Perdido na imensidão do cosmos, um planeta revoluteava em giros tristes e solitários. Ficara assim desde que a solidão o tornou diferente dos demais planetas e das super novas, estrelas cheias de brilho, luz e vigor, que caminham pelo negror do Universo, acreditando que suas luzes durarão para sempre.
Aquele triste planeta, além de não ter luz própria, perdera o pouco que refletia, quando seu guia, o Sol, desabou para dentro de si mesmo, cansado por quatro bilhões de anos de fulgor constante. Quatro bilhões de anos é tempo demais, até mesmo para uma estrela que um dia pensou ser eterna. Ainda bem que pensou errado. A eternidade é cansativa demais.
Mas, aquele planeta já tivera seus momentos de beleza sideral. Consta que selenitas encantados, encantavam suas encantadoras mulheres, cantando melodias tiradas de muito além das nossas limitadas sete notas musicais. Nesses momentos, a Via Láctea quedava-se, muda de prazer, nas noites de Terra cheia.
Dizem também, que num certo sentido, o planeta já tivera uma espécie de luz própria. Fora há muito tempo. Um tempo tão distante, que quase se perdera na história do tempo. Essa luz resultara de uma prosaica história de amor. Não o amor paixão, o amor erótico, o amor cama, o amor frenesi, o amor loucura, o amor orgasmo. Esse não. Esse era o amor diferente. Um amor feito de calma, de ternura, de bem querer, de amizade. Um amor de pureza. Esta é a história de amor de um homem chamado José.
José foi para aquele planeta, o símbolo da humildade e da submissão a uma vontade superior, que não entendia, mas perante a qual se curvava, porque sabia que seu destino estava traçado nas estrelas, muito antes sequer da possibilidade de existirem. Tanto ele quanto as estrelas.
Herdeiro de Davi em linha direta, não conhecia o orgulho ou a ambição. Era, antes de mais nada, um homem simples. Um puro de coração. Talvez tenha sofrido silenciosamente diante da dúvida que um dia, o demônio do ciúme tentou destilar em seu coração. Mas foi só um segundo. Como duvidar da mulher que amara sobre todas as coisas, e que fora escolhida para um destino maior que o seu?
Os anos passaram, José envelheceu e morreu poucos anos depois de seu filho, condenado à morte aos 33 anos. Seu coração sangrou tanto, que por um momento pensou não resistir a tanta dor. Mas crente na recompensa do amor, não vacilou. Acreditou e amou Maria até o final dos tempos que ainda não chegaram.
Uma história antiga, que só os privilegiados selenitas encantados conhecem com detalhes, diz que, se por ventura, em algum lugar, alguém conseguir ver dois cometas brilhantes, lado a lado, verá também as figuras de um homem e uma mulher, de mãos dadas, passeando pelo infinito, enquanto seu filho, Jesus, cuida da administração do Universo.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
UM ASSALTO DIFERENTE
A manchete estava lá, na tela do computador. A internet tem dessas vantagens, para quem é bisbilhoteiro profissional, também conhecido na roda dos que se levam demasiadamente a sério como jornalistas. “Gangue de palhaços assalta bar no Reino Unido”, dizia o título da matéria. A fonte era mais que fidedigna: - a própria Reuters, em Londres, dava detalhes do assunto. “A polícia da cidade de Manchester, no norte da Inglaterra, buscava informações que a levasse a uma gangue de palhaços que assaltou um bar do município.” Três homens vestidos com fantasias de palhaços, algemaram um gerente e o ameaçaram com uma arma e uma faca antes de escapar com “uma pequena quantidade de dinheiro”. “Essa é uma equipe altamente organizada, que obviamente gastou um bom tempo planejando o assalto”, disse em um comunicado o detetive Darren Shenton. “A gangue fugiu em uma van, e escapou de uma perseguição policial, mesmo se envolvendo em três acidentes no caminho.” É verdade, no Brasil somos diferentes. Para um assalto bem sucedido, primeiro é preciso se eleger para um cargo qualquer. Depois, é necessário que o cofre seja bem gordo. Mais ou menos no modelito ‘porquinho’ da vovó. É fundamental que o acusado de praticar o furto, desvio, estelionato ou que outro nome se queira dar, alegue inocência até à morte. Se, além de jurar inocência e for acusado depois de cumprido o mandato, é conveniente que diga ser um reles desempregado. É preciso que se leve o eleitor, digo, o leitor às lágrimas. Quem sabe, uma peninha aqui, um pingo de piedade acolá, não se dá um novo cargo eletivo ao acusado? No Brasil, afinal de contas, tudo é possível. A propósito, mais uma diferença importante entre o povo tupiniquim e os bretões: lá, os palhaços são assaltantes. Aqui, assaltados. |
terça-feira, 27 de julho de 2010
UM MUNDO PERFEITO
Como seria o mundo se cumpríssemos, todos, a lei? Sem discussões, sem arrazoados, sem desculpas, sem alegar desconhecimento? A lei existe? Então que seja cumprida. Só isso, sem tergiversações.
Mas, perguntará o leitor. Que leis devemos cumprir, uma vez que existem leis que, se por um lado são legais, por outro, são profundamente injustas? A pergunta é pertinente, pela simples razão de que realmente é assim que acontece. E mais: na sua maioria, deixam brechas, aberturas, furos, por onde passam os desonestos da vida, desde que tenham advogado de competência - e preço - máximos que possam, com habilidade, burlá-las, ficando na impunidade que assola este país desde sempre.
Mas, ainda que pareça utopia, existe, sim, a possibilidade de um mundo perfeito. Um mundo sem violência de qualquer natureza, um mundo sem furtos, roubos, estelionatos, assalto ao Erário e outros modos de surrupiar de outrem, aquilo que não lhe pertence. Existe, sim, um mundo onde um homem não desejará aquilo que não é seu, nem sua mulher, nem seu escravo, nem sua casa e nem nada que não lhe pertença.
É possível habitarmos um mundo onde suas leis podem ser resumidas em apenas duas. A primeira, pode-se dizer: “Amarás a Deus Todo Poderoso (YHWH), de toda a tua alma, de todo o teu coração, com todas as tuas forças e sobre todas as coisas. Ela está presente nas Tábuas da Lei, entregues pelo próprio Elohim a Moisés. Atende pelo nome de “Os Dez Mandamentos”.
A outra, que poderia ser chamada de o undécimo mandamento, foi dada por Jesus (Yeshuah). E é muito simples. Diz assim: amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”
Simples, não? Essas leis existem há milênios. No entanto, de forma irracional, insisitimos em não cumpri-las em absolutamente nada.
E a pergunta que se faz necessária é: em assim agindo, temos o direito de reclamar da sorte que temos, dos sofrimentos que padecemos, e do mundo em que vivemos?
A resposta inevitável é: não.
Mas, perguntará o leitor. Que leis devemos cumprir, uma vez que existem leis que, se por um lado são legais, por outro, são profundamente injustas? A pergunta é pertinente, pela simples razão de que realmente é assim que acontece. E mais: na sua maioria, deixam brechas, aberturas, furos, por onde passam os desonestos da vida, desde que tenham advogado de competência - e preço - máximos que possam, com habilidade, burlá-las, ficando na impunidade que assola este país desde sempre.
Mas, ainda que pareça utopia, existe, sim, a possibilidade de um mundo perfeito. Um mundo sem violência de qualquer natureza, um mundo sem furtos, roubos, estelionatos, assalto ao Erário e outros modos de surrupiar de outrem, aquilo que não lhe pertence. Existe, sim, um mundo onde um homem não desejará aquilo que não é seu, nem sua mulher, nem seu escravo, nem sua casa e nem nada que não lhe pertença.
É possível habitarmos um mundo onde suas leis podem ser resumidas em apenas duas. A primeira, pode-se dizer: “Amarás a Deus Todo Poderoso (YHWH), de toda a tua alma, de todo o teu coração, com todas as tuas forças e sobre todas as coisas. Ela está presente nas Tábuas da Lei, entregues pelo próprio Elohim a Moisés. Atende pelo nome de “Os Dez Mandamentos”.
A outra, que poderia ser chamada de o undécimo mandamento, foi dada por Jesus (Yeshuah). E é muito simples. Diz assim: amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”
Simples, não? Essas leis existem há milênios. No entanto, de forma irracional, insisitimos em não cumpri-las em absolutamente nada.
E a pergunta que se faz necessária é: em assim agindo, temos o direito de reclamar da sorte que temos, dos sofrimentos que padecemos, e do mundo em que vivemos?
A resposta inevitável é: não.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O DESENCANTO DOS SABIÁS
As coisas acontecem quando menos se espera e nos lugares mais incomuns. O problema é que pouco ou nada nos apercebemos do que realmente ocorre à nossa volta, exceção que abrimos com prazer quase mórbido para as coisas ruins e negativas da vida. É quase inevitável que nos aproximemos para ver de perto, em meio a tantos outros, o cadáver estirado no meio da rua, massacrado por um carro dirigido por um assassino que não será punido nunca. O sangue derramado no asfalto negro nos fascina. É quase como se nos sentíssemos aliviados, por que o morto é outro e não nós, esquecidos no nosso egoísmo, que um dia será a nossa vez. Vivemos absolutamente despreparados para o fato de que um dia qualquer, será o nosso último dia de vida. E quando o momento chegar, diremos, arfantes e angustiados, tal qual Goethe: Mais luz, mais luz. A beleza, essa atinge a pouco de nós. Mas quando somos abençoados e bafejados por ela, é como se um sol suave nos atingisse e iluminasse o lado negro da nossa alma sofrida, é como se todas as cores celestiais nos invadissem a visão e nos transportassem para a ante-sala do Paraíso. E quando o som mavioso do cantar de um pássaro nos invade os ouvidos, todas as células que nos compõem como que param e quedam-se, mudas, a ouvir aquele som que vem do trinar de um passarinho que foi criado apenas para aquele momento de beleza em forma de som. Como estaria a mente de Chopin quando compôs Noturno? Como estava o pianista que a interpretou em Mi Bemol Maior ou a Sonata, dita ao Luar? E que dizer de Wagner quando compôs o Crepúsculo dos Deuses ou o Ouro do Reno? A beleza nos envolve a todos em todos os momentos. É pena que passemos por ela, como os patos passam pelo pelos plácidos lagos nos parques das grandes cidades, sem se permitirem molhar-se, encharcar-se pelo líquido que é fonte de toda a vida que há. Parei para refletir sobre essas coisas dia desses quando, saindo do Tribunal de Justiça da minha cidade, atravessei a rua em direção ao Palácio Governamental. De repente, e eis que não mais de repente, como diria o cronista da página social de um jornal qualquer, eis que sou atingido pelo cantar de um sabiá. Num primeiro momento acreditei estar ouvindo o sabiá da minha imaginação de poeta louco. Mas não, não era imaginação, era real. De repente, o pássaro calou-se. E eu, filho das florestas e caboclo nascido às margens de um rio que deságua no rei dos rios, assobiei imitando o seu cantar. E ele, o sabiá, respondeu-me e por um breve momento conversamos na linguagem dos sabiás. E ele me falou da alegria do nascer do sol e da tristeza de morar numa cidade onde a bulha citadina não permitia que as pessoas o ouvissem. Após isso, bateu asas e refugiou-se numa palmeira existente na entrada do Palácio governamental para dormir o sono dos justos, à espera de mais um dia pleno de sol e beleza. E eu fiquei ali parado, enquanto autômatos humanos entravam e saíam no e do Palácio e os carros passavam, acelerados, levando em seu bojo, outras pessoas que só pensavam em chegar à casa, ligar a televisão e ficar parte da noite, hipnotizados e idiotizados em frente àquela telinha que não produzia nada que valesse à pena, porque todos sabemos que não há sensibilidade e nem vida inteligente no interior das TVs, inventos diabólicos, cujo objetivo é nos causar a pasmaceira em que vivemos mergulhados, enquanto os sabiás cantam, desesperados, tentando nos chamar para o porto seguro da beleza que nos cerca, e que insistimos em não ver, não ouvir e não sentir.
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