Erasmo de Roterdã, segundo ele próprio, desejando divertir-se e não estando em condições favoráveis para compor obra séria, fez o Elogio da Loucura.
No gênero, está em boa companhia. Convém não esquecer que Homero escreveu a Guerra dos Ratos e das Rãs; Virgílio compôs um poema sobre o mosquito. Vivesse na Amazônia e teria feito um poema épico. Tema, com certeza não lhe faltaria. Já imaginaram um poema falando de Anopheles darlingi ou do Aedes Egypti?
Glauco louvou a injustiça. Vivesse no Brasil, e poderia viver cem anos louvando a injustiça e não esgotaria o assunto. Sinésio teceu os maiores elogios aos calvos. Alguns dentre nós, que ainda não podem se dar à prática do implante de vastas cabeleiras, pe-nhorados, agradecem. Luciano, provavelmente pensando nos nossos - às vezes não tão ilustres - parlamentares, louvou as moscas e parasitas.
Como a modéstia nem sempre é uma das minhas características mais fortes, para desgraça dos cronistas e dos que me lêem, resolvi fazer o elogio da idiotice. Talvez me falte competência para tanto. Matéria prima, com certeza, não.
O sempre indispensável mestre Aurélio ensina que idiotice “é a parada do desenvolvimento mental, ligada a lesões cerebrais, geralmente congênitas. Os idiotas não têm atividade voluntária e são inteiramente ineducáveis”.
O idiota já recebeu tratamento específico e pre-ferencial de dois grandes autores. Um, o grande Dostoiewisky, que escreveu “O Idiota”, em 1869. Outro, o cronista do absurdo e do patético, o anjo pornográfico Nelson Rodrigues, para quem o idiota era tema constante e um de seus personagens favoritos.
Conta ele que, antigamente, o idiota era quase uma instituição nacional. Toda cidade tinha o seu. Isso era tão certo como haver a praça da matriz, a agência dos Correios e a Avenida Presidente Vargas. Rua, não serve. Travessa, também não. Viela ou beco, nem pensar. Já imaginaram um beco Presidente Vargas? O “Pai dos Pobres” tremeria no túmulo.
Mas, voltando ao idiota, por sê-lo, um dia resolveu fazer um discurso. Discurso que se preza, tem que ser feito no meio da praça. Deveria haver uma lei obrigando todo mundo a fazer um discurso, pelo menos uma vez na vida. E no meio da praça.
Em compensação, ficaria proibido discurso em festas. De aniversário, principalmente. Sou a favor da pena de morte para quem faz discurso em festas de aniversário. Aliás, a própria festa já deveria ser proibida. Não há sentido em comemorarmos menos um ano de vida.
Pensando nisso, presumindo-se que idiotas pensem, colocou um caixote de sabão no meio da praça e começou a discursar. E à medida que o discurso avançava, a praça ia-se enchendo de curiosos. Ao fim de duas horas de discurso, a praça estava tomada por uma multidão que o aplaudia delirantemente.
Foi quando ele, o idiota, descobriu que era maioria. A partir de então, os homens inteligentes tornaram-se ilhas cercadas de idiotas por todos os lados.
Isso explica muita coisa que acontece Brasil afora e Brasil adentro. Explica também, o fato de escre-ver esta crônica tão idiota, e o leitor, de lê-la.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
ATRAVESSANDO O RUBICÃO
Nas próximas eleições, quando serão eleitos o presidente da República, governadores, dois terços do Senado e deputados federais, o Amapá viverá, com certeza, a mesma situação de César, em março do ano 49 a.C. quando resolveu atravessar o Rubicão, rio que separava a Gália Cisalpina (atual França), da península italiana. À época, César pronunciou a famosa frase “alea jacta est” (a sorte está lançada). Logo depois guardou sua espada com a qual lutara contra os gauleses chefiados por Vercigentorix, no buraco de uma árvore, a qual só foi encontrada dezenas de anos depois, por um centurião romano chamado Lancírius Escudus, convocado às pressas pelo imperador Otávius, em março do ano 2 d. C. Esclareça-se que, Roma vivia sua fase republicana, e era impensável a possibilidade de um general e suas legiões, atravessarem os portões de Roma.
Na época, os patrícios (cidadãos romanos pertencentes à elite), tinham ojeriza a ditadores, imperadores e outras formas de autoritarismo. Aliás, assim como nós, à exceção de alguns integrantes da petezada, socialistas e congêneres, que nunca esconderam suas preferências por ditaduras e ditadores como Ahmadinejad, Fidel Castro, Hugo Chávez e outros menos votados.
Mas, o que têm em comum, o Amapá, César e o Rubicão, perguntarão perplexos, meus minguados seis leitores? Simples. O ex-senador João Capiberibe, cassado por compra de votos em 28 de abril de 2004 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), terá, ele também, que atravessar o seu próprio Rubicão. Sabe-se que o Amapá está farto do autoritarismo que viveu ao longo de sua história, salvo as exceções de sempre, desde seu primeiro governador, o então capitão Janary Gentil Nunes. E Capiberibe, muito embora afirme o contrário, tem perfil autoritário, sim.
De modo que é candidato ao Senado, na esperança de que possa se vingar de Gilvam Borges. Se conseguir seu intento, claro.
Outra pergunta que ainda sem resposta, mas que desconfio qual seja é: estará ele disposto a, tal qual César, guardar sua espada e entrar, com o espírito desarmado na luta política? Só o tempo responderá a esta indagação. Uma coisa, porém é certa: quem já perdeu mais de uma vez para o mesmo adversário, corre o risco de perder outra vez. Outra coisa é certa. Oligarquias são uma tradição planetária. Ainda em 2009, um jornal britânico censurava o Brasil por causa de sua tradição oligarca. Que autoridade têm eles para criticar quem quer que seja, uma vez que, além de imperialistas, alíás tal qual os franceses, alemães, belgas, italianos e outros europeus? Lembremo-nos que a rainha Elizabeth II pertence a uma das mais tradicionais e oligarcas famílias da Grã-Bretanha. O ex-senador também pertence a essa mesma oligarquia que tanto critica, muito embora tenha sua esposa na Câmara Federal, um filho na Assembléia Legislativa do Estado do Amapá, sem esquecer a senhora sua irmã, a ex-deputada federal Raquel Capiberibe, hoje aposentada no cargo de Conselheira do Tribunal de Contas do Amapá, nomeada por ele quando governador.
Pensar é preciso. Ou não será preciso pensar? De tal modo que em outubro, pensemos 70 vezes sete antes de escolher nossos candidatos, porque o preço pago pela omissão dos melhores, é serem governados pelos piores. E depois, a questão da lei das Fichas Limpas é irrelevante. O que interessa é que nós, eleitores, sejamos fichas limpas.
sábado, 7 de agosto de 2010
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
O estômago do povo precisa de uma urgente adaptação a um novo estilo de digestão. Não aguentamos mais a quantidade de sapos que os poderosos nos obrigam a engolir. E a digerir, o que é pior.
Os pés, bem que poderiam calçar botas eletrônicas de sete léguas. Com elas, quem sabe, poderíamos fugir para Pasárgada. Com duas vantagens. A primeira, ficaríamos bem distantes da miséria que nos assola. A segunda, em Pasárgada, todos são amigos do rei. Aqui não. Só os privilegiados do andar de cima, conseguem a façanha. E nem todos. Talvez isso tenha levado Millôr Fernandes dizer: “Ou restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos”.
Mas, voltando ao admirável homem novo brotado das profundas da ciência, os olhos, inevitavelmente, teriam que ser substituídos. Ou os olhos ou a paisagem. Talvez seja mais fácil fabricar novos olhos que não vejam tanta corrupção, tanta decadência moral, tanta violência, tanto assalto - às bolsas particulares e aos cofres públicos -, tantos crimes, que não é possível sejamos feitos à imagem e semelhança de Deus. Nós, nossas atitudes e Ele, não temos nada a ver.
Mãos. Para que servem as mãos, perguntou o poeta. A resposta é fácil. Servem para acariciar, para trabalhar, para alimentar, para construir, para pintar, para embelezar, para escrever. Servem para unir-se em fervor de oração. Servem para abençoar, para purificar. Servem para clamar, estendidas aos céus, pedindo piedade para os que sofrem. Servem para curar. Deviam servir só para isso.
Mas servem também, para empunhar a arma que mata, servem para estrangular, para ferir, para destruir, para enfear, para roubar. Servem para apedrejar. Servem para, punho cerrado, elevar-se aos céus pedindo - ou jurando - vingança. Não deviam servir para isso. Não deviam servir para isso e tantas coisas mais e más. Não deviam servir jamais, para roubar, assaltar, furtar. Também não deveriam servir para escrever o nome errado na cédula eleitoral.
Haverá em todo o Universo, a grande medicina que nos cure de todos esses males e que nos opere, criando homens verdadeiramente novos?
Há sim. É uma operação profunda, radical. Mas que não exige bisturis, tesouras, anestesias ou raios lasers.
Só precisa de atenção, boa vontade e a crença inabalável que a fé remove montanhas. Ah! E o fiel cumprimento de um código de postura simples e simplista. Atende pelo nome de Dez Mandamentos.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
SEIOS MATERNOS E TETAS GOVERNAMENTAIS
O seio, como se sabe, é aquela parte da anatomia feminina, cheia de curvaturas e sinuosidades, que o vulgo chama também de peito.
Na pecuária, o seio atende pelo nome de teta. Muito embora não tenha nada a ver com pecuária, exceto pela placidez bovina com que o povo assiste o desperdício do dinheiro público, o governo também tem tetas. Tetas imensas, generosas, produtivíssimas. Mas apenas para quem consegue sugá-las. Para estes, as tetas governamentais têm saúde de vaca holandesa premiada em exposição.
Mulheres de peito já as tivemos muitas. Marylin Monroe, Jane Mansfield, Gina Lollobrigida, possuíam seios opulentos e eventualmente túrgidos. Ficaram famosas, menos pelo talento e mais pelos seios, peitos ou tetas. Vocês decidem.
Nestes tempos de vacas magras, seios opulentos caíram de moda. A onda, agora é a mulher despeitada, lisa, retilínea, com seios que lembram mais um par de ovos - fritos, evidentemente.
Até mesmo as tetas governamentais estão produzindo menos. Ou por falta de dinheiro, digo, de leite, ou porque a fonte secou ou está secando.
Mas, leio com satisfação, notícia em jornal local, dando conta de que a Secretaria da Saúde está organizando a semana da amamentação, no Amapá. É claro que o evento é dirigido exclusivamente à turma do andar de baixo. O andar de cima, provavelmente já está saciada. Já mamou demais.
Falando sério, é uma iniciativa que merece todo o apoio da sociedade. O leite materno é absolutamente indispensável para o perfeito desenvolvimento físico e mental da criança recém nascida. O mau hábito de muitas mulheres que optaram por não amamentar suas crias, por medo de perderem a rigidez dos seios, fez com que toda uma geração crescesse desfalcada de nutrientes importantíssimos ao seu desenvolvimento. A mentalidade começa a mudar. Nenhum alimento é mais completo que o leite materno.
Amamentar é ato tão sagrado, que nem o mais patife dos homens ousará faltar com o respeito devido à mulher, que por uma razão qualquer resolva amamentar seu filho, em público.
É bom que seja assim. O Brasil precisa de filhos fortes e saudáveis. E a melhor contribuição que as mulheres poderão dar, será amamentar suas crianças para que elas cresçam e se desenvolvam plenas em vigor e saúde.
Quanto às tetas governamentais, estas, quanto menos amamentarem, melhor para todos.
Na pecuária, o seio atende pelo nome de teta. Muito embora não tenha nada a ver com pecuária, exceto pela placidez bovina com que o povo assiste o desperdício do dinheiro público, o governo também tem tetas. Tetas imensas, generosas, produtivíssimas. Mas apenas para quem consegue sugá-las. Para estes, as tetas governamentais têm saúde de vaca holandesa premiada em exposição.
Mulheres de peito já as tivemos muitas. Marylin Monroe, Jane Mansfield, Gina Lollobrigida, possuíam seios opulentos e eventualmente túrgidos. Ficaram famosas, menos pelo talento e mais pelos seios, peitos ou tetas. Vocês decidem.
Nestes tempos de vacas magras, seios opulentos caíram de moda. A onda, agora é a mulher despeitada, lisa, retilínea, com seios que lembram mais um par de ovos - fritos, evidentemente.
Até mesmo as tetas governamentais estão produzindo menos. Ou por falta de dinheiro, digo, de leite, ou porque a fonte secou ou está secando.
Mas, leio com satisfação, notícia em jornal local, dando conta de que a Secretaria da Saúde está organizando a semana da amamentação, no Amapá. É claro que o evento é dirigido exclusivamente à turma do andar de baixo. O andar de cima, provavelmente já está saciada. Já mamou demais.
Falando sério, é uma iniciativa que merece todo o apoio da sociedade. O leite materno é absolutamente indispensável para o perfeito desenvolvimento físico e mental da criança recém nascida. O mau hábito de muitas mulheres que optaram por não amamentar suas crias, por medo de perderem a rigidez dos seios, fez com que toda uma geração crescesse desfalcada de nutrientes importantíssimos ao seu desenvolvimento. A mentalidade começa a mudar. Nenhum alimento é mais completo que o leite materno.
Amamentar é ato tão sagrado, que nem o mais patife dos homens ousará faltar com o respeito devido à mulher, que por uma razão qualquer resolva amamentar seu filho, em público.
É bom que seja assim. O Brasil precisa de filhos fortes e saudáveis. E a melhor contribuição que as mulheres poderão dar, será amamentar suas crianças para que elas cresçam e se desenvolvam plenas em vigor e saúde.
Quanto às tetas governamentais, estas, quanto menos amamentarem, melhor para todos.
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