UMA IDEIA MUITO BOA
Finalmente, eis que surge uma boa idéia – que não tem nada a ver com uma certa marca de cachaça, esclareça-se. O fantástico, é que essa boa idéia tenha surgido no deserto de neurônios do parlamento brasileiro, onde reina absoluto, D. Lula I, rei do Planalto Central, país à prova de entendimento lógico.
E que boa idéia é essa?, perguntarão meus seis leitores. A ideia é do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública até 2014. Quando os políticos se virem obrigados a isso, a qualidade do ensino irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrente do ensino público que temos no Brasil. É claro que, para que o projeto passe, será preciso uma enorme pressão da opinião pública.
Não tenho a menor dúvida de que, pela excelência da idéia e pela coragem do senador em submeter o projeto à votação de seus pares, que no geral e no fundo de seus corações não desejam a melhoria da educação brasileira, por acreditarem piamente que ela fere seus interesses próprios, na medida em que a manutenção de “currais eleitorais” atende melhor seus desejos, o projeto deverá ser reprovado. Mas, que ninguém tenha a menor dúvida de que o projeto é simplesmente sensacional, fantástico e absolutamente inovador. Se aprovado, o Brasil daria um passo gigantesco na direção do mais alto patamar da educação e cultura, onde só estão os países que fazem dela, a educação, seu objetivo maior. Todos sabemos que um simples real investido na melhoria da educação, diminui em muitos reais as despesas com saúde e segurança. Em seu Art. 1, o projeto de lei decreta que os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica. Ótimo. Maravilha.
Vou mais longe ainda, acredito que o ilustre senador deveria inserir em seu projeto ou, se isso não for possível, apresentar outro projeto de lei, estendendo a obrigatoriedade de que esses mesmos agentes públicos eleitos usem, assim como seus filhos e demais dependentes o transporte público brasileiro e quando acometidos de qualquer enfermidade sejam todos internados em hospitais da rede pública. Creio firmemente, que o nosso triste país daria um salto de qualidade de vida tão grande, que poderia, quem sabe, ser imitado por outros países, tal a pressão que a opinião pública mundial exerceria sobre seus respectivos governos. E assim, esclarecidos porque educados, não mais toleraríamos que endeusados deficientes culturais nos governassem, como infelizmente acontece desde sempre, salvo as honrosas exceções, que sempre as há. Acredito que país ideal, seria aquele onde os príncipes fossem filósofos e os filósofos, príncipes.
Porém, indo mais longe ainda, que tal se Vossa Excelência propusesse que, a partir de 1º de Janeiro de 2011, o salário dos parlamentares brasileiros fossem aumentados pelo Poder Judiciário? A prática de legisladores aumentarem no percentual que desejarem sua própria remuneração pode até ser legal, mas é imoral.
Sei que essas idéias são apenas quimeras, sonhos e ilusões. Mas sonhar não paga imposto. Ainda.
SOBRE FÉ E FANATISO
Fé, como se sabe, consiste em crer, não naquilo que parece verdadeiro, mas naquilo que parece falso a nosso entendimento. Somente pela fé é que asiáticos e africanos podem crer na viagem de Maomé (Muhamad) por todos os planetas nas encarnações do deus Fô, de Vishnu, de Xaca, de Brahma, de Samonocodom, etc... Eles submetem seu entendimento, tremem ao analisar os fatos, não querem ser jogados nas fogueiras e confessam: “Eu creio”. É claro que esse princípio, o da submissão, vale para os seguidores e praticantes de toda e qualquer religião, não esquecendo que política, num certo sentido, também é uma espécie de religião, na medida em que tem seus “deuses”, acólitos e seguidores. Não à toa, Friedrich Nietzche dizia que, “quando uma pessoa chega à conclusão de que precisa ser comandado, torna-se “crente”, caso em que, é possível imaginar que um homem absolutamente livre, possa ser tentado a dançar, até mesmo à beira de precipícios”.
Há fé nas coisas espantosas e há fé nas coisas contraditórias e impossíveis, afirma François-Marie Arouet, conhecido mundialmente pelo nome de Voltaire, filósofo francês do século XVII.
Os hindus acreditam que Vishnu se encarnou quinhentas vezes; isso é realmente algo espantoso. E dirão ele a seu bonzo: “Temos fé”. Eu, de minha parte, prefiro jogar no time de Baruch de Espinoza, que dizia não ser possível ter fé sobre os escombros da razão Se pelo menos Deus atendesse pelo nome de Lógica... Mas não atende. Do alto da Sua onipotência, quer o que os italianos chamavam schiavi, os romanos servis, os eslavos slavs e os portugueses escravos. E esse Deus Todo-Poderoso, segundo os crentes, quer que todos aqueles paridos de um ventre de mulher, se submetam sem razão e sem por quê? Por outro lado, creio, o que já significa ter fé, - pelo menos um tipo particular de fé - que Deus queira que sejamos virtuosos, não que sejamos ou acreditemos em absurdos.
O fanatismo, por sua vez, é para a superstição, o que o delírio é para a febre, o que a raiva é para a cólera. Aquele que tem êxtases, visões, que toma os sonhos por realidade, e suas imaginações como profecias, é um entusiasta, como diria Voltaire. Por sua vez, aquele que alimenta sua loucura com o assassinato é um fanático. Juan Diaz (teólogo evangélico calvinista espanhol, autor do livro “Suma da religião cristã”), estava absolutamente convencido que o papa era o próprio anticristo do Apocalipse e que tinha o signo da besta, ou seja, o número 666. Seu irmão, Bartolomeu Diaz, que partiu de Roma para assassinar santamente seu irmão – e efetivamente o matou por amor a Deus - era apenas um abominável fanático, movido tão-somente pela superstição, uma vez que toda e qualquer religião é apenas uma forma de superstição. Os assassinos do duque François de Guise (1520-1563, morto durante as guerras de religião), de Guilherme I, de Nassau (1533-1584, príncipe de Orange, rei dos Países Baixos), Henrique III (1551-15589, rei de França, que tentou reconciliar católicos e protestantes, por uma política de tolerância, foi apunhalado por Jean Chastelou ou Châtel, acusado de não defender os católicos, Henrique IV (1553-1610, rei de França, indefinido quanto à religião, ora sendo católico, ora sendo protestante, foi assassinado por François Ravailac, professor que depois se tornou frade, e que acreditava que salvaria a religião católica se matasse o rei, que se aliara a potências protestantes para mover guerra à Áustria e Espanha, que professavam a religião católica. Todos esses fanáticos eram apenas energúmenos, afetados pela doença da mesma raiva de Diaz.
Ao longo da história, o que não faltam são exemplos do fanatismo que oblitera a razão e leva pessoas à prática de males terríveis e tenebrosos, a começar pelo estreitamento da mente e da visão das coisas, que em tese, as religiões deveriam abrir. Talvez o mais detestável exemplo de fanatismo tenha ocorrido aquele dos burgueses de Paris, que assassinaram, degolaram, atiraram pelas janelas de edifícios e despedaçaram seres humanos na chamada “Noite de São Bartolomeu” apenas porque não iam à missa, dita santa.
Talvez os males provocados pela “Noite de São Bartolomeu” só tenha sido superado pelo assassinato do arquiduque Ferdinando, da Áustria, por um fanático ativista sérvio, que foi o estopim para a deflagração da I Guerra Mundial, que causou pelo menos 10 milhões de mortos. Posteriormente, o fanatismo nazista, provocou, além do genocídio de seis milhões de judeus, um conflito que envolveu 2/3 da humanidade e provocou, segundo os estudiosos, algo entre 40 e 80 milhões de mortos. Tudo isso sem falar nos milhares de homens e mulheres que durante a Idade Média foram condenados à fogueira, pela simples razão de não professarem a religião católica. E também sem levar em conta que muitos muçulmanos acreditam que agrada a Deus, matar infiéis, ou seja, todos aqueles que não professam o islamismo. Santa ignorância, se é que a ignorância e santa.
O pior é que, em pleno século XXI, o fanatismo continua mais ativo que nunca. Fanáticos petistas dizem que D. Lula I é uma espécie de “Sanctu Sanctorum” da política. Seus adversários, por sua vez, afirmam que ele tem na testa, marcado a ferro e fogo, o numero 666, ou seja a besta do Apocalipse brasileiro. Tolice. Nem uma coisa e nem outra. Ele é apenas um oportunista, esperto o suficiente para sair da condição de simples metalúrgico para a Presidência da República. De minha parte, é apenas um presidente possuidor de uma deficiência cultural raras vezes vista na história da deficiência mundial e por isso, incapaz de bem governar m país tão múltiplo quanto o Brasil. Mas, fazer o quê, se essa é a vontade da maioria deste povo, ele também, apenas um povo que sofre da maior deficiência educacional e cultural, e por isso deve ser perdoado, porque não sabe o que faz.
Se, pelo menos conhecêssemos um pouco de filosofia... Mas não conhecemos nada, absolutamente nada. Sabe-se que a filosofia é o remédio mais eficaz contra o fanatismo e os males provocados por ele, porque seu efeito é tornar a alma tranquila, e o fanatismo é incompatível com a tranquilidade.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O sorriso de Deus
Estava cansado. Vinha caminhando há muito, muito tempo. Caminhava como se nada mais houvesse na vida senão caminhar. Transformara-se no seu objetivo primeiro e único. Caminhava sempre pra frente vindo de não sei onde. Não sei para onde ia também. O andar, naturalmente, já não mais apresentava o vigor de outrora. Andava o andar trôpego dos velhos infelizes. Nada existe de pior ou mais desgraçado que a infelicidade. Cega-nos o olhar para os caminhos da luz. Retira-nos o olfato para o cheiro da flor e da mulher amada. Mulher também é uma questão de olfato. A sensibilidade também embota. Torna-se parcial. Só sente tristeza e uma vontade imensa de chorar todas as lágrimas do universo. É a autocomiseração, é a autopiedade, dizem alguns. Dizem, porque não sabem o que é caminhar séculos, como o judeu errante, à procura do rosto que irradiará a paz que tanto precisam os homens que caminham por lugares nunca dantes caminhados.
Mas ele, o caminhante, perdera-se. Não tinha mais referenciais. Nem sabia por que caminhava. Talvez achasse que tivesse nascido só para isso: caminhar.E nesse andar, nessa procura inconsciente de algo que nem ele mesmo sabia o que era, finalmente a encontrou. Era a sua outra metade, sem a qual a vida não fazia sentido, a metade cuja ausência fazia dele apenas meio homem, meio ser.
E pela primeira vez na vida sorriu. Um sorriso de paz, um sorriso de tranquilidade. Descobriu então porque caminhava tanto. Para a encontrar. E ao vê-la, reconheceu-a de imediato, porque ela sorriu para ele. E naquele sorriso, estava o que a humanidade procura desde os albores do tempo, mas poucos, muito poucos conseguem encontrar: o sorriso de Deus.
Uma eleição inusitada
A Fundação Rio-Zoo e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), do Rio de Janeiro, promoveram há alguns anos, uma eleição muito séria. Dois candidatos disputavam a vaga deixada pelo macaco Tião, falecido em dezembro de 97. Eram eles os chimpanzés Pipo e Paulinho. Fiquei surpreso, muito embora não saiba a razão. A esta altura do campeonato da minha vida, nada mais deveria surpreender-me. Mas ainda me surpreendo com o que jamais deveria surpreender-me.
O TRE fluminense fez tudo como manda o figurino da boa eleição. As urnas eletrônicas foram as mesmas usadas nas eleições municipais de 1996. Com direito a fotografia dos candidatos, voto em branco e nulo. Até mesmo a boca-de-urna foi permitida, ao contrário das eleições oficiais, quando é proibida, mas mesmo assim, feita às escâncaras.
O Brasil é realmente um país estranho. O Rio de Janeiro, cidade que produziu um Betinho, foi a mesma que mobilizou o TRE, que gastou na inutilidade, um punhado do dinheiro público para escolher, através do voto, qual macaco vivo substituiria o macaco morto. E ainda dizem que o Rio é a cidade mais politizada do país. Tenho lá minhas dúvidas. Uma cidade que elegeu um Juruna e seu indefectível gravador; elegeu duas vezes um Leonel Brizola com um Moreira Franco no meio, pode ser tudo, menos politizada. O prefeito factóide César Maia, que o diga.
Mas, não deveria mesmo tal eleição causar espanto. Já na década de 50, os sisudos paulistas elegeram o hipopótamo Cacareco, para a Câmara Municipal Paulista. Uma pena que não o deixaram tomar posse, o que não deixa de ser uma atitude politicamente incorreta. A decisão do povo deve ser respeitada até as últimas consequências.
O jogo que domina o país, particularmente o Rio, é o jogo do bicho. Naturalíssimo que assim seja. Afinal de contas, a ex-Cidade-Maravilhosa produz mais veados, peruas e piranhas por metro quadrado, que a Amazônia inteira. Isto, sem contar os burros da administração pública, as raposas da política, os tubarões do empresariado, as cavalgaduras da polícia militar, os bichos-demônios do banditismo desenfreado e as vacas de presépio da população a bom concordarem, bovinamente, é claro, com a vontade dos poderosos.
No início desta despretenciosa crônica, falava da minha surpresa com o TRE fluminense. Sou um tolo. Esqueci que a classe média brasileira só tem um neurônio. E ainda assim, que anda de muletas. Só isso, explicaria tal atitude, além de outras, como gastar-se uma fortuna em dólares, com a importação de batatas-fritas e papel higiênico perfumado.
Lamento informá-los, senhoras e senhores, brasileiras e brasileiros, minha gente, ou seja lá que diabo de tratamento prefiram, mas a solução é água e sabão. E muita.
Quando a Justiça bebe
Havia outrora, provavelmente muito além das brumas de Avalon, um país que atendia pelo pitoresco nome de Mamolândia. Era um país abençoado pelos deuses e bonito por natureza, conforme cantavam os menestréis e trovadores da época.
Seus vales verdejantes, suas florestas riquíssima, suas montanhas fartas de minérios, seus rios piscosos e seu povo pacífico, mostravam bem do agrado e de quanto os deuses olhavam com bons olhos essa terra onde o leite e o mel jorravam com abundância.
Mamolândia tinha dois ícones sagrados: um, a Justiça, que era representada por u’a mulher negra, com os olhos abertos e as mãos estendidas. Uma distribuía a justiça tão necessária na terra dos homens. A outra distribuía bênçãos ao seu povo querido.
O outro ícone adorado pelos felizes habitantes de Mamolândia, era a Grande Vaca Sagrada. Possuía saúde de vaca holandesa premiada em exposição. Tetas opulentas esguichavam leite tipo “A”, distribuído a cântaros aos “mamolandenses”. A Grande Vaca Sagrada, que dera origem ao interessante nome daquele país distante, tal qual a loba que alimentara Rômulo e Remo, alimentava seu povo com o leite sagrado, fazendo-o forte, varonil e justo.
Eis porém que um dia, a serpente - sempre ela -, cheia de inveja, travestida de Baco, visitou a Justiça. E tanto falou das virtudes do vinho, que esta, seduzida, bebeu. E em bebendo, embriagou-se. Embriagou-se de álcool, de arrogância, de vaidade, de empáfia, de poder por e dispor ao seu bel prazer.
E em mudando a Justiça, mudou também a Grande Vaca Sagrada, que passou a selecionar os que podiam ou não mamar-lhe as generosas tetas.
A consequência, previsível, foi que os fracos, foram ficando cada vez mais fracos e os fortes cada vez mais fortes.
Foram criadas então, as duas grandes castas que ainda subsistem naquela hoje indigente terra: os grandes mamadores e os outros. Estes atendem pelo nome de povo, que, como vingança, a última que lhe restava, passou a chamar o outrora ícone sagrado, pelo depreciativo nome de governo.
A Justiça ainda existe, também. Só que mudou de cor - tornou-se branca. Possivelmente de vergonha. Pobre Mamolândia, a que era feliz e não sabia.
Soube-se muito tempo depois da tragédia consumada que a serpente era também conhecida no seu mais íntimo círculo de amigos, pelo curioso nome de Política.
Estas são as trágicas consequências que ocorrem quando a Justiça bebe. Menos mal que Ahmadenejad é abstêmio, ou seja, não pode apontar o álcool como culpado por seus desatinos. Um certo genro do Tarso, ao que parece, sim.
O PANETONE
Midas, rei semi-lendário da antiga Frígia, era conhecido pela extrema riqueza. A ele atribui-se a lenda de que qualquer coisa que tocasse, viraria ouro, instantaneamente, tendo sido esta a sua perdição, pois não podia tocar nem alimentos e nem seres queridos.
Certos políticos têm, tal qual Midas, o poder, não de transformar o que tocam em ouro, mas sim a triste capacidade de conspurcar, poluir, corromper o que tocam.
Francisco de Assis, após ter tido uma visão de Cristo, converteu-se e passou a viver como eremita, em constante oração. Suas composições mais famosas são “O Cântico do Irmão Sol” e a belíssima peça conhecida como “A oração de São Francisco”. Nesta, um de seus trechos diz: “... pois é dando que se recebe”.
Foi o bastante. O ex-deputado Roberto Cardoso Alves, passou a usar a expressão para mostrar a ligação incestuosa que há gerações une o governo e maus empresários ou políticos dessa estirpe. Entrou para o dicionário das nossas frases infelizes. Aviltou, emporcalhou, sujou o que era uma bela passagem de uma das mais belas orações que se conhece.
Em nome da continuidade de seu projeto político e da vontade de garantir a própria reeleição a um terceiro mandato e de aprovar o que bem quer como bem deseja, o governo federal ressuscitou essa prática, se é que ela algum dia morreu, de verdade.
Mas não só ele. Se, nos tempos recentes a coisa vem desde o famoso escândalo do “Mensalão”, passando pelo “Mensalinho” do ex-governador de Minas Gerais Azeredo da Silveira até o atual governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM-DF), sem contar outros escândalos menos votados, como o dos Correios, o do “Dinheiro na Cueca”. Temos, agora, o escândalo do Panetone.
Como se sabe, o nome desse pão que se consome o ano inteiro, mas cujas vendas batem recordes em épocas natalinas, vem, segundo consta, do fato de que ainda na Idade Média, mm certo padeiro italiano de nome Antonio, conhecido apenas como Toni, inventou o bendito Panetone. E esse nome decorre do fato de que os italianos, ao descobrirem o novo produto, o chamaram de “Panis de Toni”, ou seja, pão do Toni. Com o passar do tempo, a expressão foi se modificando até se tornar o simples Panetone dos dias de hoje. E a cara de pau de alguns políticos é tão grande, que Arruda deu a singela desculpa ao ser filmado com a mão na massa, digo, do dinheiro ilícito, que aquela fortuna era destinada a comprar panetones e mais panetones, para distribuí-los aos pobres habitantes da periferia das cidades das Minas Gerais, quase tudo, muito provavelmente, na bela Belô.
Que alguém tenha o direito de ser cínico, tudo bem. Mas que leve esse cinismo ao extremo, é brincar com a cara do povo, é zombar de todos, como se ele, o povo, não tivesse um neurônio sequer. Se a Justiça existe, de verdade, que ele e seus companheiros de assalto tenham a mais severa punição. Menos que isso, é zombar, também, daqueles que pagam regularmente seus impostos.
Pelo andar da carruagem, tudo indica que ao invés de morrer, a prática do “é dando que se recebe” esteve apenas em curto período de hibernação após o período Collor. Não estava morta. Quando muito, estava em estado cataléptico para, tal qual uma Fênix maléfica, ressurgir das cinzas, aguardando a hora precisa de atacar novamente.
Gordas fatias dos partidos políticos, deixam de lado o pudor que nunca tiveram e negociam no sentido mais sujo que a palavra negociar pode ter, e se lançam, tal qual abutres, sobre cargos e verbas, para o exercício da política menor. Na prática, o que se vê é que empresários dão dinheiro e os políticos, ao receberem o voto, recebem, também as benesses do poder. É a osmose do imoral com o desonesto.
É verdade que é dando que se recebe. Mas é dando trabalho, justiça, exemplos de dignidade e competência profissional e vidas dedicadas ao bem comum. Receber votos é – ou deveria ser - mera consequência.
Estava cansado. Vinha caminhando há muito, muito tempo. Caminhava como se nada mais houvesse na vida senão caminhar. Transformara-se no seu objetivo primeiro e único. Caminhava sempre pra frente vindo de não sei onde. Não sei para onde ia também. O andar, naturalmente, já não mais apresentava o vigor de outrora. Andava o andar trôpego dos velhos infelizes. Nada existe de pior ou mais desgraçado que a infelicidade. Cega-nos o olhar para os caminhos da luz. Retira-nos o olfato para o cheiro da flor e da mulher amada. Mulher também é uma questão de olfato. A sensibilidade também embota. Torna-se parcial. Só sente tristeza e uma vontade imensa de chorar todas as lágrimas do universo. É a autocomiseração, é a autopiedade, dizem alguns. Dizem, porque não sabem o que é caminhar séculos, como o judeu errante, à procura do rosto que irradiará a paz que tanto precisam os homens que caminham por lugares nunca dantes caminhados.
Mas ele, o caminhante, perdera-se. Não tinha mais referenciais. Nem sabia por que caminhava. Talvez achasse que tivesse nascido só para isso: caminhar.E nesse andar, nessa procura inconsciente de algo que nem ele mesmo sabia o que era, finalmente a encontrou. Era a sua outra metade, sem a qual a vida não fazia sentido, a metade cuja ausência fazia dele apenas meio homem, meio ser.
E pela primeira vez na vida sorriu. Um sorriso de paz, um sorriso de tranquilidade. Descobriu então porque caminhava tanto. Para a encontrar. E ao vê-la, reconheceu-a de imediato, porque ela sorriu para ele. E naquele sorriso, estava o que a humanidade procura desde os albores do tempo, mas poucos, muito poucos conseguem encontrar: o sorriso de Deus.
Uma eleição inusitada
A Fundação Rio-Zoo e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), do Rio de Janeiro, promoveram há alguns anos, uma eleição muito séria. Dois candidatos disputavam a vaga deixada pelo macaco Tião, falecido em dezembro de 97. Eram eles os chimpanzés Pipo e Paulinho. Fiquei surpreso, muito embora não saiba a razão. A esta altura do campeonato da minha vida, nada mais deveria surpreender-me. Mas ainda me surpreendo com o que jamais deveria surpreender-me.
O TRE fluminense fez tudo como manda o figurino da boa eleição. As urnas eletrônicas foram as mesmas usadas nas eleições municipais de 1996. Com direito a fotografia dos candidatos, voto em branco e nulo. Até mesmo a boca-de-urna foi permitida, ao contrário das eleições oficiais, quando é proibida, mas mesmo assim, feita às escâncaras.
O Brasil é realmente um país estranho. O Rio de Janeiro, cidade que produziu um Betinho, foi a mesma que mobilizou o TRE, que gastou na inutilidade, um punhado do dinheiro público para escolher, através do voto, qual macaco vivo substituiria o macaco morto. E ainda dizem que o Rio é a cidade mais politizada do país. Tenho lá minhas dúvidas. Uma cidade que elegeu um Juruna e seu indefectível gravador; elegeu duas vezes um Leonel Brizola com um Moreira Franco no meio, pode ser tudo, menos politizada. O prefeito factóide César Maia, que o diga.
Mas, não deveria mesmo tal eleição causar espanto. Já na década de 50, os sisudos paulistas elegeram o hipopótamo Cacareco, para a Câmara Municipal Paulista. Uma pena que não o deixaram tomar posse, o que não deixa de ser uma atitude politicamente incorreta. A decisão do povo deve ser respeitada até as últimas consequências.
O jogo que domina o país, particularmente o Rio, é o jogo do bicho. Naturalíssimo que assim seja. Afinal de contas, a ex-Cidade-Maravilhosa produz mais veados, peruas e piranhas por metro quadrado, que a Amazônia inteira. Isto, sem contar os burros da administração pública, as raposas da política, os tubarões do empresariado, as cavalgaduras da polícia militar, os bichos-demônios do banditismo desenfreado e as vacas de presépio da população a bom concordarem, bovinamente, é claro, com a vontade dos poderosos.
No início desta despretenciosa crônica, falava da minha surpresa com o TRE fluminense. Sou um tolo. Esqueci que a classe média brasileira só tem um neurônio. E ainda assim, que anda de muletas. Só isso, explicaria tal atitude, além de outras, como gastar-se uma fortuna em dólares, com a importação de batatas-fritas e papel higiênico perfumado.
Lamento informá-los, senhoras e senhores, brasileiras e brasileiros, minha gente, ou seja lá que diabo de tratamento prefiram, mas a solução é água e sabão. E muita.
Quando a Justiça bebe
Havia outrora, provavelmente muito além das brumas de Avalon, um país que atendia pelo pitoresco nome de Mamolândia. Era um país abençoado pelos deuses e bonito por natureza, conforme cantavam os menestréis e trovadores da época.
Seus vales verdejantes, suas florestas riquíssima, suas montanhas fartas de minérios, seus rios piscosos e seu povo pacífico, mostravam bem do agrado e de quanto os deuses olhavam com bons olhos essa terra onde o leite e o mel jorravam com abundância.
Mamolândia tinha dois ícones sagrados: um, a Justiça, que era representada por u’a mulher negra, com os olhos abertos e as mãos estendidas. Uma distribuía a justiça tão necessária na terra dos homens. A outra distribuía bênçãos ao seu povo querido.
O outro ícone adorado pelos felizes habitantes de Mamolândia, era a Grande Vaca Sagrada. Possuía saúde de vaca holandesa premiada em exposição. Tetas opulentas esguichavam leite tipo “A”, distribuído a cântaros aos “mamolandenses”. A Grande Vaca Sagrada, que dera origem ao interessante nome daquele país distante, tal qual a loba que alimentara Rômulo e Remo, alimentava seu povo com o leite sagrado, fazendo-o forte, varonil e justo.
Eis porém que um dia, a serpente - sempre ela -, cheia de inveja, travestida de Baco, visitou a Justiça. E tanto falou das virtudes do vinho, que esta, seduzida, bebeu. E em bebendo, embriagou-se. Embriagou-se de álcool, de arrogância, de vaidade, de empáfia, de poder por e dispor ao seu bel prazer.
E em mudando a Justiça, mudou também a Grande Vaca Sagrada, que passou a selecionar os que podiam ou não mamar-lhe as generosas tetas.
A consequência, previsível, foi que os fracos, foram ficando cada vez mais fracos e os fortes cada vez mais fortes.
Foram criadas então, as duas grandes castas que ainda subsistem naquela hoje indigente terra: os grandes mamadores e os outros. Estes atendem pelo nome de povo, que, como vingança, a última que lhe restava, passou a chamar o outrora ícone sagrado, pelo depreciativo nome de governo.
A Justiça ainda existe, também. Só que mudou de cor - tornou-se branca. Possivelmente de vergonha. Pobre Mamolândia, a que era feliz e não sabia.
Soube-se muito tempo depois da tragédia consumada que a serpente era também conhecida no seu mais íntimo círculo de amigos, pelo curioso nome de Política.
Estas são as trágicas consequências que ocorrem quando a Justiça bebe. Menos mal que Ahmadenejad é abstêmio, ou seja, não pode apontar o álcool como culpado por seus desatinos. Um certo genro do Tarso, ao que parece, sim.
O PANETONE
Midas, rei semi-lendário da antiga Frígia, era conhecido pela extrema riqueza. A ele atribui-se a lenda de que qualquer coisa que tocasse, viraria ouro, instantaneamente, tendo sido esta a sua perdição, pois não podia tocar nem alimentos e nem seres queridos.
Certos políticos têm, tal qual Midas, o poder, não de transformar o que tocam em ouro, mas sim a triste capacidade de conspurcar, poluir, corromper o que tocam.
Francisco de Assis, após ter tido uma visão de Cristo, converteu-se e passou a viver como eremita, em constante oração. Suas composições mais famosas são “O Cântico do Irmão Sol” e a belíssima peça conhecida como “A oração de São Francisco”. Nesta, um de seus trechos diz: “... pois é dando que se recebe”.
Foi o bastante. O ex-deputado Roberto Cardoso Alves, passou a usar a expressão para mostrar a ligação incestuosa que há gerações une o governo e maus empresários ou políticos dessa estirpe. Entrou para o dicionário das nossas frases infelizes. Aviltou, emporcalhou, sujou o que era uma bela passagem de uma das mais belas orações que se conhece.
Em nome da continuidade de seu projeto político e da vontade de garantir a própria reeleição a um terceiro mandato e de aprovar o que bem quer como bem deseja, o governo federal ressuscitou essa prática, se é que ela algum dia morreu, de verdade.
Mas não só ele. Se, nos tempos recentes a coisa vem desde o famoso escândalo do “Mensalão”, passando pelo “Mensalinho” do ex-governador de Minas Gerais Azeredo da Silveira até o atual governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM-DF), sem contar outros escândalos menos votados, como o dos Correios, o do “Dinheiro na Cueca”. Temos, agora, o escândalo do Panetone.
Como se sabe, o nome desse pão que se consome o ano inteiro, mas cujas vendas batem recordes em épocas natalinas, vem, segundo consta, do fato de que ainda na Idade Média, mm certo padeiro italiano de nome Antonio, conhecido apenas como Toni, inventou o bendito Panetone. E esse nome decorre do fato de que os italianos, ao descobrirem o novo produto, o chamaram de “Panis de Toni”, ou seja, pão do Toni. Com o passar do tempo, a expressão foi se modificando até se tornar o simples Panetone dos dias de hoje. E a cara de pau de alguns políticos é tão grande, que Arruda deu a singela desculpa ao ser filmado com a mão na massa, digo, do dinheiro ilícito, que aquela fortuna era destinada a comprar panetones e mais panetones, para distribuí-los aos pobres habitantes da periferia das cidades das Minas Gerais, quase tudo, muito provavelmente, na bela Belô.
Que alguém tenha o direito de ser cínico, tudo bem. Mas que leve esse cinismo ao extremo, é brincar com a cara do povo, é zombar de todos, como se ele, o povo, não tivesse um neurônio sequer. Se a Justiça existe, de verdade, que ele e seus companheiros de assalto tenham a mais severa punição. Menos que isso, é zombar, também, daqueles que pagam regularmente seus impostos.
Pelo andar da carruagem, tudo indica que ao invés de morrer, a prática do “é dando que se recebe” esteve apenas em curto período de hibernação após o período Collor. Não estava morta. Quando muito, estava em estado cataléptico para, tal qual uma Fênix maléfica, ressurgir das cinzas, aguardando a hora precisa de atacar novamente.
Gordas fatias dos partidos políticos, deixam de lado o pudor que nunca tiveram e negociam no sentido mais sujo que a palavra negociar pode ter, e se lançam, tal qual abutres, sobre cargos e verbas, para o exercício da política menor. Na prática, o que se vê é que empresários dão dinheiro e os políticos, ao receberem o voto, recebem, também as benesses do poder. É a osmose do imoral com o desonesto.
É verdade que é dando que se recebe. Mas é dando trabalho, justiça, exemplos de dignidade e competência profissional e vidas dedicadas ao bem comum. Receber votos é – ou deveria ser - mera consequência.
sábado, 28 de novembro de 2009
OLIMPÍADAS 2016
Meu amigo querido e, na minha opinião, um intelectual de dar inveja a mim e a todos, que atende pelo nome de Rui Guilherme de Vasconcellos Souza Filho, enviou-me o delicioso texto abaixo, que publico, não só pela ironia fina, como pela crítica ácida às coisas que acontecem neste país surrealista, que já foi chamado por Jorge mais que Amado de “O país do carnaval”.
E tanto ele como eu, acreditamos piamente que o relatado a seguir vai acontecer...
Como será:
Até ao fim de 2009
1. As TVs vão entrevistar os idealizadores da candidatura, dando parabéns, etc, dando a entender que todo o mundo queria a candidatura do Rio. Por todo mundo entende-se todo o planeta mesmo…
2. No réveillon os fogos vão formar o símbolo olímpico no céu de Copacabana.
3. Na Malhação, um dos personagens estará em treino pras Olimpíadas e vai dizer em todos os capítulos que competir em casa será “irado” e “sinixxxxxxtro”
Na Copa de 2010
1. Galvão Bueno durante a narração dos jogos da seleção brasileira vai dizer que a olimpíada ééééééééeé do Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrasil…..
De 2010 a 2015
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música (?) que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira; sendo que eles nunca souberam o que era uma pira até então.
3. Um ano antes a Globo vai instalar aqueles relógios ridículos na orla de Copacabana e em outras capitais fazendo a contagem regressiva pro inicio dos jogos.
4. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no ultimo carro alegórico vestido de lantejoulas douradas representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitória”
5. Haverá um concurso pra nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas serão nomes tais como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”. 6. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chama Kathy Mileine Suellen da Silva.
7. Milhões de produtos serão anunciados como oficiais dos jogos, desde as habituais camisetas EU VOU RIO 2016 até calcinhas e lógico, biquínis que de tão pequenos terão apenas 2 dos 5 anéis olímpicos.
Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra em urgência pro carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da mangueira farão um show na praia de Copacabana pra comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado do atleta que porta a mesma carregando cartolinas cor de rosa onde se lê GALVAO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em inglês macarrônico elogiando o povo carioca e ao final vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “hino das olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música pra aparecer mais na TV.
6. Durante o Hino Nacional Brasileiro a platéia vai errar a letra, chorar como se entendesse o que está cantando e aplaudir no final como se fosse um gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada varias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira do Brasil pintada da bochecha. Depois dos jogos ela posará pra Playboy sem o top e sem o shortinho, mas com a bandeira pintada em outras partes que também começam com a letra B.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a
madrugada pela primeira vez, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.
9. 74 passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do rio ao mundo: a bala perdida, o trafico, o funk e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedira em inglês ninguém vai entender e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará pra capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB, claro.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.
Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é lindo.
2. uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV de menor expressão.
3. No primeiro dia, os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 74.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, ganha por atletas desconhecidos até então num esporte tipo “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação, a Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posar mordendo a medalha e nunca mais se ouvirá os nomes dos atletas.
5. a seleção brasileira de futebol comanda por Ronaldo Fenômeno tendo Obina como assessor vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo pra seleção de Sumatra por humilhantes 3X0 e tendo que disputar a medalha de bronze com um país centro-americano. Vencerá por 1X0 e não comparecerá à cerimônia de entrega das medalhas porque os jogadores inexplicavelmente tinham compromisso em seus clubes europeus.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Nenhuma criança vai entender nada do que eles falarão mas vão rir pra valer ao aparecer na TV. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores e serão encontrados mortos na semana seguinte. Os uniformes nunca mais serão vistos.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica vai substituir o tal pó pelo cimento que estará estocado nos fundos do ginásio visto que as obras ainda não terão terminado, fato que será usado como desculpa pela eliminação dos ginastas brasileiros.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 74º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê : JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.
10. Todos os brasileiros entenderão todas as regras de todas as modalidades que eles nunca nem ouviram falar mas saberão na ponta da língua na hora de xingar o atleta que foi eliminado.
Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô pra pagar as despesas que teve pra estar nos jogos e não obteve patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas (ou seja, todos). Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, etc etc
Meu amigo querido e, na minha opinião, um intelectual de dar inveja a mim e a todos, que atende pelo nome de Rui Guilherme de Vasconcellos Souza Filho, enviou-me o delicioso texto abaixo, que publico, não só pela ironia fina, como pela crítica ácida às coisas que acontecem neste país surrealista, que já foi chamado por Jorge mais que Amado de “O país do carnaval”.
E tanto ele como eu, acreditamos piamente que o relatado a seguir vai acontecer...
Como será:
Até ao fim de 2009
1. As TVs vão entrevistar os idealizadores da candidatura, dando parabéns, etc, dando a entender que todo o mundo queria a candidatura do Rio. Por todo mundo entende-se todo o planeta mesmo…
2. No réveillon os fogos vão formar o símbolo olímpico no céu de Copacabana.
3. Na Malhação, um dos personagens estará em treino pras Olimpíadas e vai dizer em todos os capítulos que competir em casa será “irado” e “sinixxxxxxtro”
Na Copa de 2010
1. Galvão Bueno durante a narração dos jogos da seleção brasileira vai dizer que a olimpíada ééééééééeé do Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrasil…..
De 2010 a 2015
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música (?) que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira; sendo que eles nunca souberam o que era uma pira até então.
3. Um ano antes a Globo vai instalar aqueles relógios ridículos na orla de Copacabana e em outras capitais fazendo a contagem regressiva pro inicio dos jogos.
4. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no ultimo carro alegórico vestido de lantejoulas douradas representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitória”
5. Haverá um concurso pra nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas serão nomes tais como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”. 6. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chama Kathy Mileine Suellen da Silva.
7. Milhões de produtos serão anunciados como oficiais dos jogos, desde as habituais camisetas EU VOU RIO 2016 até calcinhas e lógico, biquínis que de tão pequenos terão apenas 2 dos 5 anéis olímpicos.
Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra em urgência pro carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da mangueira farão um show na praia de Copacabana pra comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado do atleta que porta a mesma carregando cartolinas cor de rosa onde se lê GALVAO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em inglês macarrônico elogiando o povo carioca e ao final vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “hino das olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música pra aparecer mais na TV.
6. Durante o Hino Nacional Brasileiro a platéia vai errar a letra, chorar como se entendesse o que está cantando e aplaudir no final como se fosse um gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada varias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira do Brasil pintada da bochecha. Depois dos jogos ela posará pra Playboy sem o top e sem o shortinho, mas com a bandeira pintada em outras partes que também começam com a letra B.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a
madrugada pela primeira vez, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.
9. 74 passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do rio ao mundo: a bala perdida, o trafico, o funk e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedira em inglês ninguém vai entender e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará pra capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB, claro.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.
Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é lindo.
2. uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV de menor expressão.
3. No primeiro dia, os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 74.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, ganha por atletas desconhecidos até então num esporte tipo “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação, a Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posar mordendo a medalha e nunca mais se ouvirá os nomes dos atletas.
5. a seleção brasileira de futebol comanda por Ronaldo Fenômeno tendo Obina como assessor vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo pra seleção de Sumatra por humilhantes 3X0 e tendo que disputar a medalha de bronze com um país centro-americano. Vencerá por 1X0 e não comparecerá à cerimônia de entrega das medalhas porque os jogadores inexplicavelmente tinham compromisso em seus clubes europeus.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Nenhuma criança vai entender nada do que eles falarão mas vão rir pra valer ao aparecer na TV. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores e serão encontrados mortos na semana seguinte. Os uniformes nunca mais serão vistos.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica vai substituir o tal pó pelo cimento que estará estocado nos fundos do ginásio visto que as obras ainda não terão terminado, fato que será usado como desculpa pela eliminação dos ginastas brasileiros.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 74º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê : JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.
10. Todos os brasileiros entenderão todas as regras de todas as modalidades que eles nunca nem ouviram falar mas saberão na ponta da língua na hora de xingar o atleta que foi eliminado.
Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô pra pagar as despesas que teve pra estar nos jogos e não obteve patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas (ou seja, todos). Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, etc etc
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
SUPREMO REJEITA NOTÍCIA-CRIME CONTRA GILVAM
O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou ontem, quinta-feira (26), a abertura de queixa-crime solicitada pelo ex-governador do Amapá João Alberto Rodrigues Capiberibe (PSB-AP), contra o senador Gilvam Borges (PMDB-AP). O ex-governador socialista acusou Borges de ofender sua honra e dignidade. Para os ministros do STF, norma prevê que opiniões de senadores são invioláveis. Por 5 votos a 3, os ministros optaram por não acatar a ação, na qual Capiberibe acusava o parlamentar de uso de conteúdo ofensivo em artigo publicado em um jornal, “ofendendo-lhe a honra, a dignidade e a reputação.” No texto, cujo título era “Mentiras e Verdades sobre o caso Capiberibe”, a acusação destaca que Borges teria acusado o ex-governador de “ter sacado R$ 380 milhões dos cofres do governo do Estado do Amapá, em 2002, quando deixou o governo.”
Em 2004, o então senador Capiberibe teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de votos. Ele foi substituído exatamente por Gilvam Borges, terceiro colocado na eleição para senador do Amapá em 2002. Em plenário, a maior parte dos ministros rejeitou a queixa-crime por considerar que os senadores são “invioláveis”, conforme estabelece o artigo 53 da Constituição Federal. A norma prevê que os parlamentares não podem ser responsabilizados de maneira civil ou penal por opiniões, palavras e votos.
Não é de estranhar o comportamento de Capiberibe. Quando governador, promoveu um festival de discórdia tão grande no Estado do Amapá, que dividiu toda a família amapaense. Fez com que irmãos se voltassem contra irmãos, jornalistas contra jornalistas, interferiu na área política jogando deputados contra deputados, desrespeitou a tudo e a todos, chegando ao cúmulo de dizer que vivia sitiado no Palácio do Setentrião por traficantes de drogas. Suas alegações se tornaram risíveis pela simples razão de que, supostamente sitiado, entrava e saía no e do palácio ao seu bel prazer. Nada mau para quem se diz sitiado. Porém, surpreendentemente, num gesto de extrema ousadia e absoluta falta de respeito às autoridades do Judiciário local, chegou ao cúmulo de acusar desembargadores de serem narcotraficantes, uma injustiça, como é publico e notório.
Dizendo-se um político democrático, foi perseguidor implacável de todos os que a ele se opuseram. Chegou mesmo, a processar o jornalista Luiz Melo e o jornal Diário do Amapá, por cerca de duzentas vezes, salvo engano. Um recorde, creio. Combatido tenazmente por seus opositores, que viam no ex-governador um enorme malefício para a terra tucuju, foi, finalmente, cassado por compra de votos, após se eleger senador da República. Aliás, em toda a história do Brasil republicano, apenas dois senadores foram cassados pelo por compra de votos. Ele, João Alberto Capiberibe (PSB-AP) e o ex-senador Expedito Júnior (PSDB-RO), ou seja, apenas o Amapá e Rondônia são os estados brasileiros que tiveram a desonra de terem em seus quadros, senadores que perderam o mandato por compra de votos.
Costumo dizer que só existem dois tipos de políticos: os vencedores e os perdedores. Capiberibe, ao meu ver, merece a taça de campeão dos campeões entre os derrotados. Se, de um lado, foi prefeito, duas vezes governador e senador eleito, por outro lado, perdeu para Aníbal Barcellos, perdeu para Waldez Góes (duas vezes seguidas, por sinal), perdeu o mandato de senador para Gilvam Borges, perdeu todas as vezes em que tentou tirar o mandato de Barcellos, Waldez, Gilvam e Roberto Góes, sem contar outras derrotas em tribunais de primeira instância (causas julgadas por juízes singulares), em tribunais estaduais e federais, como agora, por exemplo. Muito melhor para ele, ouso aconselhar, seria se revisse, analisasse e mudasse seu comportamento político, porque não parece caminhar no rumo certo. A não ser que, perder, seja o seu objetivo maior. Dizem que há pessoas que adoram perder seus combates. Eu, de minha parte, tenho perdido muitas batalhas na minha já longa vida Mas que nunca se diga que gostei. A derrota nos torna maus e amargos, e isso, definitivamente, não é bom para ninguém Menos mau que venci a maior de todas as batalhas: a grande batalha pela simples sobrevivência. Sofri muito, é verdade, mas passou. E com a graça do Eterno, não voltará jamais, porque todos devíamos entender, que o passado, ao passado pertence. Mas, que sei eu dos outros e de suas idiossincracias?
O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou ontem, quinta-feira (26), a abertura de queixa-crime solicitada pelo ex-governador do Amapá João Alberto Rodrigues Capiberibe (PSB-AP), contra o senador Gilvam Borges (PMDB-AP). O ex-governador socialista acusou Borges de ofender sua honra e dignidade. Para os ministros do STF, norma prevê que opiniões de senadores são invioláveis. Por 5 votos a 3, os ministros optaram por não acatar a ação, na qual Capiberibe acusava o parlamentar de uso de conteúdo ofensivo em artigo publicado em um jornal, “ofendendo-lhe a honra, a dignidade e a reputação.” No texto, cujo título era “Mentiras e Verdades sobre o caso Capiberibe”, a acusação destaca que Borges teria acusado o ex-governador de “ter sacado R$ 380 milhões dos cofres do governo do Estado do Amapá, em 2002, quando deixou o governo.”
Em 2004, o então senador Capiberibe teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de votos. Ele foi substituído exatamente por Gilvam Borges, terceiro colocado na eleição para senador do Amapá em 2002. Em plenário, a maior parte dos ministros rejeitou a queixa-crime por considerar que os senadores são “invioláveis”, conforme estabelece o artigo 53 da Constituição Federal. A norma prevê que os parlamentares não podem ser responsabilizados de maneira civil ou penal por opiniões, palavras e votos.
Não é de estranhar o comportamento de Capiberibe. Quando governador, promoveu um festival de discórdia tão grande no Estado do Amapá, que dividiu toda a família amapaense. Fez com que irmãos se voltassem contra irmãos, jornalistas contra jornalistas, interferiu na área política jogando deputados contra deputados, desrespeitou a tudo e a todos, chegando ao cúmulo de dizer que vivia sitiado no Palácio do Setentrião por traficantes de drogas. Suas alegações se tornaram risíveis pela simples razão de que, supostamente sitiado, entrava e saía no e do palácio ao seu bel prazer. Nada mau para quem se diz sitiado. Porém, surpreendentemente, num gesto de extrema ousadia e absoluta falta de respeito às autoridades do Judiciário local, chegou ao cúmulo de acusar desembargadores de serem narcotraficantes, uma injustiça, como é publico e notório.
Dizendo-se um político democrático, foi perseguidor implacável de todos os que a ele se opuseram. Chegou mesmo, a processar o jornalista Luiz Melo e o jornal Diário do Amapá, por cerca de duzentas vezes, salvo engano. Um recorde, creio. Combatido tenazmente por seus opositores, que viam no ex-governador um enorme malefício para a terra tucuju, foi, finalmente, cassado por compra de votos, após se eleger senador da República. Aliás, em toda a história do Brasil republicano, apenas dois senadores foram cassados pelo por compra de votos. Ele, João Alberto Capiberibe (PSB-AP) e o ex-senador Expedito Júnior (PSDB-RO), ou seja, apenas o Amapá e Rondônia são os estados brasileiros que tiveram a desonra de terem em seus quadros, senadores que perderam o mandato por compra de votos.
Costumo dizer que só existem dois tipos de políticos: os vencedores e os perdedores. Capiberibe, ao meu ver, merece a taça de campeão dos campeões entre os derrotados. Se, de um lado, foi prefeito, duas vezes governador e senador eleito, por outro lado, perdeu para Aníbal Barcellos, perdeu para Waldez Góes (duas vezes seguidas, por sinal), perdeu o mandato de senador para Gilvam Borges, perdeu todas as vezes em que tentou tirar o mandato de Barcellos, Waldez, Gilvam e Roberto Góes, sem contar outras derrotas em tribunais de primeira instância (causas julgadas por juízes singulares), em tribunais estaduais e federais, como agora, por exemplo. Muito melhor para ele, ouso aconselhar, seria se revisse, analisasse e mudasse seu comportamento político, porque não parece caminhar no rumo certo. A não ser que, perder, seja o seu objetivo maior. Dizem que há pessoas que adoram perder seus combates. Eu, de minha parte, tenho perdido muitas batalhas na minha já longa vida Mas que nunca se diga que gostei. A derrota nos torna maus e amargos, e isso, definitivamente, não é bom para ninguém Menos mau que venci a maior de todas as batalhas: a grande batalha pela simples sobrevivência. Sofri muito, é verdade, mas passou. E com a graça do Eterno, não voltará jamais, porque todos devíamos entender, que o passado, ao passado pertence. Mas, que sei eu dos outros e de suas idiossincracias?
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