sábado, 24 de julho de 2010
UM PLANETA PERDIDO
Era um planeta distante, perdido no meio de milhões de outros planetas habitados na imensidão das galáxias que formam o Universo. Mas, aquele era um planeta diferente, pois que esquecido por Deus. Até o dia em que Ele se lembrou daquele pequeno grão de pó perdido na vastidão do cosmo. E chorou então. Estrelas explodiram aos milhões e sóis não se puseram temerosos e penalizados ante a tristeza Divina. E lembrou-se da ordem que dera não cumprida. Seu Filho, um entre tantos, não descera até aquele planeta longínquo para resgatar os homens que nele viviam. E porque não descera as profecias não se cumpriram. E por não se cumprirem, nunca houve nesse planeta o Natal e nem histórias bonitas como a dos Reis Magos. Nele, nunca houve dezembro, nem árvores cintilantes e multicores. Não houve presépios, nem histórias da Virgem-Mãe. Não houve um lugar chamado Lapônia, nem um homem chamado Papai Noel e suas renas encantadas. E, por causa disso, todas as crianças passavam a noite do Natal que não houve tristes, a olhar fixamente a telinha das ilusões perdidas, seguindo o exemplo do Menino-Deus, que não ouvira a ordem do pai, entretido que estava assistindo televisão.
O LIVRO
Abri o livro e comecei a lê-lo. Antes não o tivesse feito. Nele, vi toda minha vida. Vi coisas que gostei e outras que detestei. Vi as mulheres que rolaram comigo na cama, numa fúria incessante. Vi belas mulheres das quais guardo boas lembranças e outras que antes não tivesse visto. Só amei verdadeiramente duas. Uma na juventude dos meus 17 anos e outra no outono da vida. Desta, guardo lembranças que levarei para o túmulo. Da outra, a lembrança que tenho é a de um rapaz que nada sabia e nada podia, mas pensava tudo saber e tudo poder. Era o dono do mundo. Mas de outras, o que vi no livro da vida foi a sensação de um velho fauno à procura incessante de sua Lolita.
Mas vi, também, a história de um sobrevivente. Aos quatro anos, morando à beira de um rio dos muitos que existem na imensa Amazônia, guardo a lembrança de um menino tuberculoso ao tempo em que o bacilo de Koch era muito, muito letal. Posteriormente, vi o menino tifóide e, anos depois, o sobrevivente da grande gripe asiática que levou para o túmulo centenas de milhares de pobres diabos ao redor do mundo. Problemas aéreos de toda sorte não tiraram minha paixão pela aviação e o naufrágio de uma das dezenas de milhares de embarcações que cortam as águas do grande rio não me tiraram o amor pela vastidão aquática e selvática da minha terra natal. Mas vi, também, nesse estranho livro, o malárico que pedia a morte para cessar a dor, vi o homem turbulento que levou tiros, facadas, porretadas e chifradas. Afinal de contas ainda existem maridos inconformados com o próprio chifre, por incompetência sexual.
No livro da minha vida, vi o marido irresponsável e o alcoólatra, que só encontrava prazer nos bares, onde tudo era alegria, apesar dos pesares. Percorri o país e parte do mundo e vi paisagens fascinantes. Outras, nem tanto. Enfim, vi tanto, sofri tanto e chorei tanto, mas não senti no entanto, o tanto de prazer que tive ao conhecer aquela, cuja lembrança levarei comigo para a eternidade. Na verdade, como diz o poeta, quem passou pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu, quem não sentiu o frio da desgraça, quem passou pela vida e não sofreu, não viveu, foi apenas espectro de homem, passou pela vida, mas não viveu. E triste daquele que envelhece sem ter histórias para contar. É sinal que apenas passou pela vida, mas não viveu.
Um dia, como diria o compositor popular, quando eu me chamar saudade, não quero choro nem velas, quero uma rosa amarela gravada com o nome dela.
Ainda não viajei a viagem que um dia todos faremos. Quero estar pronto para este momento inevitável. Quando ele chegar, espero que Deus perdoe meus pecados o que acho pouco provável. São tantos que mesmo Ele, na sua bondade infinita não terá ânimo para me perdoar. Quando a hora chegar, quero que uma alma caridosa feche a última página desse livro e o guarde em sua estante. Mas não o leia. Cada um tem seu próprio livro. Alguns, merecem o Prêmio Nobel de Literatura. A maioria, porém, não merece que se passe da primeira página. São livros que contam histórias pífias, cujas páginas - a maioria - estão em branco. Evite-os. Não valem a pena serem abertos.
O fim do livro da minha vida será um plágio de Gabriel Garcia Márquez. “Agora que estou chegando à idade senecta, decidi que era tempo, depois de tanto tempo de abstinência se-xual, telefonar a uma cafetina amiga minha - que me prestou tantos favores nas últimas décadas, ajuda para comemorar meus 90 anos. Queria uma ninfeta para honrar o dia de meu aniversário, eu que há tanto vivia sozinho. Fazia anos que estava na santa paz com meu corpo, dedicado à releitura diária de meus clássicos e meus programas privados de música clássica, mas o desejo daquele dia foi tão urgente que me pareceu um recado de Deus. Pendurei, então, minha rede num canto da biblioteca e me estendi com o peito oprimido pela ansiedade da espera. Foi em vão. Foi nesse dia que parti para o outro lado da vida e, finalmente, encontrei a paz pela qual ansiara tanto.”
No livro da minha vida, vi o marido irresponsável e o alcoólatra, que só encontrava prazer nos bares, onde tudo era alegria, apesar dos pesares. Percorri o país e parte do mundo e vi paisagens fascinantes. Outras, nem tanto. Enfim, vi tanto, sofri tanto e chorei tanto, mas não senti no entanto, o tanto de prazer que tive ao conhecer aquela, cuja lembrança levarei comigo para a eternidade. Na verdade, como diz o poeta, quem passou pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu, quem não sentiu o frio da desgraça, quem passou pela vida e não sofreu, não viveu, foi apenas espectro de homem, passou pela vida, mas não viveu. E triste daquele que envelhece sem ter histórias para contar. É sinal que apenas passou pela vida, mas não viveu.
Um dia, como diria o compositor popular, quando eu me chamar saudade, não quero choro nem velas, quero uma rosa amarela gravada com o nome dela.
Ainda não viajei a viagem que um dia todos faremos. Quero estar pronto para este momento inevitável. Quando ele chegar, espero que Deus perdoe meus pecados o que acho pouco provável. São tantos que mesmo Ele, na sua bondade infinita não terá ânimo para me perdoar. Quando a hora chegar, quero que uma alma caridosa feche a última página desse livro e o guarde em sua estante. Mas não o leia. Cada um tem seu próprio livro. Alguns, merecem o Prêmio Nobel de Literatura. A maioria, porém, não merece que se passe da primeira página. São livros que contam histórias pífias, cujas páginas - a maioria - estão em branco. Evite-os. Não valem a pena serem abertos.
O fim do livro da minha vida será um plágio de Gabriel Garcia Márquez. “Agora que estou chegando à idade senecta, decidi que era tempo, depois de tanto tempo de abstinência se-xual, telefonar a uma cafetina amiga minha - que me prestou tantos favores nas últimas décadas, ajuda para comemorar meus 90 anos. Queria uma ninfeta para honrar o dia de meu aniversário, eu que há tanto vivia sozinho. Fazia anos que estava na santa paz com meu corpo, dedicado à releitura diária de meus clássicos e meus programas privados de música clássica, mas o desejo daquele dia foi tão urgente que me pareceu um recado de Deus. Pendurei, então, minha rede num canto da biblioteca e me estendi com o peito oprimido pela ansiedade da espera. Foi em vão. Foi nesse dia que parti para o outro lado da vida e, finalmente, encontrei a paz pela qual ansiara tanto.”
quinta-feira, 22 de julho de 2010
J'ACCUSSE...!
É de todos - ou quase - conhecida a expressão francesa “J'accuse” (Eu acuso), um libelo contra a condenação do oficial do Exército francês, Capitão Alfred Dreyfus, pelo crime de alta traição contra a França. A verdade, é que todo o Estado Maior do Exército francês mentiu e conspirou contra Dreyfus, para livrar da condenação, o verdadeiro culpado, o Major Conde Ferdinand Walsin-Esterhazy, que ao fim, acabou confessando sua culpa. Conforme ficou provado posteriormente, Dreyfus era inocente, tanto que após provada sua inocência, foi reintegrado ao Exército no posto de “Chef d’escadron” (Chefe de Esquadrão), sendo-lhe concedida a mais alta condecoração francesa, ou seja, recebeu o título de Cavaleiro da Legião de Honra concedida pelo Pre-sidente da República da França, representado, na ocasião, pelo general de Brigada Gillain.
Muitos foram os que lutaram pela prova da inocência de Dreyfus, como seu irmão Mathieu Dreyfus, o advogado Edgard Demange e até mesmo o Primeiro Ministro Clemanceau, porém, o mais importante de todos, foi o escritor Émile Zola, que publicou seu manifesto J'Accuse, no jornal L'Aurore, edição de 13 de Janeiro de 1898, sob a forma de uma carta ao Presidente Félix Faure.
Poucos sabem, também, que no dia seguinte à execução da sentença de degradação de Dreyfus, o grande cuasídico brasileiro Rui Barbosa, escreveu de seu exílio em Londres “Que faculdade sobre-humana deu àquele homem energia suficiente bastante para sobreviver às emoções incomportáveis dessa provação? Narram as testemunhas atentas ao suplício, que o executado não empalideceu nunca. Os passos não lhe vacilaram. Não lhe tremeu a voz. A cabeça esteve-lhe sempre ereta.” E ainda que apupado pela multidão, por seus colegas de farda, execrado por todos e vítima do preconceito francês e europeu contra os semitas, pois já, naquela época, eram dados os primeiros passos do holocausto judeu nas mãos dos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, quando foram mortos mais de seis milhões dos descendentes de Sem, nos campos de concentração da Alemanha, Rússia, Polônia, Áustria, Tchecoslováquia e outros países, tanto da Europa Central, quanto da Europa Oriental. Até mesmo em algumas nações da Europa Ocidental, os judeus foram - e ainda são - vítimas de discrimnação.
Eu também, mesmo a milhas de distância da competência e valor de Émile Zola, acuso a classe política brasileira, seja a que atua no Legislativo quanto no Executivo e até mesmo alguns integrantes do outrora sacrossanto Judiciário brasileiro, salvo as exceções que sempre as há, de não terem a postura de um Capitão Dreyfus; de não poderem andar de cabeça erguida, de não poderem bradar como bradou o Capitão Alfred Dreyfus: “Sou inocente. Viva a França!” Quero vê-los, senhores donos do poder, bradar também, de cabeça erguida, no meio deste festival de escândalos que assola toda a República Brasileira: “Somos inocentes. Viva o Brasil!”
Muitos foram os que lutaram pela prova da inocência de Dreyfus, como seu irmão Mathieu Dreyfus, o advogado Edgard Demange e até mesmo o Primeiro Ministro Clemanceau, porém, o mais importante de todos, foi o escritor Émile Zola, que publicou seu manifesto J'Accuse, no jornal L'Aurore, edição de 13 de Janeiro de 1898, sob a forma de uma carta ao Presidente Félix Faure.
Poucos sabem, também, que no dia seguinte à execução da sentença de degradação de Dreyfus, o grande cuasídico brasileiro Rui Barbosa, escreveu de seu exílio em Londres “Que faculdade sobre-humana deu àquele homem energia suficiente bastante para sobreviver às emoções incomportáveis dessa provação? Narram as testemunhas atentas ao suplício, que o executado não empalideceu nunca. Os passos não lhe vacilaram. Não lhe tremeu a voz. A cabeça esteve-lhe sempre ereta.” E ainda que apupado pela multidão, por seus colegas de farda, execrado por todos e vítima do preconceito francês e europeu contra os semitas, pois já, naquela época, eram dados os primeiros passos do holocausto judeu nas mãos dos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, quando foram mortos mais de seis milhões dos descendentes de Sem, nos campos de concentração da Alemanha, Rússia, Polônia, Áustria, Tchecoslováquia e outros países, tanto da Europa Central, quanto da Europa Oriental. Até mesmo em algumas nações da Europa Ocidental, os judeus foram - e ainda são - vítimas de discrimnação.
Eu também, mesmo a milhas de distância da competência e valor de Émile Zola, acuso a classe política brasileira, seja a que atua no Legislativo quanto no Executivo e até mesmo alguns integrantes do outrora sacrossanto Judiciário brasileiro, salvo as exceções que sempre as há, de não terem a postura de um Capitão Dreyfus; de não poderem andar de cabeça erguida, de não poderem bradar como bradou o Capitão Alfred Dreyfus: “Sou inocente. Viva a França!” Quero vê-los, senhores donos do poder, bradar também, de cabeça erguida, no meio deste festival de escândalos que assola toda a República Brasileira: “Somos inocentes. Viva o Brasil!”
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O SAPO DA PRAÇA BARÃO
Há muitos anos, havia na Praça Barão do Rio Branco, um sapo. Esclareça-se que não era um sapo qualquer. Era um senhor sapo. Um sapo rotundo. Provavelmente, o maior do mundo.
Pois não é que, como tantas outras coisas neste Amapá que já teve, de tudo um pouco, o sapo su-miu! E sumiu prá nunca mais voltar. Se voltou, ninguém sabe, ninguém viu.
Talvez meus poucos leitores estejam estra-nhando a súbita saudade que me deu de um sapo. Não outro sapo, repito, mas este sapo. Acontece que o sapo em referência, como se diz em li-nguagem burocrática, ficava bem em frente à antiga agência dos Correios, situada na Praça Barão, e era feito de cimento. Não o Barão, mas o sapo, esclareça-se. Era uma escultura. Sem muito valor artístico é verdade, mas depois de um tempo, até mesmo um sapo de cimento pode ser cultura. Se o bum-bum da Carla Perez já foi cultura, por que não o sapo da Praça Barão?
E agora, pergunto de modo um tanto quanto sherlockiano: onde andará o sapo da Praça Barão? Dolorosa interrogação, porque duvido que alguém saiba.
A mesma pergunta poderia ser feita para tantas coisas que sumiram, ou na esteira do sapo, ou quem sabe, por uma porta do tempo, para outra dimensão sequer suspeitada ainda, como o farol da For-taleza de São José e os leões de bronze do antigo Fórum. Os atuais leões são muito parecidos, mas não são originais, pelo menos é o que presumo. Quem sabe, são clones em gesso dos leões de bronze? Que sei eu de clones e de leões que perde-ram a sua masculinidade? Estes são leões poucos sérios, porque perderam nas mãos de algum escultor beato - eu disse beato - aquele penduricalho anatômico, na maioria das vezes inservível, que a maioria dos machos carrega apenas para fazer peso.
Na esteira do sapo e dos leões de bronze, foram-se também as palmeiras que ficavam no centro da Praça Barão; os coqueiros que ficavam em frente ao antigo Fórum; os prédios antigos, varridos pelo vento da modernidade, misturado com a burrice patogênica dos que sempre nos governaram; o chafariz da Praça Veiga Cabral, o aero clube, a Assembleia Amapaense, não o Legislativo, mas o clube social e tantas outras coisas que fizeram com que Macapá, um dia fosse chamada de "A cidade joia da Amazônia". Hoje, não somos mais uma joia. Quando muito, uma bijuteria. Própria das zonas francas da vida.
Convém não esquecer que, tudo indica, tenha sumido também na esteira do sapo, dos leões, do farol, da palmeira e dos coqueiros, a nossa antiga vergonha na cara, a nossa honestidade intrínseca, o nosso modo misto de altivez e simplicidade, a nossa fé de que um dia as coisas poderiam ser bem melhores. Tudo foi embora. Não se sabe como nem para onde. Um dia iremos nós também.
Eu, que não sei rezar, às vezes peço aos deuses da chuva que tenham pena dos que nos sucederão. Eles, sequer têm a inocência que já tivemos um dia.
Pois não é que, como tantas outras coisas neste Amapá que já teve, de tudo um pouco, o sapo su-miu! E sumiu prá nunca mais voltar. Se voltou, ninguém sabe, ninguém viu.
Talvez meus poucos leitores estejam estra-nhando a súbita saudade que me deu de um sapo. Não outro sapo, repito, mas este sapo. Acontece que o sapo em referência, como se diz em li-nguagem burocrática, ficava bem em frente à antiga agência dos Correios, situada na Praça Barão, e era feito de cimento. Não o Barão, mas o sapo, esclareça-se. Era uma escultura. Sem muito valor artístico é verdade, mas depois de um tempo, até mesmo um sapo de cimento pode ser cultura. Se o bum-bum da Carla Perez já foi cultura, por que não o sapo da Praça Barão?
E agora, pergunto de modo um tanto quanto sherlockiano: onde andará o sapo da Praça Barão? Dolorosa interrogação, porque duvido que alguém saiba.
A mesma pergunta poderia ser feita para tantas coisas que sumiram, ou na esteira do sapo, ou quem sabe, por uma porta do tempo, para outra dimensão sequer suspeitada ainda, como o farol da For-taleza de São José e os leões de bronze do antigo Fórum. Os atuais leões são muito parecidos, mas não são originais, pelo menos é o que presumo. Quem sabe, são clones em gesso dos leões de bronze? Que sei eu de clones e de leões que perde-ram a sua masculinidade? Estes são leões poucos sérios, porque perderam nas mãos de algum escultor beato - eu disse beato - aquele penduricalho anatômico, na maioria das vezes inservível, que a maioria dos machos carrega apenas para fazer peso.
Na esteira do sapo e dos leões de bronze, foram-se também as palmeiras que ficavam no centro da Praça Barão; os coqueiros que ficavam em frente ao antigo Fórum; os prédios antigos, varridos pelo vento da modernidade, misturado com a burrice patogênica dos que sempre nos governaram; o chafariz da Praça Veiga Cabral, o aero clube, a Assembleia Amapaense, não o Legislativo, mas o clube social e tantas outras coisas que fizeram com que Macapá, um dia fosse chamada de "A cidade joia da Amazônia". Hoje, não somos mais uma joia. Quando muito, uma bijuteria. Própria das zonas francas da vida.
Convém não esquecer que, tudo indica, tenha sumido também na esteira do sapo, dos leões, do farol, da palmeira e dos coqueiros, a nossa antiga vergonha na cara, a nossa honestidade intrínseca, o nosso modo misto de altivez e simplicidade, a nossa fé de que um dia as coisas poderiam ser bem melhores. Tudo foi embora. Não se sabe como nem para onde. Um dia iremos nós também.
Eu, que não sei rezar, às vezes peço aos deuses da chuva que tenham pena dos que nos sucederão. Eles, sequer têm a inocência que já tivemos um dia.
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