O PÊNDULO
Pra dizer a verdade, jamais entendi montanhistas. Rapel, muito menos. Aliás, desconfio que não entendo quase nada de tudo o que há. Mas, o que sei que menos entendo é de montanhismo. Aqui pra nós, qual a graça de se fazer um esforço ingente para escalar milhares de metros céu acima, tendo que carregar às costas, pesos que creio, devem pesar não menos de uma tonelada. Como se isso não bastasse, cada metro acima, mais rarefeito o ar e mais baixa a temperatura. Frio lembra a morte. Não existem cadáveres quentes. Exceto os que morreram minutos atrás. A vida, ao contrário, é quente. E é movimento, também. Acredito que enquanto um só astro girar ao redor de si mesm, a vida existirá no universo. Acredito, também, que talvez o apocalipse seja a imobilidade total e absoluta. Significa dizer que um só raio de quantos sóis existam não brilharão; um só pulmão em todas as galáxias não respirarão; pernas não darão um passo sequer; rosas não se abrirão e belas mulheres não seduzirão homens tão frágeis diante de seu poder.
Desse ponto de vista, poderia eu até entender o montanhista. Escalar qualquer coisa significa movimento. O problema é que não existem montanhas horizontais. Toda montanha é vertical. Faz parte do seu destino.
Certa ocasião, quando andava eu perdido no Cáucaso Central, conheci um montanhista. Esse homem era diferente de todos quantos conheci. Era apaixonado por pêndulos. Pêndulos, dirão meus seis leitores? Pêndulos, sim senhor. Principalmente relógios pendulares. Ele próprio, sonhava ser um pêndulo. Pêndulo humano, claro. Por isso, não esquecia de pedir toda santa noite ao Eterno que, dentro do possível, o transformasse num pêndulo. Aquels movimento lateral ou mesmo frontal do vai e vem o encantava. Seria a glória.
Um dia tomou uma decisão. Escalaria a montanha mais alta e mais difícil de quantas existissem. Tomado de furioso entusiasmo, gastou uma pequena fortuna comprando cordas e cordeletes, cadeirinha, mosquetão e malha rápida, polia, estribos, capacete, luvas e peitoral, enfim, toda a parafernália que constitui o equipamento de qualquer bom montanhista que tem como desejo escalar uma difícil montanha. Daquelas com milhares de metros de altura, onde o vento sopra de modo perpétuo, não a brisa de praias calientes, não o vento que provoca tempestades de areia no Saara ou no Zogbi. Não, não é desse vento que falo. Falo do vento polar, do vento mais gelado que a própria morte, do vento cortante, congelante, daqueles que provocam a sensação de que um milhão de agulhas perfuram o corpo do infeliz submetido a tal fenômeno da natureza.
Por isso não entendo montanhistas. Se pelo menos eles chegassem lá, no topo da montanha e fizessem uma declaração de amor à mulher amada; se plantassem ao menos uma árvore... Já pensaram como seria o mundo se todos os cumes de todos os morros, de todas as serras, de todas as montanhas fossem arborizados? Seria uma espécie de Floresta Amazônica mundial, se contrapondo ao azul do céu. Mas não fazem nada, os montanhistas. Passam alguns minutos lá e descem. Simplesmente isso. E qual a grande vantagem? Nenhuma, é a resposta. Não que haja necessidade de se levar vantagem em tudo. Afinal de contas a Lei de Gerson já perdeu a validade de há muito.
O problema com o montanhista que queria ser pêndulo, é que não sabia que subir e fácil. Difícil, mesmo, é descer. Qualquer descuido pode ser fatal.
E não deu outra. Ao tentar sair de uma escarpa onde o vento soprava enfurecidamente, escorregou no gelo eterno. As cordas deslizaram dezenas de metros e o seguraram. O detalhe é que, da distância em que estava da encosta, nem ele e nem ninguém poderia salvá-lo. Finalmente tivera seu desejo realizado: tornara-se um pêndulo. Um pêndulo humano, é verdade mas, mesmo assim um pêndulo.
Dizem que ainda está por lá, coitado. Tão novo, tão pendurado, tão pendular... Nunca mais voltei ao Cáucaso. Tenho montanhas diferentes para escalar. As montanhas da vida com seus vales profundo e abismos mais profundos ainda. A diferença de outros escaladores é que, no meu caso meus equipamentos são outros. Ainda preciso estudar muito e aprender muito mais. Ainda sou um simples analfabeto da vida. Preciso, também sofrer muito mais do que já sofri. Estão pensando que ser alpinista na vida é fácil?Até porque não fui sábio o bastante para aprender pelo amor. Resultado: Tive que aprender pela dor. E o meu caminho ainda é tão, longo, tão árduo, tão alto...
- Moral da história: Muito cuidado com o que você pede a Deus. Ele pode atendê-lo.
domingo, 1 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
DE ANJOS E INVEJA
Para os antigos hebreus, anjo significava “mensageiro”. Essa tradução continua valendo, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. No original hebraico, anjo é grafado como “Malakh” e pode ser traduzido como mensageiros e não são todos iguais, segundo a própria Bíblia. Algumas vezes, adotam a forma humana, atuando como mensageiros de Deus, quase sempre para indicar uma missão especial e sagrada. No Novo Testamento anjo é angelos e tem o mesmo significado de alguém que porta, ou, traz uma mensagem. Quanto ao Anjo do Senhor, eventualmente pode ser confundido com o próprio Deus. Normalmente, esse é enviado para julgar e destruir (Ver 2 Samuel 24:16); para proteger e livrar (Salmos 34:7) e orientar e instruir segundo Mateus 2: 13, 19.
Convém não confundir anjos com arcanjos. Estes são uma nomeação especial para aqueles anjos que cumprem missão especial, como a comunicação feita a Maria, mãe de Jesus, que conceberia o fiho de Deus.
Segundo Voltaire, o autor do verbete anjo na Enciclopédia Francesa diz que “todas as religiões admitiram a existência dos anjos, muito embora a razão natural não o demonstre”. O certo seria se dizer que muitas religiões e não todas reconheceram anjos. Uma antiga religião de raízes judaicas e árabes, envolta em magia e superstições, assim como a dos druidas, a da China antiga, dos citas, dos antigos fenícios e dos antigos egípcios não admitiram os anjos.
Quanto aos brâmanes, orgulham-se de há 5.114 anos ter escrito sua primeira lei sagrada, intitulada Shasta. Só 1.500 anos depois escreveram sua segunda lei chamada Veidam, que significa a palavra de Deus. O Shasta afirma no seu capítulo primeiro que: “Deus é uno; criou o mundo; é uma esfera perfeita sem começo e nem fim. Ele conduz toda a criação por uma providência geral, resultante de um princípio determinado.
O segundo capítulo da Shasta diz que o Eterno, absorvido na contemplação de sua própria existência, resolveu na plenitude dos tempos comunicar sua glória e sua essência a seres capazes de sentir e compartilhar sua beatitude assim como servir sua glória. O Eterno quis e passaram a existir. Ele os formou de parte da sua essência, capazes de perfeição e imperfeição, segundo a sua vontade.
Então está escrito que Ele primeiro criou Birma, Vitsnu e Sib. Em seguida, criou Mozazor e toda a multidão de anjos. Birma foi o príncipe do exército angélico e Vitsnu e Sib seus coadjutores. Eles adoraram o Eterno disposto em torno de seu trono, cada um segundo sua importância. A harmonia reinou nos céus e Mozazor cantou o cântico de louvor e de adoração ao Criador. E o Eterno se alegrou com a Sua criação.
Mas, e tudo tem um mas, a harmonia que poderia ter durado ad eternum assim não aconteceu por causa da inveja. Lembram da serpente do Éden primevo dos hebreus? Pois é, ela, a inveja, se apossou do coração de Mozazor e de outros príncipes dos destacamentos angélicos. Entre esses estava Raabon, o primeiro em dignidade depois de Mozazor. Esquecidos da felicidade de sua criação e de seus deveres, tal qual Lúcifer, o mais belo entre as criaturas de Javeh, rejeitaram o poder de perfeição e adotaram o poder de imperfeição. Fizeram o mal diante do Eterno, desobedeceram suas ordens e disseram: “Nós queremos governar”. Através de promessas sedutoras, aliciaram um enorme número de anjos, e foi assim que surgiu a dor e a tristeza, e o mal proliferou por toda a Terra e por onde mais vá um só ser humano. Foi assim também, que o Eterno, cheio de ira, mandou Sib marchar contra eles, armado de onipotência e precipitá-lo do lugar eminente para o lugar das trevas, no Ondera, para ali serem punidos mil anos vezes mil anos.
Anjos como Gabriel, cujo nome significa “soldado de Deus”; Miguel, que é apontado como arcanjo e cujo nome significa “aquele que é parecido com Deus”, além de muitos outros, além de trazerem boas novas, também lutaram, por ordem do que tudo pode, e precipitaram Lúcifer e seus seguidores ao Hades, lugar destinado aos demônios.
Quanta dor, quanta mágoa, quanta raiva, quanto sofrimento, quantos males de todos os tipos e ordens são causados por esse pecado capital chamado inveja, tanto no reino dos céus quanto na Terra. e que é comum naqueles que pensam menos no que já têm e mais no que lhes falta.
Sejamos brâmanes, cristãos, judeus, muçulmanos ou pertençamos a qualquer outra religião, até mesmo entre os autodenominados ateus, tantos milênios depois, a inveja ainda domina os homens, esquecidos que só o amor constrói. Final de contas, foi o Mestre entre os mestres quem disse: “Amai-vos uma aos outros como Eu vos amei”. E mesmo assim, insistimos em não aprender nada da mensagem divina. Absolutamente nada.
Para os antigos hebreus, anjo significava “mensageiro”. Essa tradução continua valendo, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. No original hebraico, anjo é grafado como “Malakh” e pode ser traduzido como mensageiros e não são todos iguais, segundo a própria Bíblia. Algumas vezes, adotam a forma humana, atuando como mensageiros de Deus, quase sempre para indicar uma missão especial e sagrada. No Novo Testamento anjo é angelos e tem o mesmo significado de alguém que porta, ou, traz uma mensagem. Quanto ao Anjo do Senhor, eventualmente pode ser confundido com o próprio Deus. Normalmente, esse é enviado para julgar e destruir (Ver 2 Samuel 24:16); para proteger e livrar (Salmos 34:7) e orientar e instruir segundo Mateus 2: 13, 19.
Convém não confundir anjos com arcanjos. Estes são uma nomeação especial para aqueles anjos que cumprem missão especial, como a comunicação feita a Maria, mãe de Jesus, que conceberia o fiho de Deus.
Segundo Voltaire, o autor do verbete anjo na Enciclopédia Francesa diz que “todas as religiões admitiram a existência dos anjos, muito embora a razão natural não o demonstre”. O certo seria se dizer que muitas religiões e não todas reconheceram anjos. Uma antiga religião de raízes judaicas e árabes, envolta em magia e superstições, assim como a dos druidas, a da China antiga, dos citas, dos antigos fenícios e dos antigos egípcios não admitiram os anjos.
Quanto aos brâmanes, orgulham-se de há 5.114 anos ter escrito sua primeira lei sagrada, intitulada Shasta. Só 1.500 anos depois escreveram sua segunda lei chamada Veidam, que significa a palavra de Deus. O Shasta afirma no seu capítulo primeiro que: “Deus é uno; criou o mundo; é uma esfera perfeita sem começo e nem fim. Ele conduz toda a criação por uma providência geral, resultante de um princípio determinado.
O segundo capítulo da Shasta diz que o Eterno, absorvido na contemplação de sua própria existência, resolveu na plenitude dos tempos comunicar sua glória e sua essência a seres capazes de sentir e compartilhar sua beatitude assim como servir sua glória. O Eterno quis e passaram a existir. Ele os formou de parte da sua essência, capazes de perfeição e imperfeição, segundo a sua vontade.
Então está escrito que Ele primeiro criou Birma, Vitsnu e Sib. Em seguida, criou Mozazor e toda a multidão de anjos. Birma foi o príncipe do exército angélico e Vitsnu e Sib seus coadjutores. Eles adoraram o Eterno disposto em torno de seu trono, cada um segundo sua importância. A harmonia reinou nos céus e Mozazor cantou o cântico de louvor e de adoração ao Criador. E o Eterno se alegrou com a Sua criação.
Mas, e tudo tem um mas, a harmonia que poderia ter durado ad eternum assim não aconteceu por causa da inveja. Lembram da serpente do Éden primevo dos hebreus? Pois é, ela, a inveja, se apossou do coração de Mozazor e de outros príncipes dos destacamentos angélicos. Entre esses estava Raabon, o primeiro em dignidade depois de Mozazor. Esquecidos da felicidade de sua criação e de seus deveres, tal qual Lúcifer, o mais belo entre as criaturas de Javeh, rejeitaram o poder de perfeição e adotaram o poder de imperfeição. Fizeram o mal diante do Eterno, desobedeceram suas ordens e disseram: “Nós queremos governar”. Através de promessas sedutoras, aliciaram um enorme número de anjos, e foi assim que surgiu a dor e a tristeza, e o mal proliferou por toda a Terra e por onde mais vá um só ser humano. Foi assim também, que o Eterno, cheio de ira, mandou Sib marchar contra eles, armado de onipotência e precipitá-lo do lugar eminente para o lugar das trevas, no Ondera, para ali serem punidos mil anos vezes mil anos.
Anjos como Gabriel, cujo nome significa “soldado de Deus”; Miguel, que é apontado como arcanjo e cujo nome significa “aquele que é parecido com Deus”, além de muitos outros, além de trazerem boas novas, também lutaram, por ordem do que tudo pode, e precipitaram Lúcifer e seus seguidores ao Hades, lugar destinado aos demônios.
Quanta dor, quanta mágoa, quanta raiva, quanto sofrimento, quantos males de todos os tipos e ordens são causados por esse pecado capital chamado inveja, tanto no reino dos céus quanto na Terra. e que é comum naqueles que pensam menos no que já têm e mais no que lhes falta.
Sejamos brâmanes, cristãos, judeus, muçulmanos ou pertençamos a qualquer outra religião, até mesmo entre os autodenominados ateus, tantos milênios depois, a inveja ainda domina os homens, esquecidos que só o amor constrói. Final de contas, foi o Mestre entre os mestres quem disse: “Amai-vos uma aos outros como Eu vos amei”. E mesmo assim, insistimos em não aprender nada da mensagem divina. Absolutamente nada.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
DERROTA DO ATRASO
Menos mal. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), perdeu a ocasião de ficar quieto e escondido no seu canto, de onde, aliás, jamais deveria ter saído. Líder do atraso e com interesses talvez inconfessáveis, Paulo Pimenta é autor da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 386/2009, que cria a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, matéria que já foi julgada e decidida em sentido contrário pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por considerar que a exigência fere a Constituição, no sentido em que limita a livre expressão de pensamento, sofreu nova derrota, desta vez na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania) da Câmara Federal. O relator da matéria, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB/PA), deu voto em separado na manhã de terça-feira, dia 27/10, contra a dita Proposição.
Zenaldo Coutinho argumentou que a exigência de diploma na área de jornalismo é incabível. “... qualquer tipo de controle, restrição ou condição imposta pelo Estado, que interfira na liberdade profissional no momento do próprio acesso à atividade jornalística, configura, em última análise, espécie de controle prévio que, em verdade, caracteriza censura prévia das liberdades de expressão e informação”. Coutinho diz mais, ainda: Diz que “O maior bem a ser tutelado não é o direito do jornalista de informar, mas sim o da sociedade de ser informada. Inadmissível, pois, exercer o controle do jornalismo e da comunicação a partir do Estado”.
A CCJ adiou para quarta-feira, 04/11, às 10hs da manhã, a votação da PEC 386/2009. Você que leu este artigo ou um outro qualquer abordando este assunto, seja ou não jornalista, pressione o seu deputado. Diga a ele que você é contra esta medida que já existiu no Brasil ao tempo da ditadura militar de 64. Se alguém a quer de volta, ou tem interesses inconfessáveis ou não é amante da verdadeira democracia.
Menos mal. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), perdeu a ocasião de ficar quieto e escondido no seu canto, de onde, aliás, jamais deveria ter saído. Líder do atraso e com interesses talvez inconfessáveis, Paulo Pimenta é autor da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 386/2009, que cria a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, matéria que já foi julgada e decidida em sentido contrário pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por considerar que a exigência fere a Constituição, no sentido em que limita a livre expressão de pensamento, sofreu nova derrota, desta vez na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania) da Câmara Federal. O relator da matéria, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB/PA), deu voto em separado na manhã de terça-feira, dia 27/10, contra a dita Proposição.
Zenaldo Coutinho argumentou que a exigência de diploma na área de jornalismo é incabível. “... qualquer tipo de controle, restrição ou condição imposta pelo Estado, que interfira na liberdade profissional no momento do próprio acesso à atividade jornalística, configura, em última análise, espécie de controle prévio que, em verdade, caracteriza censura prévia das liberdades de expressão e informação”. Coutinho diz mais, ainda: Diz que “O maior bem a ser tutelado não é o direito do jornalista de informar, mas sim o da sociedade de ser informada. Inadmissível, pois, exercer o controle do jornalismo e da comunicação a partir do Estado”.
A CCJ adiou para quarta-feira, 04/11, às 10hs da manhã, a votação da PEC 386/2009. Você que leu este artigo ou um outro qualquer abordando este assunto, seja ou não jornalista, pressione o seu deputado. Diga a ele que você é contra esta medida que já existiu no Brasil ao tempo da ditadura militar de 64. Se alguém a quer de volta, ou tem interesses inconfessáveis ou não é amante da verdadeira democracia.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
PAZ E GUERRA
Desde sempre, o que mais se fala quando o assunto é política, seja ela interna ou externa, é de guerra e paz. Mas, o que é a paz? As respostas, além de serem muitas, têm os mais diversos tipos, senão vejamos: para o prussiano conde Carl Von Clausewitz, que lutou contra Napoleão na Rússia e em Waterloo e ajudou a reorganizar o Exército da Prússia, sendo também, o autor do clássico Da Guerra, talvez o maior tratado militar de todos os tempos, guerra era “a continuação da política por outros meios”. Disse mais, ainda. Disse que “o conquistador é sempre amante da paz. Preferia, sem dúvida subjugar nosso país sem ter de combater”. O conde prussiano também dizia que, “a guerra é um ato de força, e não há limite para a aplicação dessa força.” Aliás, antes dele, Heráclito já dizia que “a luta é a regra do mundo e a guerra é a geratriz comum e a senhora de todas as coisas”.
É verdade. Para conferir, basta que se pense no número de mortos da Segunda Guerra Mundial, que envolveu 61 países (apenas os beligerantes); onde 1,7 bilhão de pessoas, ou seja, ¾ da população mundial, à época, dela participaram. Quanto ao número de mortos, foi o maior em toda a história dos conflitos humanos: 75 milhões de pessoas. Desse total, cerca de 47 milhões foram civis, dos quais, 20 milhões morreram de fome, de doenças ou os dois juntos. Entre os militares, o número de mortos em combate foi de 25 milhões, além dos 4 milhões de soldados que padeceram em campos de concentração. Do total, os aliados perderam 14 milhões de soldados e as tropas do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) contaram 11 milhões de mortos. Isso, em resumo, mostra a tragédia desse imenso conflito, muito embora para Josef Stalin, o ditador russo, isso fosse apenas uma estatística. Foi ele que disse que “a morte de uma pessoa é uma tragédia. A morte de milhões de pessoas é apenas uma estatística.”
Se esse foi o último grande conflito da humanidade, não podemos esquecer guerras como as do Vietnam, da Coréia, que oficialmente ainda não terminou; do Iraque (americanos), do Afeganistão (russos), e outras menos votadas como as africanas e asiáticas. Se incluirmos nesses números os mortos que devastam países como o Brasil, onde apenas nos últimos mil dias morreram assassinadas 20 mil pessoas, e isso somente na cidade do Rio de Janeiro, o número ficará além da nossa imaginação. No entanto, insistimos em dizer que vivemos em paz.
Paz, como já dissemos, existe de todos os tipos. Que paz é essa na qual pensamos viver: a paz dos cemitérios? A Pax Romana ou, no nosso tempo, a Pax Americana (houve também uma Pax Soviética, uma Pax Otomana, uma Pax Chinesa)? Todas elas foram o resultado de uma conquista e de uma pressão militar contínua que ajudou a manter uma certa ordem. Se, por um lado reduziu o grau de conflito no coração do império, por outro lado produziu várias guerras pequenas, mas sangrentas, na periferia. Isso, claro, agradou aos que estavam no centro da questão; mas aqueles que estavam nas periferias da vida tiveram de lidar com a violência, como o Brasil lida, diariamente, em todos os estados, em todas as cidades e em todas as ruas com a sua própria violência. E isso será paz?
Eu, que sempre vivi a minha própria guerra, guerra pela vida, guerra pelo pão (que o Diabo amassou) de cada dia, guerra contra a guerra, guerra pelo direito de ir e vir – e ficar parado; guerra pela livre expressão de pensamento, guerra contra aqueles que acham que podem ser nossos donos, que podem nos escravizar, guerra pelo direito à vida, à liberdade, à saúde e à segurança, além da guerra contra os que acham que podem impor suas verdades a nosotros, que antes e além de qualquer coisa, nascemos para ser livres, anseio pela paz, mas não a paz da morte, a não ser que morrer seja apenas uma viagem para os Campos Elísios. Se assim for, então que venha, e venha rápido porque lá, nos Champs Elisées não haverá dor, não haverá frio, não haverá fome, não haverá saudade, principalmente isso, saudade de um tempo em que eu não sabia que o futuro existia, e muito menos que o passado podia doer tanto.
Desde sempre, o que mais se fala quando o assunto é política, seja ela interna ou externa, é de guerra e paz. Mas, o que é a paz? As respostas, além de serem muitas, têm os mais diversos tipos, senão vejamos: para o prussiano conde Carl Von Clausewitz, que lutou contra Napoleão na Rússia e em Waterloo e ajudou a reorganizar o Exército da Prússia, sendo também, o autor do clássico Da Guerra, talvez o maior tratado militar de todos os tempos, guerra era “a continuação da política por outros meios”. Disse mais, ainda. Disse que “o conquistador é sempre amante da paz. Preferia, sem dúvida subjugar nosso país sem ter de combater”. O conde prussiano também dizia que, “a guerra é um ato de força, e não há limite para a aplicação dessa força.” Aliás, antes dele, Heráclito já dizia que “a luta é a regra do mundo e a guerra é a geratriz comum e a senhora de todas as coisas”.
É verdade. Para conferir, basta que se pense no número de mortos da Segunda Guerra Mundial, que envolveu 61 países (apenas os beligerantes); onde 1,7 bilhão de pessoas, ou seja, ¾ da população mundial, à época, dela participaram. Quanto ao número de mortos, foi o maior em toda a história dos conflitos humanos: 75 milhões de pessoas. Desse total, cerca de 47 milhões foram civis, dos quais, 20 milhões morreram de fome, de doenças ou os dois juntos. Entre os militares, o número de mortos em combate foi de 25 milhões, além dos 4 milhões de soldados que padeceram em campos de concentração. Do total, os aliados perderam 14 milhões de soldados e as tropas do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) contaram 11 milhões de mortos. Isso, em resumo, mostra a tragédia desse imenso conflito, muito embora para Josef Stalin, o ditador russo, isso fosse apenas uma estatística. Foi ele que disse que “a morte de uma pessoa é uma tragédia. A morte de milhões de pessoas é apenas uma estatística.”
Se esse foi o último grande conflito da humanidade, não podemos esquecer guerras como as do Vietnam, da Coréia, que oficialmente ainda não terminou; do Iraque (americanos), do Afeganistão (russos), e outras menos votadas como as africanas e asiáticas. Se incluirmos nesses números os mortos que devastam países como o Brasil, onde apenas nos últimos mil dias morreram assassinadas 20 mil pessoas, e isso somente na cidade do Rio de Janeiro, o número ficará além da nossa imaginação. No entanto, insistimos em dizer que vivemos em paz.
Paz, como já dissemos, existe de todos os tipos. Que paz é essa na qual pensamos viver: a paz dos cemitérios? A Pax Romana ou, no nosso tempo, a Pax Americana (houve também uma Pax Soviética, uma Pax Otomana, uma Pax Chinesa)? Todas elas foram o resultado de uma conquista e de uma pressão militar contínua que ajudou a manter uma certa ordem. Se, por um lado reduziu o grau de conflito no coração do império, por outro lado produziu várias guerras pequenas, mas sangrentas, na periferia. Isso, claro, agradou aos que estavam no centro da questão; mas aqueles que estavam nas periferias da vida tiveram de lidar com a violência, como o Brasil lida, diariamente, em todos os estados, em todas as cidades e em todas as ruas com a sua própria violência. E isso será paz?
Eu, que sempre vivi a minha própria guerra, guerra pela vida, guerra pelo pão (que o Diabo amassou) de cada dia, guerra contra a guerra, guerra pelo direito de ir e vir – e ficar parado; guerra pela livre expressão de pensamento, guerra contra aqueles que acham que podem ser nossos donos, que podem nos escravizar, guerra pelo direito à vida, à liberdade, à saúde e à segurança, além da guerra contra os que acham que podem impor suas verdades a nosotros, que antes e além de qualquer coisa, nascemos para ser livres, anseio pela paz, mas não a paz da morte, a não ser que morrer seja apenas uma viagem para os Campos Elísios. Se assim for, então que venha, e venha rápido porque lá, nos Champs Elisées não haverá dor, não haverá frio, não haverá fome, não haverá saudade, principalmente isso, saudade de um tempo em que eu não sabia que o futuro existia, e muito menos que o passado podia doer tanto.
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