O paraíso perdido
O poeta inglês John Milton, do século 17, eternizou-se ao escrever Paradise lost (1667 - Paraíso perdido), um dos maiores poemas épicos da literatura universal. Seu leit-motiv é a justiça divina, mas o personagem dramático que domina o poema é Satã. A seguir, escreveu o Paraíso conquistado. Este é sequência e contraponto. Cristo, o segundo Adão, vem à Terra reconquistar o que o primeiro dos homens perdera.
O conflito entre o bem e o mal perseguiu Milton até o fim da vida. É uma característica própria dos que tentam entender o Universo e o homem, a partir do princípio das partidas dobradas, ou seja o princípio que diz que para o bem, se contrapõe o mal; para a vida, a morte, para o alto, o baixo, para o mau, o bom, e assim por diante.
Este conflito tem dividido o homem desde o princípio dos tempos, sobre o certo e errado, guerra e paz, homem e mulher, dia e noite, Deus e o Diabo, crime e castigo. Esse mesmo conflito deu origem às religiões, que voltadas intrinsecamente para o bem, provocaram, talvez, os maiores males que o homem poderia criar para torturar-se a si mesmo. Além dos massacres cometidos em nome de Deus, as religiões colocaram viseiras que impediram o homem de raciocinar com clareza e pudessem ver a face serena de Deus, que buscam há tanto tempo.
A nossa civilização, dita greco-romana ou judaico-cristã, está sendo substituída por valores anglo-saxões. A América tenta impingir a idéia de que é possível a extinção do mal sem a prevalência do bem, que o crime não merece castigo, que Rosseau estava absolutamente correto com sua teoria do bom selvagem, que tal qual teria este fim, perdido o Paraíso por causa do Senhor das Moscas, como algumas seitas costumam chamar Belzebu (o Demônio do Judaísmo) e que William Golding estaria errado.
Nenhuma coisa e nem outra. O homem é simultaneamente Rosseau e Golding, é bom e é mau, é Deus e Diabo. Mais Diabo do que Deus.
Nossa tragédia, é que o Paraíso perdido está fora do nosso alcance. Tentamos por isso substituí-lo pelo paraíso da impunidade. Não vai dar certo, porque a humanidade tem caminhado desde os albores dos tempos, sob a permanente ameaça de homens cruéis e brutais.
Ainda vivemos em permanente estado de guerra. E qualquer pessoa que tenha estado na guerra, sabe que o homem produz o mal como a abelha produz o mel.
Mas. sonhar não paga imposto, ainda. Quem sabe ao fim e ao cabo não nos econtremos todos, quem sabe, naquele lugar abençoado que, se não era o Paraíso, ficava a Leste do Éden. E o pior. é que não nos resta outra opção: ou habitaremos os Campos Elíseos de que falavam os gregos, ou padeceremos ad eternum no nono círculo do Inferno de Dante. Quem viver, digo, quem morrer, verá.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
FLIP NÃO DÁ OUTRO
FLIP NÃO DÁ OUTRO
Sempre tive a veleidade de escrever. Reconheço que não escrevo bem, mas, fazer o quê, se a compulsão é maior que a minha força de vontade? Eu que sempre tive a imagem de mim mesmo como sendo pessoa desprovida da maldição da inveja, descubro horrorizado que sou um invejoso, sim. Morro de inveja de quem escreve bem. É por isso que lamento não ser um milésimo sequer de um Nelson Rodrigues, o cronista do absurdo e do patético. Lamento também, estar a léguas de distância de um Rui Guilherme de Vasconcelos Souza Filho ou de um Ruben Bemerguy, nomes que por si só dispensam apresentações, tal o seu valor humano, literário e intelectual. A mim, resta então, fazer o que me é possível: segui-los. Isto, se possível for a um quelônio seguir ou acompanhar uma lebre. É por isso que, sempre que posso, cedo o espaço desta coluna onde escrevo mal traçadas linhas para quem conhece, realmente, a arte de escrever. Hoje, o espaço vai para o meu querido amigo e grande e exemplar advogado Ruben Bemerguy. Como já disse, Bemerguy dispensa apresentações e no texto a seguir, fala de um homem de quem tive a honra e o prazer de privar da amizade. Chamava-se Moisés. Moisés Zagury, um dos primeiros empresários amapaenses que, mesmo nascido em terras longínquas, era o mais tucuju de tantos outros quanto possamos tê-los, pela firmeza de caráter, pela honestidade, pela correção, por seus princípios básicos de homem franco e trabalhador, por sua lealdade, por sua falta de ambição a valores tipicamente terrenos, e pelo amor que devotava a sua esposa, Dona Raquel Zagury, mulher de honradez e beleza a toda prova. Tão bela quanto a Raquel bíblica, por quem Jacob serviu a Labão por longos 14 anos.
O texto de Bemerguy fala de um tempo que se foi para nunca mais voltar, um tempo em que éramos tão pobres, tão belos, tão inocentes. A ele, portanto. Vale a pena recordar.
FLIP NÃO DÁ OUTRO
“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa”.
“Chico Buarque de Holanda”
“Muito embora se possa pensar, e não sem alguma razão que me decidi por uma literatura lúgubre, digo sempre que não. Também digo não ser essa uma expressão de meu luto. Não escrevo sobre os mortos porque morreram simplesmente. O faço como quem ora, sempre ao nascer e ao pôr-do-sol, em uma sinagoga feita à mão, desenhada n’alma da mais intensa saudade. Escrevo também para que os meus mortos permaneçam vivos em mim. Morreria mais apressadamente sem a memória dos que amei tanto. É só por isso que escrevo. Porque os amei e ainda os amo.
E quando esses meu amores partem e com eles já não posso mais falar, passo, insistentemente a dialogar comigo. É um diálogo franco e, de fato, inexistente. Sempre que tento assumir a função de meu próprio interlocutor, uma súbita impressão de escárnio de mim mesmo me faz parar, e aí calo. Toco a metade de meu indicador direito, verticalmente fixo, na metade de meus lábios, como a pedir silêncio a minha insensatez. Taciturno, faço vir à memória de um tudo.
É por isso e tanto mais, que ando sempre atrasado. Demoro a escrever e quando decido o faço tão pausadamente que chego a aprender de cor todo o texto. Por exemplo, se medido o amor que tinha por meu tio Moisés Zagury, há muito me obrigava a ter escrito. Mas minha inércia não é voluntária e, por isso, não a criminalizo. Não há relação entre o tempo da morte e o tempo de escrever. A relação é de amor e é eterna. A morte e a palavra, ao contrário de mim, não se atrasam. Além disso, em minha vida andam juntas, nem que seja só em minha vida. Isso já aprendi porque as sinto frequentemente desde criança, tanto a morte quanto a palavra.
E é desde criança que lembro do tio Moisés. Lá, estive muitas vezes no colo. Pensei que adulto, isso não mais aconteceria, mas aconteceu até a última vez que o vi. No aeroporto, quieto em uma cadeira de rodas, ele ia. Tinha um olhar paciente, de contemplação, de reverência a Macapá e, sem que ele percebesse, eu em seu colo observava obcecadamente cada movimento dos olhos, queria traduzir e imortalizar aquele momento. Não consegui e até hoje tento imaginar o que o tio Moisés dizia pra cidade. Acho que tudo, menos adeus. Macapá e o tio eram inseparáveis. Essa era a terra dele e ele o homem dela. Isso é inegável. Por baixo das anáguas de Macapá ainda velejam o líquido de ambos: do tio e da cidade.
O tio conheceu a cidade cedo. Ele, moço. Ela, moça. Daí foi um passo para ser o abre-alas dela. Tinha dom. Rascunhavam-se incessantemente um ao outro. Eu os vi várias vezes passeando, trocando carícias. Ela costuma cantar para ele, enquanto ele fabricava um xarope de guaraná. O Flip. Flip guaraná. Dentro de cada garrafa havia um arco-íris. A fórmula era segredo do tio e da cidade, e até hoje o é. Por isso, só o tio conseguia pôr arco-íris em uma garrafa de guaraná. Acho mesmo que o Flip era feito da seiva da cidade. Eu o tomava gut, gut.
O Flip não foi só o primeiro guaraná produzido aqui. Não foi só também a primeira indústria. O Flip, me conta a memória, foi o cenário auditivo mais preciso da minha lembrança. Era a propaganda que anunciava promoção de prêmios a quem encontrasse no guaraná, além do arco-íris, o desenho de um copo no interior da tampinha da garrafa. O copo, sinceramente, não era minha grande ambição. O sabor estava mesmo, na propaganda que vinha pelas ondas das rádios Difusora e Educadora, se bem lembro. Era o som de um copo quebrando, esquadrinhado por uma indagação seguida da solução: “Quebrou? Flip dá outro. E dava mesmo.
Não sei se por ingenuidade da infância ou ignorância, o que aquele sorteio me fixou é que tudo era substituível. Se o copo quebra, Flip dá outro. Se a bola fura. Flip dá outra. Se a moda não pega. Flip dá outra. Se o tempo passa, Flip dá outro. Se o ar falta. Flip dá outro. Se o amor acaba, Flip dá outro.
Não me cabe agora eleger um culpado pela singeleza da minha compreensão de vida. Fico cá a suspeitar do arco-íris, e nem por isso me zango. Se me fosse permitido optar entre a idade madura e o arco-íris, escolheria o arco-íris sem piscar. Mas isso não é possível, agora eu sei. A bola fura, a moda pega, o tempo passa, o ar falta e o amor acaba. Tudo, é claro, por falta do Flip.
É um desconforto viver sem Flip. Todas as vezes que a vida me recusa, eu lembro do Flip. Mesmo assim, não digo nada a ninguém. Chamo num canto os arco-íris que conservo desde tanto, faço mimos, beijo os olhos, o rosto e sossego. Vem sempre uma chuva fina. Eu me olho e a guardo. Guardo muitas chuvas. Quando se guarda bem guardadinha, a chuva não dói. Só dói é saber que Flip não dá outro. Poxa, quanta saudade do meu tio".
Sempre tive a veleidade de escrever. Reconheço que não escrevo bem, mas, fazer o quê, se a compulsão é maior que a minha força de vontade? Eu que sempre tive a imagem de mim mesmo como sendo pessoa desprovida da maldição da inveja, descubro horrorizado que sou um invejoso, sim. Morro de inveja de quem escreve bem. É por isso que lamento não ser um milésimo sequer de um Nelson Rodrigues, o cronista do absurdo e do patético. Lamento também, estar a léguas de distância de um Rui Guilherme de Vasconcelos Souza Filho ou de um Ruben Bemerguy, nomes que por si só dispensam apresentações, tal o seu valor humano, literário e intelectual. A mim, resta então, fazer o que me é possível: segui-los. Isto, se possível for a um quelônio seguir ou acompanhar uma lebre. É por isso que, sempre que posso, cedo o espaço desta coluna onde escrevo mal traçadas linhas para quem conhece, realmente, a arte de escrever. Hoje, o espaço vai para o meu querido amigo e grande e exemplar advogado Ruben Bemerguy. Como já disse, Bemerguy dispensa apresentações e no texto a seguir, fala de um homem de quem tive a honra e o prazer de privar da amizade. Chamava-se Moisés. Moisés Zagury, um dos primeiros empresários amapaenses que, mesmo nascido em terras longínquas, era o mais tucuju de tantos outros quanto possamos tê-los, pela firmeza de caráter, pela honestidade, pela correção, por seus princípios básicos de homem franco e trabalhador, por sua lealdade, por sua falta de ambição a valores tipicamente terrenos, e pelo amor que devotava a sua esposa, Dona Raquel Zagury, mulher de honradez e beleza a toda prova. Tão bela quanto a Raquel bíblica, por quem Jacob serviu a Labão por longos 14 anos.
O texto de Bemerguy fala de um tempo que se foi para nunca mais voltar, um tempo em que éramos tão pobres, tão belos, tão inocentes. A ele, portanto. Vale a pena recordar.
FLIP NÃO DÁ OUTRO
“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa”.
“Chico Buarque de Holanda”
“Muito embora se possa pensar, e não sem alguma razão que me decidi por uma literatura lúgubre, digo sempre que não. Também digo não ser essa uma expressão de meu luto. Não escrevo sobre os mortos porque morreram simplesmente. O faço como quem ora, sempre ao nascer e ao pôr-do-sol, em uma sinagoga feita à mão, desenhada n’alma da mais intensa saudade. Escrevo também para que os meus mortos permaneçam vivos em mim. Morreria mais apressadamente sem a memória dos que amei tanto. É só por isso que escrevo. Porque os amei e ainda os amo.
E quando esses meu amores partem e com eles já não posso mais falar, passo, insistentemente a dialogar comigo. É um diálogo franco e, de fato, inexistente. Sempre que tento assumir a função de meu próprio interlocutor, uma súbita impressão de escárnio de mim mesmo me faz parar, e aí calo. Toco a metade de meu indicador direito, verticalmente fixo, na metade de meus lábios, como a pedir silêncio a minha insensatez. Taciturno, faço vir à memória de um tudo.
É por isso e tanto mais, que ando sempre atrasado. Demoro a escrever e quando decido o faço tão pausadamente que chego a aprender de cor todo o texto. Por exemplo, se medido o amor que tinha por meu tio Moisés Zagury, há muito me obrigava a ter escrito. Mas minha inércia não é voluntária e, por isso, não a criminalizo. Não há relação entre o tempo da morte e o tempo de escrever. A relação é de amor e é eterna. A morte e a palavra, ao contrário de mim, não se atrasam. Além disso, em minha vida andam juntas, nem que seja só em minha vida. Isso já aprendi porque as sinto frequentemente desde criança, tanto a morte quanto a palavra.
E é desde criança que lembro do tio Moisés. Lá, estive muitas vezes no colo. Pensei que adulto, isso não mais aconteceria, mas aconteceu até a última vez que o vi. No aeroporto, quieto em uma cadeira de rodas, ele ia. Tinha um olhar paciente, de contemplação, de reverência a Macapá e, sem que ele percebesse, eu em seu colo observava obcecadamente cada movimento dos olhos, queria traduzir e imortalizar aquele momento. Não consegui e até hoje tento imaginar o que o tio Moisés dizia pra cidade. Acho que tudo, menos adeus. Macapá e o tio eram inseparáveis. Essa era a terra dele e ele o homem dela. Isso é inegável. Por baixo das anáguas de Macapá ainda velejam o líquido de ambos: do tio e da cidade.
O tio conheceu a cidade cedo. Ele, moço. Ela, moça. Daí foi um passo para ser o abre-alas dela. Tinha dom. Rascunhavam-se incessantemente um ao outro. Eu os vi várias vezes passeando, trocando carícias. Ela costuma cantar para ele, enquanto ele fabricava um xarope de guaraná. O Flip. Flip guaraná. Dentro de cada garrafa havia um arco-íris. A fórmula era segredo do tio e da cidade, e até hoje o é. Por isso, só o tio conseguia pôr arco-íris em uma garrafa de guaraná. Acho mesmo que o Flip era feito da seiva da cidade. Eu o tomava gut, gut.
O Flip não foi só o primeiro guaraná produzido aqui. Não foi só também a primeira indústria. O Flip, me conta a memória, foi o cenário auditivo mais preciso da minha lembrança. Era a propaganda que anunciava promoção de prêmios a quem encontrasse no guaraná, além do arco-íris, o desenho de um copo no interior da tampinha da garrafa. O copo, sinceramente, não era minha grande ambição. O sabor estava mesmo, na propaganda que vinha pelas ondas das rádios Difusora e Educadora, se bem lembro. Era o som de um copo quebrando, esquadrinhado por uma indagação seguida da solução: “Quebrou? Flip dá outro. E dava mesmo.
Não sei se por ingenuidade da infância ou ignorância, o que aquele sorteio me fixou é que tudo era substituível. Se o copo quebra, Flip dá outro. Se a bola fura. Flip dá outra. Se a moda não pega. Flip dá outra. Se o tempo passa, Flip dá outro. Se o ar falta. Flip dá outro. Se o amor acaba, Flip dá outro.
Não me cabe agora eleger um culpado pela singeleza da minha compreensão de vida. Fico cá a suspeitar do arco-íris, e nem por isso me zango. Se me fosse permitido optar entre a idade madura e o arco-íris, escolheria o arco-íris sem piscar. Mas isso não é possível, agora eu sei. A bola fura, a moda pega, o tempo passa, o ar falta e o amor acaba. Tudo, é claro, por falta do Flip.
É um desconforto viver sem Flip. Todas as vezes que a vida me recusa, eu lembro do Flip. Mesmo assim, não digo nada a ninguém. Chamo num canto os arco-íris que conservo desde tanto, faço mimos, beijo os olhos, o rosto e sossego. Vem sempre uma chuva fina. Eu me olho e a guardo. Guardo muitas chuvas. Quando se guarda bem guardadinha, a chuva não dói. Só dói é saber que Flip não dá outro. Poxa, quanta saudade do meu tio".
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
NASCE UM NOVO DEUS
NASCE UM NOVO DEUS
Em Janeiro de 2010 deverá estrear em cinemas de todo o Brasil, o filme "Lula, o filho do Brasil", dirigido pelo áulico dos áulicos Fábio Barreto. Aliás, é bom lembrar que a profissão de áulico é uma atividade muito rendosa. Prova-o o fato de que áulicos de todos os naipes ideológicos e mercadológicos proliferam como ratazanas nos porões de qualquer governo e a procura pela função cresce a cada dia que passa. Eu, que nada entendo de filmes e filmagens, se convidado a titular o bendito filme, certamente mudaria o nome para "Lula, o filho (bastardo) do Brasil".
De certo o que temos é que, sendo 2010 ano de eleições gerais, o que inclui a Presidência da República, o filme, cujo pano de fundo é o endeusamento do nosso ilustre presidente deficiente cultural, é apenas e tão somente a mais rasteira e ignóbil propaganda eleitoral fora do prazo determinado por lei, ou seja, pra dizer o mínimo, uma contravenção da lei eleitoral. Dizem os "experts", que o filme será visto por pelo menos 20 milhões de brasileiros, isto sem incluir os sem neurônios televisivos eternamente ligados à Rede Globo de Televisão, sabidamente campeã absoluta de audiência, dada a nossa mais absoluta falta de cultura e do que melhor fazer.
É bom não esquecer que ditadores do tipo Nero, Marx, Mao Zedong, outrora conhecido pela grafia Mao Tse-Tung, Fidel Castro e até o amado amigo de Lula, Hugo Chávez, a primeira coisa que fazem para o controle absoluto da mente - e do voto - das vacas de presépio do povo, é o próprio endeusamento. E com Lula não está sendo diferente. Segundo ele mesmo, "Nunca na história deste país...". E haja lorota.
Mas, num certo sentido, cabe ao Brasil a expressão "Nunca antes na história deste país...". Por exemplo: nunca na história deste país tivemos um presidente tão analfabeto. Nunca na história deste país tivemos tantos escândalos políticos, provocadas pela roubalheira sem fim do Erário. A prova, podemos vê-la no escândalo do "Mensalão do PT"; no escândalo do dinheiro na cueca, versão 1 e 2 (não esquecer o "Mensalão do DEM", de Brasíli (ver governado Roberto Arruda, aquele que rima com Papuda), onde um parlamentar esconde dinheiro na cueca); o escândalo dos Correios; o escândalo envolvendo o homem mais honesto deste país, na visão dos ministros do STF, o banqueiro Daniel Dantas; o "Mensalão do PSDB de Minas Gerais (ver ex-governador e atual senador Azeredo da Silveira); o escândalo que é ver o STF colocando em liberdade um médico preso por estuprar dezenas de mulheres, todas clientes de sua clínica, pela simples razão, dizendo o ministro Gilmar Mendes, que o Ministério Público teria pedido a proibição de que o réu exercesse a medicina ou sua prisão. Como o registro médico foi cassado pelo Conselho Regional de Medicina de seu estado, "não havia mais razão para que o acusado permanecesse na prisão". É claro que nenhuma das vítimas é filha do ministro, presumo.
Dizem as más línguas que o próprio Rio Amazonas é criação, não de Deus ou da mãe-natureza, e sim do senhor Lula. Línguas mais que viperinas dizem até mesmo que em breve, ninguém se surpreenda se ouvi-lo dizer: "Nunca, na história deste planeta..." Eu, de minha parte, não tenho a menor dúvida de que, se viver o bastante, um dia ouvirei o nosso prezado deficiente cultural bradando com sua voz rouca como a voz rouca das ruas: "Nunca antes na história do Universo...". Afinal de contas, deuses existem para isso.
Em Janeiro de 2010 deverá estrear em cinemas de todo o Brasil, o filme "Lula, o filho do Brasil", dirigido pelo áulico dos áulicos Fábio Barreto. Aliás, é bom lembrar que a profissão de áulico é uma atividade muito rendosa. Prova-o o fato de que áulicos de todos os naipes ideológicos e mercadológicos proliferam como ratazanas nos porões de qualquer governo e a procura pela função cresce a cada dia que passa. Eu, que nada entendo de filmes e filmagens, se convidado a titular o bendito filme, certamente mudaria o nome para "Lula, o filho (bastardo) do Brasil".
De certo o que temos é que, sendo 2010 ano de eleições gerais, o que inclui a Presidência da República, o filme, cujo pano de fundo é o endeusamento do nosso ilustre presidente deficiente cultural, é apenas e tão somente a mais rasteira e ignóbil propaganda eleitoral fora do prazo determinado por lei, ou seja, pra dizer o mínimo, uma contravenção da lei eleitoral. Dizem os "experts", que o filme será visto por pelo menos 20 milhões de brasileiros, isto sem incluir os sem neurônios televisivos eternamente ligados à Rede Globo de Televisão, sabidamente campeã absoluta de audiência, dada a nossa mais absoluta falta de cultura e do que melhor fazer.
É bom não esquecer que ditadores do tipo Nero, Marx, Mao Zedong, outrora conhecido pela grafia Mao Tse-Tung, Fidel Castro e até o amado amigo de Lula, Hugo Chávez, a primeira coisa que fazem para o controle absoluto da mente - e do voto - das vacas de presépio do povo, é o próprio endeusamento. E com Lula não está sendo diferente. Segundo ele mesmo, "Nunca na história deste país...". E haja lorota.
Mas, num certo sentido, cabe ao Brasil a expressão "Nunca antes na história deste país...". Por exemplo: nunca na história deste país tivemos um presidente tão analfabeto. Nunca na história deste país tivemos tantos escândalos políticos, provocadas pela roubalheira sem fim do Erário. A prova, podemos vê-la no escândalo do "Mensalão do PT"; no escândalo do dinheiro na cueca, versão 1 e 2 (não esquecer o "Mensalão do DEM", de Brasíli (ver governado Roberto Arruda, aquele que rima com Papuda), onde um parlamentar esconde dinheiro na cueca); o escândalo dos Correios; o escândalo envolvendo o homem mais honesto deste país, na visão dos ministros do STF, o banqueiro Daniel Dantas; o "Mensalão do PSDB de Minas Gerais (ver ex-governador e atual senador Azeredo da Silveira); o escândalo que é ver o STF colocando em liberdade um médico preso por estuprar dezenas de mulheres, todas clientes de sua clínica, pela simples razão, dizendo o ministro Gilmar Mendes, que o Ministério Público teria pedido a proibição de que o réu exercesse a medicina ou sua prisão. Como o registro médico foi cassado pelo Conselho Regional de Medicina de seu estado, "não havia mais razão para que o acusado permanecesse na prisão". É claro que nenhuma das vítimas é filha do ministro, presumo.
Dizem as más línguas que o próprio Rio Amazonas é criação, não de Deus ou da mãe-natureza, e sim do senhor Lula. Línguas mais que viperinas dizem até mesmo que em breve, ninguém se surpreenda se ouvi-lo dizer: "Nunca, na história deste planeta..." Eu, de minha parte, não tenho a menor dúvida de que, se viver o bastante, um dia ouvirei o nosso prezado deficiente cultural bradando com sua voz rouca como a voz rouca das ruas: "Nunca antes na história do Universo...". Afinal de contas, deuses existem para isso.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
ONDE ESTÁ MEU PAI?
Onde estás, meu pai, que há tanto te procuro e não te encontro?, perguntou o filho, angustiado. Sentia-se muito só, desde que sua mãezinha partira para morar com os deuses nos Campos Elíseos. E agora, perdido e solitário na terra dos homens, não sabia o que fazer e onde procurar consolo e abrigo. Por que será que não ouvia resposta alguma? Pecisava tanto dele... E derramou uma lágrima silenciosa.
Num dado momento conseguiu sorrir. Lembrou-se do tempo em que moraram juntos. É bem verdade que fora um tempo pequeno demais. Mas fora bom. Disso, não tinha a menor dúvida. E, na sua imaginação de homem velho, viu-o em seu cavalo baio a galopar pelos campos da sua terra natal, livre como o vento que cortava a planície, cabeça erguida, roupa de couro, própria dos sertões onde nascera e morrera. E mais uma vez a saudade confrangeu-lhe o coração.
E pensou na palavra saudade. Dizem que é intraduzível, própria da língua portuguesa. O que sabia, mesmo, era que essa palavra tão cultuada pelos poetas, era uma palavra triste demais.
E voltou a pensar nele. Quando menino não pensara naquele desconhecido que o gerara. Hoje, quando os cabelos se cobriam de neve; quando a sua voz rouca, tal qual a daquele pai ausente, falhava; quando os músculos flácidos em nada lembravam o guerreiro poderoso que fora; quando o andar firme e a postura altiva tinham migrado para aquela figura curvada e alquebrada pela passagem silenciosa de tantas décadas, sentia a falta daquele desconhecido que nunca estivera presente na sua vida de tantas lutas, tantas guerras, tanto sofrimento... E derramou outra lágrima silenciosa. E pensou na própria morte. Sabia que não estava longe o dia em que partiria, provavelmente para o Hades, tanto eram os seus pecados, onde se imaginava eternamente despedaçado por Cérbero, o cão do Inferno.
E por lembrar da Grande Dama da Foice, aquela que corta o liame que prende todos à vida, pensou no Inominável. Não era ele o Grande Pai, também? E se era, por que o abandonara? E lembrou-se de Iehshua, que antes de dar seu último suspiro bradou: “Eli, Eli, lama sabactâni?”
Um dia, quando se preparava para dormir, seu quarto quase na penumbra, sentiu um forte odor de um homem e um cavalo suados. Achando aquilo muito estranho, acendeu as luzes. Foi quando o viu. Por pouco crível que pareça, era seu pai montado no seu velho cavalo baio. Sem dizer uma palavra sequer, fez um movimento com o rosto, indicando que o filho deveria montar a garupa do animal. E foi o que fez aquele menino-velho. Sem hesitar, cumpriu a ordem silenciosa, e numa espécie de milagre, o cavalo alçou voo, partindo em direção à lua que, prateada, brilhou um pouco mais intensamente e abriu um largo sorriso, como que feliz por ter seu filho de volta, pois ele, na verdade, era apenas um selenita perdido, que voltava para casa.
Onde estás, meu pai, que há tanto te procuro e não te encontro?, perguntou o filho, angustiado. Sentia-se muito só, desde que sua mãezinha partira para morar com os deuses nos Campos Elíseos. E agora, perdido e solitário na terra dos homens, não sabia o que fazer e onde procurar consolo e abrigo. Por que será que não ouvia resposta alguma? Pecisava tanto dele... E derramou uma lágrima silenciosa.
Num dado momento conseguiu sorrir. Lembrou-se do tempo em que moraram juntos. É bem verdade que fora um tempo pequeno demais. Mas fora bom. Disso, não tinha a menor dúvida. E, na sua imaginação de homem velho, viu-o em seu cavalo baio a galopar pelos campos da sua terra natal, livre como o vento que cortava a planície, cabeça erguida, roupa de couro, própria dos sertões onde nascera e morrera. E mais uma vez a saudade confrangeu-lhe o coração.
E pensou na palavra saudade. Dizem que é intraduzível, própria da língua portuguesa. O que sabia, mesmo, era que essa palavra tão cultuada pelos poetas, era uma palavra triste demais.
E voltou a pensar nele. Quando menino não pensara naquele desconhecido que o gerara. Hoje, quando os cabelos se cobriam de neve; quando a sua voz rouca, tal qual a daquele pai ausente, falhava; quando os músculos flácidos em nada lembravam o guerreiro poderoso que fora; quando o andar firme e a postura altiva tinham migrado para aquela figura curvada e alquebrada pela passagem silenciosa de tantas décadas, sentia a falta daquele desconhecido que nunca estivera presente na sua vida de tantas lutas, tantas guerras, tanto sofrimento... E derramou outra lágrima silenciosa. E pensou na própria morte. Sabia que não estava longe o dia em que partiria, provavelmente para o Hades, tanto eram os seus pecados, onde se imaginava eternamente despedaçado por Cérbero, o cão do Inferno.
E por lembrar da Grande Dama da Foice, aquela que corta o liame que prende todos à vida, pensou no Inominável. Não era ele o Grande Pai, também? E se era, por que o abandonara? E lembrou-se de Iehshua, que antes de dar seu último suspiro bradou: “Eli, Eli, lama sabactâni?”
Um dia, quando se preparava para dormir, seu quarto quase na penumbra, sentiu um forte odor de um homem e um cavalo suados. Achando aquilo muito estranho, acendeu as luzes. Foi quando o viu. Por pouco crível que pareça, era seu pai montado no seu velho cavalo baio. Sem dizer uma palavra sequer, fez um movimento com o rosto, indicando que o filho deveria montar a garupa do animal. E foi o que fez aquele menino-velho. Sem hesitar, cumpriu a ordem silenciosa, e numa espécie de milagre, o cavalo alçou voo, partindo em direção à lua que, prateada, brilhou um pouco mais intensamente e abriu um largo sorriso, como que feliz por ter seu filho de volta, pois ele, na verdade, era apenas um selenita perdido, que voltava para casa.
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