sábado, 7 de agosto de 2010

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

É urgente, a necessidade que a medicina, em conjunto com a ciência e a tecnologia reformulem a aplicabilidade dos órgãos e membros de tipos humanos específicos. A reformulação poderia começar pela boca. Uma urgente operação emudecendo a classe política seria um alívio e tanto para os nossos poluídos ouvidos, desgastados pela verborragia sem fim e pelo festival de besteiras em que a classe especializou-se em produzir e transmitir na forma de sons. A maioria, absolutamente incompreensíveis.
O estômago do povo precisa de uma urgente adaptação a um novo estilo de digestão. Não aguentamos mais a quantidade de sapos que os poderosos nos obrigam a engolir. E a digerir, o que é pior.
Os pés, bem que poderiam calçar botas eletrônicas de sete léguas. Com elas, quem sabe, poderíamos fugir para Pasárgada. Com duas vantagens. A primeira, ficaríamos bem distantes da miséria que nos assola. A segunda, em Pasárgada, todos são amigos do rei. Aqui não. Só os privilegiados do andar de cima, conseguem a façanha. E nem todos. Talvez isso tenha levado Millôr Fernandes dizer: “Ou restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos”.
Mas, voltando ao admirável homem novo brotado das profundas da ciência, os olhos, inevitavelmente, teriam que ser substituídos. Ou os olhos ou a paisagem. Talvez seja mais fácil fabricar novos olhos que não vejam tanta corrupção, tanta decadência moral, tanta violência, tanto assalto - às bolsas particulares e aos cofres públicos -, tantos crimes, que não é possível sejamos feitos à imagem e semelhança de Deus. Nós, nossas atitudes e Ele, não temos nada a ver.
Mãos. Para que servem as mãos, perguntou o poeta. A resposta é fácil. Servem para acariciar, para trabalhar, para alimentar, para construir, para pintar, para embelezar, para escrever. Servem para unir-se em fervor de oração. Servem para abençoar, para purificar. Servem para clamar, estendidas aos céus, pedindo piedade para os que sofrem. Servem para curar. Deviam servir só para isso.
Mas servem também, para empunhar a arma que mata, servem para estrangular, para ferir, para destruir, para enfear, para roubar. Servem para apedrejar. Servem para, punho cerrado, elevar-se aos céus pedindo - ou jurando - vingança. Não deviam servir para isso. Não deviam servir para isso e tantas coisas mais e más. Não deviam servir jamais, para roubar, assaltar, furtar. Também não deveriam servir para escrever o nome errado na cédula eleitoral.
Haverá em todo o Universo, a grande medicina que nos cure de todos esses males e que nos opere, criando homens verdadeiramente novos?
Há sim. É uma operação profunda, radical. Mas que não exige bisturis, tesouras, anestesias ou raios lasers.
Só precisa de atenção, boa vontade e a crença inabalável que a fé remove montanhas. Ah! E o fiel cumprimento de um código de postura simples e simplista. Atende pelo nome de Dez Mandamentos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SEIOS MATERNOS E TETAS GOVERNAMENTAIS

O seio, como se sabe, é aquela parte da anatomia feminina, cheia de curvaturas e sinuosidades, que o vulgo chama também de peito.
Na pecuária, o seio atende pelo nome de teta. Muito embora não tenha nada a ver com pecuária, exceto pela placidez bovina com que o povo assiste o desperdício do dinheiro público, o governo também tem tetas. Tetas imensas, generosas, produtivíssimas. Mas apenas para  quem consegue sugá-las. Para estes, as tetas governamentais têm saúde de vaca holandesa premiada em exposição.
Mulheres de peito já as tivemos muitas. Marylin Monroe, Jane Mansfield, Gina Lollobrigida, possuíam seios opulentos e eventualmente túrgidos. Ficaram famosas, menos pelo talento e mais pelos seios, peitos ou tetas. Vocês decidem.
Nestes tempos de vacas magras, seios opulentos caíram de moda. A onda, agora é a mulher despeitada, lisa, retilínea, com seios que lembram mais um par de ovos - fritos, evidentemente.
Até mesmo as tetas governamentais estão produzindo menos. Ou por falta de dinheiro, digo, de leite, ou porque a fonte secou ou está secando.
Mas, leio com satisfação, notícia em jornal local, dando conta de que a Secretaria da Saúde está organizando a semana da amamentação, no Amapá. É claro que o evento é dirigido exclusivamente à turma do andar de baixo. O andar de cima, provavelmente já está saciada. Já mamou demais.
Falando sério, é uma iniciativa que merece todo o apoio da sociedade. O leite materno é absolutamente indispensável para o perfeito desenvolvimento físico e mental da criança recém nascida. O mau hábito de muitas mulheres que optaram por não amamentar suas crias, por medo de perderem a rigidez dos seios, fez com que toda uma geração crescesse desfalcada de nutrientes importantíssimos ao seu desenvolvimento. A mentalidade começa a mudar. Nenhum alimento é mais completo que o leite materno.
Amamentar é ato tão sagrado, que nem o mais patife dos homens ousará faltar com o respeito devido à mulher, que por uma razão qualquer resolva amamentar seu filho, em público.
É bom que seja assim. O Brasil precisa de filhos fortes e saudáveis. E a melhor contribuição que as mulheres poderão dar, será amamentar suas crianças para que elas cresçam e se desenvolvam plenas em vigor e saúde.
Quanto às tetas governamentais, estas, quanto menos amamentarem, melhor para todos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

POÇA D'ÁGUA

No tempo em que eu caminhava perdido, longe de tudo e de todos, longe de D'us e dos braços teus, certa noite parei na borda de uma poça d'água. E olhando pra baixo, vi os últimos raios de Sol indo embora para iluminar o outro lado do mundo. Mas não foi só isso que vi, pois vi muito mais. Vi as primeiras estrelas dando o ar da graça, ainda pálidas, mas brilhando mais e mais, à medida que a noite embrulhava com seu manto negro, todos os que estavam ausentes da luz.
E foi naquele pequeno lago que pude mergulhar no Cosmos infinito. E foi lá, bem em baixo - ou seria lá em cima? - que vi maravilhas como a nenhum outro homem foi dado ver. Cometas passaram rente a mim, e sua cauda brilhosa, deslizando em silêncio em direção ao nada absoluto, parecia indicar a direção a seguir. Vi explosões estelares no ato de parir outros corpos celestes. Foi nessas andanças, que pude apanhar os anéis de Saturno para te presentear quando te encontrasse.  Sabia que teria que te buscar no reino da escuridão mais absoluta que são os buracos negros, corpos celestes tão densos que deles nem a luz escapa, pois de lá sairias para dominar um pedaço da Terra, de onde descenderiam todos os homens e mulheres paridos por ventre de mulher. E lá, quando juntasse minh'alma à tua, os anéis de Saturno seriam o penhor da nossa eterna aliança
Mas, antes de encontrar, muito ainda teria a percorrer pelo espaço sem fim. Era preciso, para que minha formação se tornasse completa, que eu me debruçasse nas fímbrias do Universo, para ver o que existe além dele e de todos os universos existentes.
Voltei bilhões de anos depois, carregando comigo, todo o conhecimento do bem e do mal que existe em toda a obra divina. Creio mesmo, que passei rente a Ele. Só isso explicaria a intensidade daquela luz como outra não vi. E foi essa luz que falou comigo com benevolência: “Vai em paz, porque Eu te acompanharei, até mesmo depois que deixares de existir”.
Foi quando recobrei a consciência e me vi novamente à beira daquela poça d'água que me tornou único entre todos os viventes.
Depois, mudado para todo o sempre, voltei para casa e me aninhei entre braços que me receberam com doçura e juntos, adormecemos para nunca mais acordar, exceto quando encontrarmos aquela luz que falou comigo há tanto tempo.
E quando isso acontecer, faremos parte daquela luz, pois nela estão concentrados todos os sentimentos de amor porventura existentes. E posso afirmar, que nunca houve e nem haverá jamais, amor tão grande como aquele que nos leva para os braços do Senhor de todas as luzes.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O LADRÃO HONESTO


Estou preocupado. Preocupado, vírgula. Estou preocupadíssimo. Como de hábito, no horário do Programa do Jô, estava eu sem sono. E querendo ver as novidades que o Gordo traria em seu retorno das férias, resolvi assisti-lo. E foi ele que me deu a noticia. Não sei se é boa ou se é má. Mas que gerou preocupação, gerou, sim. Imaginem que um país europeu cujo nome não lembro, provavelmente porque irrelevante, pesquisou qual o povo mais dado à prática do roubo, do furto, do apossar-se do alheio, do surrupiar, do ficar com o que não é seu, do desfalque, do estelionato - uma forma de roubo, também; do dar um 'tapa', do embolsar imerecidamente, enfim, da ladroagem. E - tragédia nacional - o Brasil ficou relegado a um miserável quinto lugar. Como foi possível que nos tirassem um título no qual éramos imbatíveis? Onde está o Congresso Nacional que não toma uma providência? Serão os nossos ladrões mais honestos que os ladrões dos outros? Mas isso é uma incongruência. Não existe ladrão honesto. A exceção, talvez, seja o ladrão que admite que é ladrão. Imagino o ladrão honesto, respondendo ao indefectível interrogatório que as empresas fazem ao contratar alguém:
- Nome: Zé Ninguém.
- Idade: 25 anos de carreira e correrias.
- Profissão: Ladrão.
- Como?
- Ladrão, por quê?
- Isso é uma desfaçatez. Como ousa o senhor admitir sem mais e nem menos que é ladrão? E ainda quer emprego, diz o burocrata.
- Claro, diz Zé Ninguém. Com emprego, carteira assinada, vale transporte, vale refeição e mais um mínimo, no mínimo, dá pra deixar de roubar. O senhor não acha?, diz o ladrão.
- Fora daqui, vocifera o burocrata.
Abatido o ladrão honesto volta à sua vida de roubos e correrias. No Brasil tudo é difícil, filosofa. Até mesmo ser um velho e decente ladrão honesto...
Num país em que todo mundo rouba todo mundo, melhor dizendo, num país onde a maioria rouba e a minoria é roubada, não dá pra ter esperanças. Aliás, esperança é a primeira coisa que a chamada classe política nos rouba. Ladrões de todos os naipes roubam a merenda das nossas escolas; roubam a beleza da Última Flor do Lácio, inculta e bela; roubam nos pesos e medidas; roubam via internet, via Correios, via caminhões de carga, roubam-nos nas esquinas e nos semáforos. Roubam-nos até a mulher amada. Roubam tudo e ainda querem troco. Roubam-nos a vida. A nossa vida, a vida dos nossos filhos e a dos filhos dos nossos filhos.  Roubam tanto, que nem mais sabem o quanto e o que roubam. São tantos os milhões que pensam ser seus, e não são...
E ainda dizem que estamos em quinto lugar? Ah! Que saudades dos tempos em que éramos os primeiros na arte de roubar.  Pelo menos sabíamos o povo que éramos.