Que nenhum poderoso diga que vai se sacrificar para ocupar este ou aquele cargo de importância máxima para uma cidade, estado, região ou país porque não é verdade. Não à toa costuma-se dizer que o poder é afrodisíaco. No caso de alguns poderosos, hoje, é público e notório que acreditam - ou foram induzidos a acreditar - que o comunismo, socialismo ou equivalente foram e são a oitava maravilha do mundo. Bobagem. O passar do tempo prova que salvo as exceções de praxe, só os tolos não mudam de opinião. Aliás, Carlos Lacerda, que foi militante comunista na juventude, posteriormente deixou bem claro seu anticomunismo.
É claro que todos devemos ser contra políticos oligarcas, que se ocupam apenas da defesa de seus interesses pessoais. Mas até o seu desaparecimento completo, muito tempo ainda se passará, porque a juventude não acredita que política e decência podem ser irmãos siameses. Ainda hoje, aqui no Amapá, isso é uma triste realidade. Por exemplo, uma série de parlamentares e executivos são e foram fruto de suas respectivas oligarquias. Dizer que o poder é um ônus é apenas meia verdade, porque o bônus, no mais das vezes quem recebe é o próprio governante. Ao povo, não as batatas, mas o bônus de muitas vezes eleger quem não deveria sequer ser candidato.
Por isso, todo governante deveria dizer que o poder é, antes de mais nada, uma fonte de maravilhosas alegrias, salvo naqueles casos excepcionais, quando alguém é apanhado de surpresa para ocupar um cargo que nunca pretendeu.
O grande problema, é quando o poderoso vira um idólatra de si mesmo. E isso acontece com muitos. Alguns, tornam-se como que um Hitler, um Khadafi, um Fidel Castro, porque passa a pensar como se fosse um Luiz XIV e diz tolices como "L'État c'est moi" (O Estado sou eu).
A esperança de que o bom senso prevaleça sobre a cabeça dos que nos governam não morre jamais. Por isso, ainda se espera que as coisas mudem de aspecto. Só obstinados e vaidosos não reconhecem quando as coisas mudam.
Se hoje, um governante faz a coisa certa, deve ser elogiado. Caso contrário, deve ser espinafrado, pois é assim que anda a democracia. A verdadeira.
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Muitas vezes, sem maior inspiração para escrever algo melhor, entro em delírio. Afinal de contas, preciso ocupar este espaço todo santo dia. Nessas horas, embarco numa nave intergalática que me leva para o planeta do surrealimso mais desvairado, onde tudo é possível. Até mesmo o que se segue:
A VAIA
A multidão, silenciosa, ouvia o deputado. Em dado momento, o puxa-saco, entusiasmado, bateu solitárias palmas. E o silêncio, revoltado, o vaiou ensurdecedoramente.
UMA CRUZ TRISTE DEMAIS
Lá estava o corpo estendido no chão. Ao lado, carpinteiros rústicos trabalhavam uma cruz, ela, rústica também. Depois, conscienciosamente, pregaram o corpo na cruz e a ergueram. Ao fundo, nuvens plúmbeas e negras colidiam indignadas, cheias da cólera divina, provocando comoção cósmica. Enquanto isso, a cruz de madeira, entristecida, derramava lágrimas de sangue, enquanto maldizia o lenhador que a abatera, para submetê-la a tão triste e indigno destino.
INCONGRUÊNCIA SEM FIM
Como é possível a um planeta tão bonito, tão azul, tão verde, tão dourado e tão rico, abrir-se para recolher em seu ventre, cadáveres que o poluirão, conspurcarão e depois o adubarão, para que mais vida nasça, para ao morrer, voltar àquele útero fétido, onde tudo começará novamente.
PREVIDENTE GRAVIDEZ
Entardece. Os últimos raios de sol tentam agarrar-se desesperadamente à Terra. Mas tudo é inútil. A noite implacável avança, cobrindo o mundo com seu negror absoluto. Mas, não se sabe se porque previdente ou porque o instinto materno fala mais alto, engravida do Sol um último raio luminoso. Para que possa parir o amanhecer de um novo dia.
INCOMPREENSÃO
A boneca olha a menina que lhe faz declarações de amor. Diz ser sua mamãe. Que mãe estranha essa, que se movimenta tanto, que não sabe que bonecas gostam mesmo é de silêncio, de imobilidade, de olhos vítreos que nada vêem e que têm naquela espécie de morte, a sua única razão de existir.
COMO SE ARANHA FOSSE
A aranha arranha o jarro. Não que queira arranhá-lo. O que quer, é sair daquela prisão de vidro translúcido.
Mas o jarro, se está prenhe de aranha, é porque aranha é. E para proteger a aranha que arranha seu útero, tece, laboriosamente, finas teias de vidro sobre a boca, para que ninguém ameace seu filhote, que lentamente vai cessando de arranhá-lo.
A VAIA
A multidão, silenciosa, ouvia o deputado. Em dado momento, o puxa-saco, entusiasmado, bateu solitárias palmas. E o silêncio, revoltado, o vaiou ensurdecedoramente.
UMA CRUZ TRISTE DEMAIS
Lá estava o corpo estendido no chão. Ao lado, carpinteiros rústicos trabalhavam uma cruz, ela, rústica também. Depois, conscienciosamente, pregaram o corpo na cruz e a ergueram. Ao fundo, nuvens plúmbeas e negras colidiam indignadas, cheias da cólera divina, provocando comoção cósmica. Enquanto isso, a cruz de madeira, entristecida, derramava lágrimas de sangue, enquanto maldizia o lenhador que a abatera, para submetê-la a tão triste e indigno destino.
INCONGRUÊNCIA SEM FIM
Como é possível a um planeta tão bonito, tão azul, tão verde, tão dourado e tão rico, abrir-se para recolher em seu ventre, cadáveres que o poluirão, conspurcarão e depois o adubarão, para que mais vida nasça, para ao morrer, voltar àquele útero fétido, onde tudo começará novamente.
PREVIDENTE GRAVIDEZ
Entardece. Os últimos raios de sol tentam agarrar-se desesperadamente à Terra. Mas tudo é inútil. A noite implacável avança, cobrindo o mundo com seu negror absoluto. Mas, não se sabe se porque previdente ou porque o instinto materno fala mais alto, engravida do Sol um último raio luminoso. Para que possa parir o amanhecer de um novo dia.
INCOMPREENSÃO
A boneca olha a menina que lhe faz declarações de amor. Diz ser sua mamãe. Que mãe estranha essa, que se movimenta tanto, que não sabe que bonecas gostam mesmo é de silêncio, de imobilidade, de olhos vítreos que nada vêem e que têm naquela espécie de morte, a sua única razão de existir.
COMO SE ARANHA FOSSE
A aranha arranha o jarro. Não que queira arranhá-lo. O que quer, é sair daquela prisão de vidro translúcido.
Mas o jarro, se está prenhe de aranha, é porque aranha é. E para proteger a aranha que arranha seu útero, tece, laboriosamente, finas teias de vidro sobre a boca, para que ninguém ameace seu filhote, que lentamente vai cessando de arranhá-lo.
terça-feira, 15 de março de 2011
ÁGUAS DE MARÇO
Servem, também, para desabrigar os que moram em morros ou baixadas, naquela zona fronteiriça entre a pobreza e a miséria causada pela incompetência governamental ampla, geral e irrestrita.
Mas, ao se espalharem, cidade adentro ou cidade abaixo, as águas de março levam consigo as bactérias, os fungos, os vírus, os bacilos, as larvas de todos os mosquitos passíveis de causarem dano ao homem. Levam a disenteria, a malária, a dengue, a leshimaniose, a leptospirose e todas as formas que os deuses da chuva encontraram para dizimar a humanidade com a maior carga de sofrimento possível.
Mas, apesar de servirem para tanta coisa, as águas de março não têm o poder de invadir os palácios e palacetes da burguesia e da classe dominante. Não afeta um micronésimo os carros de luxo nos quais os poderosos deslizam como se em nuvens vivessem.
As águas de março servem para quase tudo. Mas não servem para limpar as cidades. Pelo contrário, as enlameiam, emporcalham e esburacam os leitos das ruas.
Mas, ainda que servissem para limpar toda a sujeira do mundo, mesmo assim não serviriam para lavar a sujeira que tisna, mas não envergonha, a cara dos que têm a obrigação de tornar o lugar em que vivemos, pelo menos habitável.
As águas de março não servem, também, para afogar os ratos, catitas e ratazanas que infestam os gabinetes oficiais. Não servem para levar de enxurrada os corruptos de todos os naipes ideológicos ou mercadológicos; não servem, para dizimar os que fazem do Erário propriedade particular; não funcionam como o Dilúvio através do qual o Todo-Poderoso descarregou a Sua ira, limpando a sujeira moral que cobria o mundo de então.
Ó águas de março, porque serves para tanto e, simultaneamente, não serves para nada?
Ó angústia das angústias, onde estavas líquido de vida e morte,quando o Espírito de D’us deslizava sobre a superfície das águas, ao tempo em que a escuridão ainda envolvia o Universo e aquele Espírito solitário sofria, prenhe de toda a umidade que há, sem saber o que fazer contigo que só surgirias tanto tempo depois?
sábado, 12 de março de 2011
EM DEFESA DO JUDICIÁRIO
Cremos, no mais íntimo das nossas convicções, que não é possível a ninguém, existir em plena harmonia com seus direitos e deveres num Estado Democrático de Direito, sem a plena liberdade, soberania e independência do Poder Judiciário.
Não existe civilidade e nem civilização sem a prevalência da Justiça, seja onde for e no tempo que for. Para o homem de bem, ela, a Justiça, está acima de tudo e de todos, porque sem ela, prevalece a desordem, o caos.
Por isso, causa estranheza a postura da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que, segundo consta, deverá defagrar no próximo dia 21 de março, campanha em defesa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Até onde se sabe, o CNJ é órgão integrante do Poder Judiciário Brasileiro, a exemplo do STF, STJ e outros tribunais, conforme previsto na Constituição Federal.
Sabe-se, também, que ao CNJ, compete o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. Ao STF, por sua vez, órgão máximo da Justiça Brasileira, cabe a guarda da Constituição Federal, além de julgar ações contra o próprio CNJ, além do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Cabe dizer portanto que, ao STF compete julgar ações contra decisões proferidas, tanto pelo CNJ como pelo CNMP, podendo reformá-las ou anulá-las como bem entender. Insatisfações de quaisquer naturezas contra decisões do STF, são atentatórias contra a Democracia e o Estado Democrático de Direito.
No enanto, o que se vê na linha do horizonte do direito, a título de defesa do CNJ, na verdade mais parece ato segregacionista, além de extemporâneo, como se fosse o CNJ, um poder acima e além dos demais, principalmente do Poder Judiciário, e não é assim que deve ser.
Que tipo de justiça teremos neste sofrido país, se algo ou alguém estiver acima do Supremo Tribunal Federal? Se assim for, o Tribunal será tudo, menos supremo. E nesse caso, perde a própria razão de ser.
E a pergunta que não quer calar é: a quem interessa a divisão do Judiciário Brasileiro? Não ao povo, certamente, pois este, será o mais prejudicado, porque não mais terá uma âncora que lhe dê a certeza da segurança absoluta na luta por seus direitos. À classe política? Não cremos, também, nessa possibilidade, ainda que nesse campo todo tipo de vida possa prosperar. Até mesmo as mais maléficas.
A OAB tem uma bela história na luta pelas liberdades civis e pelos direitos dos cidadãos. Não cremos portanto, que queira - ou se deixe - manchar por essa mácula que não traz o bem a ninguém. Exceto àqueles que vivem no mundo das sombras, e não conseguem viver na plenitude do sol da democracia.
Juízo e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Que não seja diferente desta vez.
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