
Mas, o que me chamou a atenção, não foi o fato de que estivesse ela a caminhar, e sim, a solidão que a acompanhava. O quê aconteceu, perguntei a mim mesmo, se até há alguns dias isso seria impensável? E a resposta, óbvia e ululante é que o rei morreu, portanto, viva o rei.
O governo Waldez Góes acabou, e por isso, como é comum ao gênero humano, todos – ou quase – voltam-se para o novo governante, no caso o governador Pedro Paulo Dias de Carvalho. Cada um, agora, quer o seu quinhão no grande bolo do poder.
E foi refletindo sobre esse fato aparentemente irrelevante que me lembrei dessa frase famosa, “O rei morreu, viva o rei!”, cuja origem vem da realeza europeia, quando anunciavam a morte do rei então reinante e, logo a seguir, o novo rei que o substituiria. Também era muito comum dizer-se “rei morto, rei posto”. Convém lembrar que nós, brasileiros, tivemos dois imperadores e uma quase rainha: D. Pedro I, D. Pedro II e Isabel, aquela da Lei Áurea nem tão dourada assim. Não esquecer, também, que cem anos após o fim da monarquia brasileira, tivemos um plebiscito para decidir se voltávamos a ser monarquia novamente, caso da Espanha, e o resultado foi um sonoro não, dito pelo povo, que também atende pelo nome de Senhor do Voto. Foi assim que perdemos a oportunidade de termos um rei de verdade.
Mas que não se diga que perdemos o gosto pelo charme que a realeza carrega consigo, haja vista os reis do voto, reis do gado, do riso e da soja, além, claro, das rainhas da beleza, do carnaval e do rebolado, entre outras realezas digamos, menos nobres – ou reais.
Apenas a título de lembrança, tivemos e temos o Rei Momo, o rei da voz, o grande Francisco Alves (alguém lembra?); sem esquecer o rei Pelé, que mesmo tendo pendurado as chuteiras, nunca perdeu a majestade. E, no sistema presidencialista, como todos sabem, o presidente da República é uma espécie de rei com tempo de duração específico para exercer seu reinado. Exceto no caso do presidente Lula, que considera a si mesmo como uma espécie de deus, na medida em que acredita, assim como seus prosélitos, que está acima do bem e do mal. Vai ver que, possivelmente, além de ser onisciente, e onipotente, é, também, atemporal.
Quanto a mim, rezo ao Deus de Abraão, que não se apague a esperança no coração dos amapaenses, e que o novo governador Pedro Paulo Dias de Carvalho tenha sobre a si a proteção de Adonai para que, neste seu período de governo, assim como nos próximos anos, caso consiga o seu sonho de se eleger em outubro próximo, que seu governo seja, realmente, de concórdia, de conciliação e de competência, muita competência. Talento e boa vontade não lhe faltam. E se me permitir a ousadia e pudesse eu dar-lhe algum conselho, daria o seguinte: faça de Waldez Góes um “consiglieri”, como diriam os italianos. Experiência, vivência, talento e competência, com certeza não faltam a ele. Isso, claro, sem dispensar a ajuda e orientação de alguns que lhe são, quem sabe, mais próximos e mais caros. Em assim fazendo, seu governo será um sucesso e, em assim sendo, a possibilidade de um novo mandato bem maior.
Que Deus o abençoe pois, com Ele, tudo será possível, e sem Ele, uma só folha não balançará, ainda que sobre ela sopre o mais potente dos furacões. E furacões políticos jamais faltam a quem resolveu seguir a senda que leva ao poder.
ToDa RABA. Shalom.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
O PARAISO PERDIDO
O poeta inglês John Milton, do século 17, eternizou-se ao escrever Paradise lost (1667 - Paraíso perdido), um dos maiores poemas épicos da literatura universal. Seu leit-motiv é a justiça divina, mas o perso-nagem dramático que domina o poema é Satã. A seguir, escreveu o Paraíso conquistado. Este é sequência e contraponto. Cristo, o segundo Adão, vem à Terra reconquistar o que o primeiro dos homens perdera.
O conflito entre o bem e o mal perseguiu Milton até o fim da vida. É uma característica própria dos que tentam entender o Universo e o homem, a partir do princípio das partidas dobradas, ou seja o princípio que diz que para o bem, se contrapõe o mal; para a vida, a morte, para o alto, o baixo, para o mau, o bom, e assim por diante.
Este conflito tem dividido o homem desde o princípio dos tempos, sobre o certo e errado, guerra e paz, homem e mulher, dia e noite, Deus e o Diabo, crime e castigo. Esse mesmo conflito deu origem às religiões, que voltadas intrinsecamente para o bem, provocaram, talvez, os maiores males que o homem poderia criar para torturar-se a si mesmo. Além dos massacres cometidos em nome de Deus, as religiões colocaram viseiras que impediram o homem de raciocinar com clareza e pudessem ver a face serena de Deus, que buscam há tanto tempo.
A nossa civilização, dita greco-romana ou judaico-cristã, está sendo substituída por va-lores anglo-saxões. A América tenta impingir a idéia de que é possível a extinção do mal sem a prevalência do bem, que o crime não merece castigo, que Rosseau estava absolutamente correto com sua teoria do bom selvagem, que tal qual teria este fim, perdido o Paraíso por causa do Senhor das Moscas, como algumas seitas costumam chamar Belzebu (o Demônio do Judaísmo) e que William Golding estaria errado.
Nenhuma coisa e nem outra. O homem é simultaneamente Rosseau e Golding, é bom e é mau, é Deus e Diabo. Mais Diabo do que Deus.
Nossa tragédia, é que o Paraíso perdido está fora do nosso alcance. Tentamos por isso substituí-lo pelo paraíso da impunidade. Não vai dar certo, porque a humanidade tem cami-nhado desde os albores dos tempos, sob a permanente ameaça de homens cruéis e brutais.
Ainda vivemos em permanente estado de guerra. E qualquer pessoa que tenha estado na guerra, sabe que o homem produz o mal como a abelha produz o mel.
Mas. sonhar não paga imposto, ainda. Quem sabe ao fim e ao cabo não nos econtremos todos, quem sabe, naquele lugar abençoado que, se não era o Paraíso, ficava a Leste do Éden. E o pior. é que não nos resta outra opção: ou habitaremos os Campos Elíseos de que falavam os gregos, ou padeceremos ad eternum no nono círculo do Inferno de Dante. Quem viver, digo, quem morrer, verá.
O conflito entre o bem e o mal perseguiu Milton até o fim da vida. É uma característica própria dos que tentam entender o Universo e o homem, a partir do princípio das partidas dobradas, ou seja o princípio que diz que para o bem, se contrapõe o mal; para a vida, a morte, para o alto, o baixo, para o mau, o bom, e assim por diante.
Este conflito tem dividido o homem desde o princípio dos tempos, sobre o certo e errado, guerra e paz, homem e mulher, dia e noite, Deus e o Diabo, crime e castigo. Esse mesmo conflito deu origem às religiões, que voltadas intrinsecamente para o bem, provocaram, talvez, os maiores males que o homem poderia criar para torturar-se a si mesmo. Além dos massacres cometidos em nome de Deus, as religiões colocaram viseiras que impediram o homem de raciocinar com clareza e pudessem ver a face serena de Deus, que buscam há tanto tempo.
A nossa civilização, dita greco-romana ou judaico-cristã, está sendo substituída por va-lores anglo-saxões. A América tenta impingir a idéia de que é possível a extinção do mal sem a prevalência do bem, que o crime não merece castigo, que Rosseau estava absolutamente correto com sua teoria do bom selvagem, que tal qual teria este fim, perdido o Paraíso por causa do Senhor das Moscas, como algumas seitas costumam chamar Belzebu (o Demônio do Judaísmo) e que William Golding estaria errado.
Nenhuma coisa e nem outra. O homem é simultaneamente Rosseau e Golding, é bom e é mau, é Deus e Diabo. Mais Diabo do que Deus.
Nossa tragédia, é que o Paraíso perdido está fora do nosso alcance. Tentamos por isso substituí-lo pelo paraíso da impunidade. Não vai dar certo, porque a humanidade tem cami-nhado desde os albores dos tempos, sob a permanente ameaça de homens cruéis e brutais.
Ainda vivemos em permanente estado de guerra. E qualquer pessoa que tenha estado na guerra, sabe que o homem produz o mal como a abelha produz o mel.
Mas. sonhar não paga imposto, ainda. Quem sabe ao fim e ao cabo não nos econtremos todos, quem sabe, naquele lugar abençoado que, se não era o Paraíso, ficava a Leste do Éden. E o pior. é que não nos resta outra opção: ou habitaremos os Campos Elíseos de que falavam os gregos, ou padeceremos ad eternum no nono círculo do Inferno de Dante. Quem viver, digo, quem morrer, verá.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
UM OLHAR SOBRE A PÁSCOA
Páscoa, como todos sabemos, vem do hebraico Pessach (passagem) e, no judaísmo, comemora a li-bertação da escravidão do povo judeu no Egito, em 1300 a.E.C., ou seja, antes da Era Comum ou a.C.
A festa pascal judaica representa a li-bertação e o nascimento do povo judeu, e a noite de páscoa consiste em preparar um jantar, contar a história da saída do Egito e falar das 10 pragas. Consiste, também, em consumir o matzah (o pão ázimo, não fermentado), e, com a família reunida em volta de uma grande mesa, celebrar a liberdade, os milagres feitos por D'us que os libertou através de Moisés (Moshe, Mochê), a saída para Canaã (Terra Prometida) e a unificação do povo de Israel.
Para os cristãos, a Páscoa significa a ressureição de Jesus Cristo, a luz que traduz a esperança renovada de uma nova vida. Essa ideia de que após a morte, a vida e possível, de que depois da tempestade vem a bonança, de que à noite sucede o dia, de que o amanhã existe e de que, ao fim e ao cabo, tudo será me-lhor, porque o Filho do Homem nos mostrou, ao morrer na cruz para nos re-dimir de nossos pecados, que a salvação pode estar ao nosso alcance, e que o homem pode encontrar-se a si mesmo, bastando para isso, que assim o queira, do fundo da sua alma e do mais profundo do seu coração.
Comemoremos pois, a Páscoa ou o Pessach, tanto faz. O que importa é que a alegria da libertação ou a ressurreição de Ieshua (nome de Jesus na sua língua natal, o aramaico) nos mostra que caminhando se faz o caminho e que o destino inevitável da raça humana, essa estranha raça formada por seres feitos à base de carbono, e que têm a capacidade do raciocínio lógico, da mais profunda emoção e tambem, da mais pura fé, é que um dia, não importando o tempo necessário para que isso aconteça, repousaremos em paz nos braços do Senhor de tudo o que há.
Por isso, ao povo amapaense e brasileiro, e porque não dizer a todos os homens de boa vontade, Feliz Páscoa, Feliz Pessach. Shalom. Paz para todos.
UM HOMEM CHAMADO JESUS
É curiioso notar que alguns cristãos, sejam católicos apostólicos romanos, protestantes, independetemente da seita professada, católicos ortoxos gregos, russos ou católicos maronitas, ou ainda de qualquer outra natureza, não gostam de judeus pelas mais diversas razões. Razões essas, que só fazem sentido do ponto de vista exclusivo deles. No entanto, por serem rotulados genericamente cristãos, isso significa que são adoradores do homem chamado Jesus, Jesus Nazareno ou Jesus Cristo ou Jesus, o belemita. No entanto, essas mesmas pessoas parecem esquecer que Jesus, além de judeu, era também arameu ou aramaico.
Esse homem, dotado de um cerébro poderosíssimo, recebeu esse nome, que do grego Iesous que é, na verdade, a forma helenizada do aramaico Ieshua. O verdadeiro nome de Jesus, pelo qual o povo e seus discípulos o chamavam era, portanto, Ieshua, que poderia ser traduzido como “a salvação de Javé”, ou “aquele enviado por Javé para nos salvar”. O outro nome, Cristo, também vem do grego: christos, isto é, “o ungido”, correspondente ao hebraico messiah. Jesus também é chamado de Emanuel ou Imanuel, no termo derivado do aramaico Imman-el, ou “Deus Conosco”. O nome Emanuel foi a ele atribuído por causa da profecia de Isaías 7:14. O profeta diz que a vinda do Messias seria anunciada por um sinal divino: ele nasceria de uma virgem e se chamaria Emanuel. Os cristãos crêem que Jesus é o messias, o christos profetizado no Velho Testamento, que através de sua vida, morte e ressureição restaurou sua comunhão com Deus. Sustentam também que Jesus é a Palavra Eterna (Logos) que encarnou como homem e que aqueles que nele crêem conquistarão a vida eterna.
Jesus foi pintado, desenhado, esculpido, caracterizado nos palcos e nas telas de modos muito diferentes entre si, e sua mensagem espalhou-se por todo o Império Romano, em uma versão, atualmente chamada de cristianismo de Nicéia, mas foi somente sob Teodósio I, que o cristinianismo se tornou a religião ofical dos romanos.
A figura desse homem é tão extraordinária, que até mesmo os budistas se inspiram no exemplo de Cristo. O 14° Dalai Lama, Tenzing Giatso, por exemplo, diz que Jesus é um bodhisatva, isto é, um ser que dedicou sua vida ao florescimento da humanidade. Até mesmo os muçulmanos, tradicionais inimigos do povo judeu, acreditam que Jesus foi um dos mais importantes profetas de Deus.
Nesse contexto, podemos dizer que o Homem de Nazaré foi um autêntico e verdadeiro revolucionário, porque sua opção preferencial foi sempre pelos mais fracos, pelos doentes, pelos mais pobres, pelas crianças, pelas prostitutas e prisioneiros, ao contrário do comportamento até então adotado, cuja opção era pelo mais saudável, pelo mais forte, pelo mais poderoso, pelo maior . Para que se tenha uma ideia de como isso era verdade, basta saber que os romanos, se tinham noção de crime, não tinham noção de pecado.
O legado de Jesus, deixa a visão de um Deus como um pai amoroso e misericordioso, sempre disposto a perdoar os pecados da humanidade.
Sobre sua infância sabe-se muito pouco. Mas, sobre o tempo em que durou o ministerio de Jesus, diz-se que ele pregou durante três pesach, a Páscoa dos judeus inferindo, segundo um estudioso contemporâneo, que o Nazir ensinou por pelo menos dois anos e dois meses. Os Evangelhos Sinóticos, isto é, de Marcos, Lucas e Mateus, sugerem um espaço de tempo ainda menor, apenas de um ano.
Também é importante que se saiba sobre esse homem extraordinário, que Jesus teria sido um essênio, ou ligados a eles. Como sabemos todos, os essênios eram ascetas apocalípticos. O atual papa Bento XVI já afirmou que “parece que não apenas João Batista, mas possivelmente Jesus e sua família eran ligados à comunidade de Qumram” - uma das maiores comunidades essênias no Mar Morto.
Sabemos, também, que Jesus foi conduzido ao deserto por Deus, onde jejuou 40 dias e 40 noites. Durante esse tempo, o Diabo apareceu diante dele por três vezes e o tentou, querendo que Jesus demonstrasse seus poderes sobrenaturais para provar a sua divindade. Como se sabe, o Demônio não conseguiu seu intento.
Muito pouco se sabe sobre os irmãos de Jesus. Tiago foi um deles. Depois do martírio do Mestre, ele foi mais influente na igreja primitiva que Pedro, justamente por seu parentesco com o Filho do Homem.
Jesus pregava que os primeiros seriam os últimos, e que os últimos, os primeiros. Pregava também a não-violência e garantiu que traria a paz aos que nele acreditassem.
Jesus foi crucificado. Mas, o que significa a palavra crucificação, tão importante para os cristãos? A palavra deriva do termo cruciare, isto é, “torturar, “atormentar”. No entanto, o método causava mais do que tormento. O prisioneiro era açoitado com um tipo específico de chicote, flagrum, formado por duas tiras de couro cujas pontas contavam com pequenas bolas de chumbo.
Vejamos então: que homem era realmente esse, em princípio, analfabeto, pois até hoje nunca foi descoberto um texto sequer escrito de próprio punho por ele. Acredita-se, por outro lado, que o Nazareno fosse poliglota. Isto porque, na condição de arameu e judeu, falava essas duas línguas. Além disso, precisava conhecer o latim, para que pudesse se comunicar com os romanos, além do grego, língua falada pela elite da época.
Uma coisa é certa: esse homem fantástico conseguiu uma proeza única. Dividiu o tempo entre antes e depois dele. Isso por si só, já bastaria para fazer dele, independentemente do seu lado divino, o maior de todos os homens.
Esse homem, dotado de um cerébro poderosíssimo, recebeu esse nome, que do grego Iesous que é, na verdade, a forma helenizada do aramaico Ieshua. O verdadeiro nome de Jesus, pelo qual o povo e seus discípulos o chamavam era, portanto, Ieshua, que poderia ser traduzido como “a salvação de Javé”, ou “aquele enviado por Javé para nos salvar”. O outro nome, Cristo, também vem do grego: christos, isto é, “o ungido”, correspondente ao hebraico messiah. Jesus também é chamado de Emanuel ou Imanuel, no termo derivado do aramaico Imman-el, ou “Deus Conosco”. O nome Emanuel foi a ele atribuído por causa da profecia de Isaías 7:14. O profeta diz que a vinda do Messias seria anunciada por um sinal divino: ele nasceria de uma virgem e se chamaria Emanuel. Os cristãos crêem que Jesus é o messias, o christos profetizado no Velho Testamento, que através de sua vida, morte e ressureição restaurou sua comunhão com Deus. Sustentam também que Jesus é a Palavra Eterna (Logos) que encarnou como homem e que aqueles que nele crêem conquistarão a vida eterna.
Jesus foi pintado, desenhado, esculpido, caracterizado nos palcos e nas telas de modos muito diferentes entre si, e sua mensagem espalhou-se por todo o Império Romano, em uma versão, atualmente chamada de cristianismo de Nicéia, mas foi somente sob Teodósio I, que o cristinianismo se tornou a religião ofical dos romanos.
A figura desse homem é tão extraordinária, que até mesmo os budistas se inspiram no exemplo de Cristo. O 14° Dalai Lama, Tenzing Giatso, por exemplo, diz que Jesus é um bodhisatva, isto é, um ser que dedicou sua vida ao florescimento da humanidade. Até mesmo os muçulmanos, tradicionais inimigos do povo judeu, acreditam que Jesus foi um dos mais importantes profetas de Deus.
Nesse contexto, podemos dizer que o Homem de Nazaré foi um autêntico e verdadeiro revolucionário, porque sua opção preferencial foi sempre pelos mais fracos, pelos doentes, pelos mais pobres, pelas crianças, pelas prostitutas e prisioneiros, ao contrário do comportamento até então adotado, cuja opção era pelo mais saudável, pelo mais forte, pelo mais poderoso, pelo maior . Para que se tenha uma ideia de como isso era verdade, basta saber que os romanos, se tinham noção de crime, não tinham noção de pecado.
O legado de Jesus, deixa a visão de um Deus como um pai amoroso e misericordioso, sempre disposto a perdoar os pecados da humanidade.
Sobre sua infância sabe-se muito pouco. Mas, sobre o tempo em que durou o ministerio de Jesus, diz-se que ele pregou durante três pesach, a Páscoa dos judeus inferindo, segundo um estudioso contemporâneo, que o Nazir ensinou por pelo menos dois anos e dois meses. Os Evangelhos Sinóticos, isto é, de Marcos, Lucas e Mateus, sugerem um espaço de tempo ainda menor, apenas de um ano.
Também é importante que se saiba sobre esse homem extraordinário, que Jesus teria sido um essênio, ou ligados a eles. Como sabemos todos, os essênios eram ascetas apocalípticos. O atual papa Bento XVI já afirmou que “parece que não apenas João Batista, mas possivelmente Jesus e sua família eran ligados à comunidade de Qumram” - uma das maiores comunidades essênias no Mar Morto.
Sabemos, também, que Jesus foi conduzido ao deserto por Deus, onde jejuou 40 dias e 40 noites. Durante esse tempo, o Diabo apareceu diante dele por três vezes e o tentou, querendo que Jesus demonstrasse seus poderes sobrenaturais para provar a sua divindade. Como se sabe, o Demônio não conseguiu seu intento.
Muito pouco se sabe sobre os irmãos de Jesus. Tiago foi um deles. Depois do martírio do Mestre, ele foi mais influente na igreja primitiva que Pedro, justamente por seu parentesco com o Filho do Homem.
Jesus pregava que os primeiros seriam os últimos, e que os últimos, os primeiros. Pregava também a não-violência e garantiu que traria a paz aos que nele acreditassem.
Jesus foi crucificado. Mas, o que significa a palavra crucificação, tão importante para os cristãos? A palavra deriva do termo cruciare, isto é, “torturar, “atormentar”. No entanto, o método causava mais do que tormento. O prisioneiro era açoitado com um tipo específico de chicote, flagrum, formado por duas tiras de couro cujas pontas contavam com pequenas bolas de chumbo.
Vejamos então: que homem era realmente esse, em princípio, analfabeto, pois até hoje nunca foi descoberto um texto sequer escrito de próprio punho por ele. Acredita-se, por outro lado, que o Nazareno fosse poliglota. Isto porque, na condição de arameu e judeu, falava essas duas línguas. Além disso, precisava conhecer o latim, para que pudesse se comunicar com os romanos, além do grego, língua falada pela elite da época.
Uma coisa é certa: esse homem fantástico conseguiu uma proeza única. Dividiu o tempo entre antes e depois dele. Isso por si só, já bastaria para fazer dele, independentemente do seu lado divino, o maior de todos os homens.
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